Greve geral na França fecha a Torre Eiffel e mobiliza 70 mil policiais em 260 protestos pelo paísPor Luís Henrique Costa
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Uma nova greve geral nacional convocada por centrais sindicais paralisou transportes públicos, provocou o fechamento da Torre Eiffel e levou milhares de pessoas às ruas nesta quinta-feira (05) em várias cidades da França. O Ministério do Interior mobilizou um efetivo de 70 mil agentes policiais com blindados, aeronaves e drones para conter manifestações convocadas em 260 pontos do território nacional. A mobilização contesta a inflação sobre itens de consumo diário e exige o reajuste imediato do piso salarial e dos benefícios de aposentadoria.
A paralisação atingiu o transporte ferroviário, linhas urbanas de ônibus e estações de metrô, além de interromper as aulas em centenas de estabelecimentos secundaristas públicos e privados. O fechamento total das visitas à Torre Eiffel ocorreu diante da adesão dos trabalhadores de recepção e segurança ao movimento paredista.
As projeções oficiais apontavam a expectativa de 500 mil a 700 mil participantes nas províncias e de 40 mil a 80 mil manifestantes na capital. A adesão ampla reflete o agravamento das tensões econômicas que marcam os meses finais da gestão do presidente Emmanuel Macron, cujo mandato termina em maio de 2027.
O mal-estar social ganhou força com o reajuste nos preços dos combustíveis e com as metas de contenção de gastos públicos elaboradas para o orçamento de 2027. Diante da alta de despesas domésticas essenciais, os representantes sindicais sustentam que o poder aquisitivo do trabalhador foi corroído sem reposição compatível.

“Combustível, alimentos, aluguel, gás, eletricidade… Tudo está subindo, exceto salários e aposentadorias. A raiva é imensa. A situação neste país é frágil. Os desafios sociais e ambientais urgentes devem ser enfrentados sem demora”, diz o comunicado conjunto das entidades.
Tropas de choque registraram incidentes em capitais regionais. Em Rennes, homens com rostos cobertos ergueram barricadas em vias públicas e atiraram esferas de aço contra os bloqueios policiais durante a manhã.
A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo em Paris e Lyon para desobstruir colégios e dispersar arremessos de artefatos. Nas avenidas de Marselha e Nantes, milhares de manifestantes carregavam faixas de repúdio à política fiscal do governo federal.
“Seguimos com o movimento porque não nos escutam. Estamos aqui para tentar mudar as coisas”, declarou a estudante secundarista Luce, de 15 anos, durante a passeata realizada no centro de Estrasburgo.
Impactos imediatos e orientação ao viajante
O dia de paralisação nacional gerou restrições severas na mobilidade urbana e na oferta de atendimentos presenciais em órgãos estatais. Os usuários do sistema público e turistas precisam observar as seguintes diretrizes operacionais:
- Transporte sobre trilhos e metrô opera com intervalos estendidos e estações fechadas, exigindo consulta prévia às grades de emergência das concessionárias.
- Pontos turísticos de grande circulação, a exemplo da Torre Eiffel, suspenderam as entradas e orientam os portadores de bilhetes a solicitarem reembolso ou reagendamento pelos portais oficiais.
- Vias de acesso a aeroportos e eixos rodoviários urbanos apresentam retenções pontuais devido a bloqueios intermitentes de manifestantes.
- Estabelecimentos de ensino com adesão de professores mantêm o cancelamento de aulas até a conclusão das assembleias de base.
A escalada das manifestações e o desgaste institucional
O movimento paredista reúne reivindicações de recomposição de perdas acumuladas desde o início do ano. A exigência central gira em torno da valorização do salário mínimo interprofissional, garantia de estabilidade nos empregos e fortalecimento do custeio dos serviços públicos essenciais.
O governo francês sustenta a necessidade de preservar as metas de responsabilidade fiscal para assegurar o equilíbrio das contas públicas em 2027. Por outro lado, sindicatos argumentam que a população de menor renda suporta de maneira desproporcional o peso da escalada dos preços de energia e gêneros de primeira necessidade.
A crise social já ultrapassou as fronteiras francesas e motivou manifestações de solidariedade estudantil e laboral em nações vizinhas, entre as quais Espanha, Itália, Bélgica e Albânia. A dimensão dos protestos coloca o Executivo francês sob pressão direta para abrir rodadas formais de negociação salarial com as lideranças trabalhistas.
Linha do tempo dos protestos nacionais
As manifestações contra o custo de vida e as políticas econômicas do governo francês acumulam semanas de mobilização contínua:
- Setembro de 2026 — Estudantes do ensino médio dão início a paralisações pontuais e trancamentos de escolas contra o aumento de custos educacionais e de subsistência.
- 17 de outubro de 2026 — Manifestações de rua ganham escala em dezenas de cidades, com episódios de confronto urbano, quebra-quebra e saques ao comércio varejista.
- Fim de outubro de 2026 — Centrais sindicais unificam as pautas da juventude às reivindicações salariais de servidores e empregados do setor privado, ampliando a base de apoio.
- 05 de novembro de 2026 — Convocação de greve geral paralisa a circulação urbana, fecha colégios e atrações turísticas em 260 municípios franceses com 70 mil policiais destacados.
O Ministério do Interior mantém equipes de monitoramento permanente nas principais capitais para consolidar o total de detenções e a extensão dos danos patrimoniais.







