Falta de habilitação na Caixa adia saque-calamidade do FGTS para famílias atingidas por chuvas em MSBy Beatriz
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O saque-calamidade do FGTS continua indisponível para moradores de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, mais de 40 dias após o temporal que atingiu o município entre 10 e 12 de setembro de 2026. A indefinição impede que trabalhadores com saldo vinculado resgatem até R$ 6.220,00 para reparar estragos em moradias provocados pela tempestade.
O impasse ocorre no momento em que o Ministério das Cidades aprovou a destinação de R$ 411,73 milhões em financiamentos lastreados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para obras viárias na capital sul-mato-grossense. No total, operações intermediadas pela Caixa Econômica Federal para mobilidade e infraestrutura urbana no estado superam R$ 437 milhões, contemplando também os municípios de Aquidauana e Anastácio.
Para quem teve o imóvel danificado pelas chuvas, contudo, a liberação de recursos próprios da conta vinculada permanece travada nas etapas burocráticas de validação territorial. O procedimento exige que o poder público municipal envie a delimitação exata de cada rua e imóvel atingido para que o banco estatal abra o sistema de atendimento aos residentes.
Quando o saque-calamidade do FGTS será liberado em Campo Grande?
A abertura das solicitações depende da validação formal dos documentos técnicos apresentados pela prefeitura e da confirmação da portaria de reconhecimento de emergência no sistema da instituição financeira. Até a primeira quinzena de outubro de 2026, a Caixa informou que não havia localizado ato ministerial correspondente para homologar o cadastro da cidade.
O vendaval registrado em setembro de 2026 gerou mais de 450 chamados na capital, com quedas de fiação, destelhamentos e inundações pontuais. Trabalhadores relataram prejuízos materiais imediatos com troca de telhas e perda de mantimentos, sem garantia de que os respectivos endereços constem no mapa final da Defesa Civil.
Regras, valores e condições do saque por desastre
O modelo de saque por calamidade pública é disciplinado por diretrizes federais e só autoriza pagamentos para quem cumpre requisitos rigorosos de localidade e prazo.
- Limite de valor: até R$ 6.220,00 por conta vinculada, respeitado o saldo existente do trabalhador.
- Intervalo obrigatório: o cidadão não pode ter feito resgate pelo mesmo motivo nos últimos 12 meses.
- Comprovação de moradia: a residência deve estar situada nas ruas formalmente cadastradas pela Defesa Civil local.
- Canal de atendimento: requerimento digital realizado diretamente pelo aplicativo FGTS, sem necessidade de deslocamento a agências.
- Prazo de crédito: depósito feito em conta corrente ou poupança indicada pelo titular após aprovação dos documentos.
Como solicitar os valores pelo aplicativo
O trabalhador precisa acompanhar a publicação oficial do calendário municipal antes de preencher o formulário no sistema digital.
- Abra o aplicativo FGTS no celular e faça o acesso com o número do CPF e a senha cadastrada.
- Selecione a opção Meus Saques no menu inferior e clique em Outras Situações de Saques.
- Escolha a modalidade Calamidade Pública na lista de opções disponíveis.
- Indique o município de residência e digite o endereço completo com CEP.
- Envie fotos de documento de identidade oficial com foto e de comprovante de residência emitido em até 120 dias antes do desastre.

Quatro cidades de Mato Grosso do Sul já liberaram recursos em 2026
Em 2026, a Caixa Econômica Federal autorizou o saque-calamidade em quatro municípios de Mato Grosso do Sul, beneficiando 7.305 trabalhadores com a injeção de R$ 22,47 milhões na economia local. As concessões ocorreram em Corguinho em 10 de março, Rio Negro em 13 de março, Deodápolis em 11 de junho e Ivinhema em 2 de julho.

