Enem 2026: professores apostam em IA e meio ambiente para a redação; veja palpitesPor Carolina Costa
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Candidatos que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 neste domingo (8) contam com um mapeamento de 11 eixos temáticos apontados por professores de redação para a prova dissertativa-argumentativa aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os debates concentram questões sociais brasileiras contemporâneas, com destaque para a regulamentação ética da inteligência artificial, a segurança infantil no ambiente virtual e os desdobramentos socioambientais das alterações do clima.
A estrutura do exame exige que os participantes elaborem um texto de até 30 linhas com tese, argumentos fundamentados em dados e uma proposta de intervenção social detalhada para o problema apresentado. Mais do que tentar acertar o recorte exato que será aberto nos cadernos de prova, especialistas recomendam que os estudantes revisem conceitos legislativos, marcos históricos e dados de órgãos públicos que sirvam de repertório produtivo.
Temas da redação do Enem 2026 apontados por professores
- Inteligência artificial e os desafios do uso ético da tecnologia no trabalho e no aprendizado
- Proteção de crianças e adolescentes nos ambientes virtuais com base no ECA Digital
- Mudanças climáticas, racismo ambiental e justiça socioambiental em áreas de risco
- Preservação dos biomas brasileiros com ênfase na conservação do Cerrado
- Poluição por microplásticos, consumo desenfreado e impactos na saúde coletiva
- Direitos, acessibilidade e inclusão de pessoas neurodivergentes na educação e no mercado
- Desinformação, negacionismo e resgate da confiança pública na produção científica
- Importância do esporte como ferramenta de integração comunitária e saúde pública
- Transformações nas relações de trabalho e garantia de direitos trabalhistas
- Desigualdade socioeconômica, cidadania e universalização do acesso a direitos fundamentais
- Consumo consciente, produtividade moderna e saúde mental nas relações cotidianas
Inteligência artificial e marco legal no ambiente digital
O debate em torno da inteligência artificial generativa ganhou força nas salas de aula diante da expansão rápida de ferramentas automatizadas no cotidiano acadêmico e profissional. Professores apontam que uma proposta nessa área tende a cobrar reflexões sobre a substituição de funções humanas, a disseminação de fraudes audiovisuais e o tratamento de dados pessoais. Entre os conceitos úteis para fundamentar o texto estão algoritmos, discriminação algorítmica e automação.
A proteção infantojuvenil na internet também figura com frequência entre as previsões após a promulgação da legislação referente ao Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A proposta permite articular a responsabilidade solidária entre famílias, ambiente escolar, empresas de tecnologia e Estado diante de práticas nocivas como assédio digital, publicidade abusiva e exposição a telas.
Crise climática e preservação dos ecossistemas nacionais
A frequência de desastres provocados por eventos meteorológicos extremos coloca a questão ambiental no centro das discussões teóricas para o exame. Docentes destacam o conceito de racismo ambiental, que analisa como secas severas, deslizamentos e enchentes atingem com maior intensidade comunidades de baixa renda desprovidas de infraestrutura urbana básica. A abordagem exige foco em gestão pública de risco, moradia digna e transição energética.
Em paralelo, a preservação de biomas sob forte pressão produtiva, como o Cerrado e a Floresta Amazônica, surge como recorte viável para analisar a compatibilidade entre desenvolvimento econômico e conservação da biodiversidade. Já a contaminação por microplásticos oferece um caminho para debater a responsabilidade industrial no ciclo de vida dos descartáveis e a saúde humana.
Inclusão social de neurodivergentes e combate ao capacitismo
As barreiras enfrentadas por cidadãos com transtorno do espectro autista, déficit de atenção, dislexia e outras condições integram a pauta de direitos civis recomendada para revisão. Especialistas ressaltam que a abordagem não deve se limitar a citar leis existentes, mas demonstrar a necessidade de capacitação de professores, combate sistemático ao preconceito e garantia de diagnósticos precoces na rede pública de saúde.
O tema dialoga com o histórico da avaliação, que já cobrou a discussão sobre estigmas associados às doenças mentais no Brasil durante a edição de 2020.
Regras da prova e orientações para o candidato
- Formato textual: dissertativo-argumentativo em prosa de até 30 linhas
- Critérios de nota zero: fuga total ao tema, extensão inferior a sete linhas, cópia dos textos motivadores sem trechos autorais e desrespeito intencional aos direitos humanos na proposta
- Horário de aplicação: fechamento dos portões às 13h e início das provas às 13h30 pelo horário de Brasília
- Segundo dia de avaliação: marcado para o próximo domingo (15) com testes de ciências da natureza e matemática







