Saque Calamidade do FGTS: 7.305 trabalhadores retiram R$ 22,4 milhões após temporais em MS

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Saque FGTS, Pis Pasep Foto: Saque FGTS, Pis Pasep - Foto: BRA_Stk/ Shutterstock.com

Um total de 7.305 trabalhadores recorreu ao Saque Calamidade do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em Mato Grosso do Sul ao longo de 2026, após desastres climáticos atingirem os municípios de Corguinho, Deodápolis, Ivinhema e Rio Negro. As retiradas somaram exatamente R$ 22.470.023,45 nas quatro cidades, segundo levantamento da Caixa Econômica Federal divulgado nesta quarta-feira (21).

A modalidade permite ao trabalhador retirar recursos de suas próprias contas no fundo para atender a necessidades pessoais, urgentes e graves quando um desastre natural atinge a sua residência. Nos quatro municípios sul-mato-grossenses, as liberações ocorreram em razão de chuvas intensas, enxurradas, alagamentos e tempestades de granizo registrados no primeiro semestre de 2026.

Ivinhema concentra 72% dos valores do Saque Calamidade do FGTS

O município de Ivinhema registrou a maior parte dos trabalhadores atendidos e do volume financeiro movimentado no estado. A cidade contabilizou 5.222 moradores beneficiados e R$ 16,2 milhões em retiradas, quantia que representa aproximadamente 72% de todo o valor pago pela Caixa Econômica Federal nas quatro localidades de Mato Grosso do Sul em 2026.

Em Ivinhema e no município de Deodápolis, a liberação do Saque Calamidade do FGTS foi motivada por tempestades de granizo que atingiram as duas cidades no mês de maio de 2026. No caso de Ivinhema, o fenômeno levou ao reconhecimento estadual da situação de emergência, publicado em junho. Deodápolis ficou na segunda colocação no levantamento estadual, tanto em quantidade de trabalhadores atendidos quanto no volume total de recursos sacados.

A assessoria da Caixa Econômica Federal ainda não detalhou os números exatos e individualizados de trabalhadores beneficiados e os valores específicos retirados nos municípios de Corguinho, Deodápolis e Rio Negro, mantendo apenas o recorte isolado de Ivinhema e a soma consolidada das quatro prefeituras.

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Enchentes em Corguinho e Rio Negro e o calendário de prazos em 2026

Nos municípios de Corguinho e Rio Negro, o reconhecimento da situação de emergência pelo governo federal ocorreu antes, em março de 2026, em decorrência de chuvas intensas, enxurradas e alagamentos. Em Corguinho, localizada a 100 quilômetros de Campo Grande, as enchentes de março fizeram um rio transbordar e derrubaram uma ponte da região. Já em Rio Negro, a 144 quilômetros da capital sul-mato-grossense, os alagamentos provocados pelos temporais motivaram o decreto de emergência que autorizou a liberação das contas vinculadas.

Todos os prazos de solicitação do Saque Calamidade do FGTS referentes aos eventos climáticos do primeiro semestre de 2026 nas quatro cidades já estão encerrados. O calendário oficial de atendimento e os limites financeiros seguiram o cronograma abaixo:

  • Corguinho (MS): solicitações abertas de 11 de março de 2026 a 8 de junho de 2026;
  • Rio Negro (MS): solicitações abertas de 14 de março de 2026 a 11 de junho de 2026;
  • Deodápolis (MS): prazo de solicitação encerrado em 8 de setembro de 2026;
  • Ivinhema (MS): prazo de solicitação encerrado em 30 de setembro de 2026;
  • Valor total retirado nos quatro municípios: R$ 22.470.023,45;
  • Total de trabalhadores beneficiados em Mato Grosso do Sul: 7.305 pessoas.

Limite de R$ 6.220,00 e regras da Lei nº 8.036/1990 para o FGTS

O Saque Calamidade do FGTS é regulamentado pelo artigo 20 da Lei nº 8.036/1990, que rege o fundo de garantia, e pelo Decreto nº 5.113/2004, norma federal que define as condições de movimentação da conta em situações de desastre natural. A legislação contempla ocorrências como enchentes, enxurradas, alagamentos, precipitações de granizo, vendavais, tempestades, ciclones, tornados, deslizamentos e casos de rompimento ou colapso de barragens com movimento de massa que causem danos a moradias.

O dinheiro liberado pertence ao próprio trabalhador e já estava depositado em suas contas vinculadas, funcionando como uma antecipação do acesso aos recursos, e não como um benefício extra pago pelo governo. O teto permitido para retirada é de até R$ 6.220,00 para cada conta de titularidade do trabalhador no FGTS, ficando o pagamento limitado ao saldo disponível no momento do pedido.

Como funciona o pedido do Saque Calamidade pelo aplicativo FGTS

Para que os moradores possam pedir a retirada em novos eventos climáticos, a prefeitura do município atingido precisa primeiro obter a habilitação da situação de emergência ou de calamidade pública junto à Caixa Econômica Federal. Além de comprovar residência na área exata afetada pelo desastre, o trabalhador deve respeitar a regra geral do fundo, que exige um intervalo mínimo de 12 meses entre um saque por calamidade e outro.

Quando o município está com o prazo aberto, o requerimento é feito de forma totalmente digital pelo aplicativo FGTS, disponível para celulares, sem necessidade de ir a uma agência bancária. O titular deve acessar a opção de saque por calamidade pública, selecionar o nome do município habilitado, preencher os dados da moradia e anexar a documentação exigida, que passa por análise da Caixa Econômica Federal antes de o dinheiro ser creditado na conta bancária indicada:

  • Documento de identificação pessoal oficial;
  • Comprovante de residência em nome do trabalhador, emitido no prazo máximo de 120 dias anteriores à decretação da situação de emergência ou calamidade pública;
  • Certidão de casamento ou escritura pública de união estável, exigida caso o comprovante de endereço esteja em nome do cônjuge ou companheiro;
  • Declaração emitida pelo poder público municipal ou declaração própria do trabalhador (sujeita à validação da Caixa), aceitas na ausência de comprovante formal de endereço.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração