Greve na Ressacada: elenco do Avaí cruza os braços por salários e presidente fala em “desespero”Por Thiago Lemos
4 min de leitura
![]() |
O elenco de jogadores do Avaí se recusam a treinar em protesto contra três meses de salários atrasados na manhã desta quarta-feira, 04 de novembro de 2026, no Estádio da Ressacada, em Florianópolis. A decisão coletiva dos atletas marca a primeira paralisação total de atividades esportivas do grupo durante a atual temporada, aprofundando a instabilidade institucional do clube catarinense nas duas rodadas derradeiras da Série B do Campeonato Brasileiro. A recusa em ir a campo acontece em meio ao esgotamento das promessas de quitação financeira feitas pela diretoria executiva.
Os problemas de fluxo de caixa arrastam-se desde os primeiros meses do ano nos bastidores da capital catarinense. Durante o primeiro semestre, a instituição conseguiu quitar duas folhas de pagamento por meio de um adiantamento financeiro de R$ 5 milhões concedido pela Kactus Capital, empresa parceira que negocia a formalização jurídica da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A investidora suspendeu novos aportes até que o acordo definitivo de transformação societária seja assinado pelos conselheiros e dirigentes.
O presidente da agremiação, Bernardo Pessi, convocou pronunciamento na terça-feira (03) para admitir a fragilidade orçamentária e detalhou que as receitas ordinárias do clube tornaram-se insuficientes para honrar os custos operacionais básicos.
“A gente tem que fazer isso de forma rápida, mas segura. Não podemos assinar qualquer coisa porque a gente tá no desespero. Eu não posso afirmar, e não vou afirmar um prazo porque não sou eu que posso assegurar. O que posso informar é que estamos caminhando de forma rápida, apesar de não parecer. Já temos minutas contratuais em vias de assinatura”, declarou Bernardo Pessi.
Endividamento mensal e promessa rompida
O mandatário alviceleste revelou que o peso dos passivos herdados sufoca o planejamento cotidiano do departamento de futebol em Santa Catarina.
“A receita mensal do clube ela não consegue pagar nem a dívida, quanto mais o restante do clube. Nós temos que pagar mensalmente mais de R$ 1 milhão em dívidas”, admitiu o dirigente, que preferiu não confirmar se assegurou prazos de pagamento ao grupo antes da viagem recente para enfrentar o Náutico no Recife.
O impacto da falta de depósitos repercutiu de maneira pública na comissão técnica. O treinador interino e ídolo histórico da agremiação, Marquinhos Santos, externou receio sobre a escalação de peças profissionais para os compromissos imediatos do torneio.
“Não sei responder o que passa na cabeça do jogador, não sei se foi a situação de salário, que prometeram pagar até sexta-feira e não conseguiram. A gente vem nessa pindaíba de situação salarial há muito tempo e justo no jogo importante vem a notícia que não iriam cumprir com o que prometeram”, afirmou Marquinhos.
Cenário dramático na luta contra a Série C
A interrupção dos treinamentos coloca em risco o planejamento de campo para a penúltima rodada da segunda divisão do certame nacional. O Leão da Ilha precisa vencer seus dois jogos restantes e torcer para que o Ceará não pontue para tentar evitar a queda de divisão.
- Ocorrência: paralisação dos treinamentos do elenco profissional por atrasos salariais
- Período de débitos: três meses de salários em aberto com jogadores e comissão técnica
- Aporte anterior: empréstimo de R$ 5 milhões realizado pela investidora Kactus Capital
- Serviço da dívida: amortização obrigatória superior a R$ 1 milhão por mês
- Próximo jogo: Avaí x São Bernardo, sábado, 07 de novembro de 2026, às 16h, na Ressacada
- Rodada final: América-MG x Avaí, sábado, 14 de novembro de 2026, às 16h30, em Belo Horizonte
A diretoria tenta obter linhas emergenciais de crédito nas próximas 48 horas para convencer os jogadores a entrarem em campo no sábado. Caso a paralisação se estenda, a comissão técnica poderá ser obrigada a relacionar atletas da equipe sub-20 para atuar na Ressacada.






