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Sono irregular prejudica saúde mais do que poucas horas de descanso

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Sono - Foto: Meeko Media / shutterstock Sono - Foto: Meeko Media / shutterstock

Um novo estudo publicado na revista Health Data Science, em agosto de 2025, aponta que a irregularidade nos horários de sono, conhecida como “jet lag social”, pode ser mais prejudicial à saúde do que a simples falta de horas dormidas. Realizado por pesquisadores internacionais, o estudo destaca que manter horários consistentes para dormir e acordar é essencial para a saúde física e mental. Conductado em diversas cidades, como São Paulo e Nova York, a pesquisa analisou padrões de sono de milhares de pessoas e revelou que a desregulação do ritmo circadiano eleva o risco de doenças cardíacas, diabetes e problemas imunológicos. O fenômeno, comum entre trabalhadores noturnos e pessoas com rotinas instáveis, desencadeia respostas inflamatórias no corpo. A neurologista Paula Vallegas, da Unifesp, explica que o sono irregular atua como estresse crônico, afetando hormônios e o sistema imunológico. A descoberta reforça a importância de rotinas estáveis para o bem-estar.

A pesquisa também desafia mitos sobre o sono prolongado. Dados mostram que passar mais de nove horas na cama nem sempre significa dormir mais, mas pode incluir períodos acordados, o que reduz a qualidade do descanso.

  • Impactos do sono irregular: aumento de inflamações e risco de doenças crônicas.
  • Fator comum: trabalhadores noturnos e jovens com rotinas desregradas são mais afetados.
  • Solução inicial: estabelecer horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana.

A regularidade do sono emerge como um pilar essencial para a saúde, segundo especialistas.

Por que a regularidade do sono importa

Manter uma rotina fixa de sono alinha o ritmo circadiano, o relógio biológico que regula funções como temperatura corporal, liberação de hormônios e metabolismo. Quando os horários de dormir variam muito, o corpo enfrenta dificuldades para sincronizar esses processos. A neurologista Laura Castro, da plataforma Vigilantes do Sono, explica que a desregulação afeta hormônios como o cortisol e a melatonina, essenciais para o equilíbrio do organismo. Um estudo conduzido em 2024 pela Universidade de Harvard corroborou que pessoas com horários de sono inconsistentes apresentaram maior incidência de fadiga crônica e problemas metabólicos. A pesquisa da Health Data Science, por sua vez, mediu a variabilidade dos horários de sono em mais de 5 mil participantes, constatando que desvios superiores a uma hora diária já elevam os riscos à saúde.

A irregularidade no sono também interfere na produção de citocinas inflamatórias, moléculas que, em excesso, danificam tecidos e órgãos. Esse processo está associado a condições como obesidade e hipertensão.

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Ground Picture//Shutterstock.com

Jet lag social e seus efeitos no corpo

O termo “jet lag social” descreve o desajuste causado por mudanças frequentes nos horários de sono, como dormir tarde nos fins de semana e acordar cedo durante a semana. Esse hábito, comum entre jovens e profissionais com turnos variados, desregula o ritmo circadiano.

  • Aumento do estresse: o corpo interpreta a irregularidade como uma ameaça, elevando o cortisol.
  • Impacto hormonal: alterações na produção de insulina e grelina, ligados à fome e saciedade.
  • Sistema imunológico: redução na produção de células de defesa, aumentando a suscetibilidade a infecções.
  • Saúde mental: maior risco de ansiedade e depressão devido à falta de sincronia no cérebro.

A médica Paula Vallegas destaca que o jet lag social pode ser tão prejudicial quanto viajar entre fusos horários distintos. Estudos apontam que trabalhadores noturnos, como enfermeiros e motoristas, enfrentam até 30% mais chances de desenvolver doenças crônicas devido a essa prática.

Mitos sobre a duração do sono

A crença de que dormir mais de nove horas é sempre prejudicial foi questionada. Dados objetivos da pesquisa mostram que muitas pessoas permanecem na cama por longos períodos, mas não dormem profundamente. Isso pode incluir despertares frequentes ou sono fragmentado, que comprometem a recuperação do corpo. Laura Castro explica que a sensação de bem-estar ao acordar é um indicador importante, mas pode ser enganosa. Condições como apneia do sono, por exemplo, podem mascarar a má qualidade do descanso.

  • Sono prolongado: nem sempre significa descanso profundo; despertares frequentes são comuns.
  • Apneia do sono: causa pausas na respiração, reduzindo a oxigenação e a qualidade do sono.
  • Avaliação clínica: essencial para identificar problemas subjacentes, como insônia ou apneia.

A recomendação é buscar uma anamnese clínica detalhada para avaliar a saúde do sono, especialmente em casos de cansaço persistente.

Como melhorar a regularidade do sono

Estabelecer uma rotina de sono consistente é a principal recomendação dos especialistas. Isso inclui manter horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana. A exposição à luz natural durante o dia também ajuda a regular o ritmo circadiano.

  • Horários fixos: tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias.
  • Luz natural: pelo menos 30 minutos de exposição ao sol pela manhã estimulam a melatonina.
  • Evitar telas: a luz azul de celulares e computadores inibe a produção de hormônios do sono.
  • Ambiente adequado: quarto escuro, silencioso e com temperatura amena melhora o descanso.

Um experimento conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) em 2024 mostrou que participantes que mantiveram horários regulares de sono por 30 dias relataram 25% menos fadiga e melhora na disposição.

Impactos na saúde a longo prazo

A irregularidade no sono não afeta apenas o bem-estar imediato. Estudos longitudinais indicam que a falta de consistência nos horários de sono está associada a um aumento de 20% no risco de doenças cardiovasculares e 15% em diabetes tipo 2. A inflamação crônica, desencadeada pelo estresse do jet lag social, também pode acelerar o envelhecimento celular.

A pesquisa da Health Data Science revelou que indivíduos com variações de mais de duas horas nos horários de sono apresentaram níveis elevados de marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa. Esses marcadores estão ligados a condições como aterosclerose e artrite. Além disso, a desregulação hormonal causada pelo sono irregular pode levar a ganho de peso, já que altera a produção de grelina, hormônio que estimula a fome.

Prevenção e cuidados práticos

Adotar hábitos simples pode minimizar os impactos do sono irregular. Especialistas recomendam pequenas mudanças na rotina para alinhar o ritmo circadiano e melhorar a saúde geral.

  • Evitar cafeína à noite: substâncias estimulantes atrapalham o início do sono.
  • Rotina de relaxamento: leitura ou meditação antes de dormir ajudam a preparar o corpo.
  • Monitoramento do sono: aplicativos ou dispositivos vestíveis podem identificar padrões irregulares.
  • Consulta médica: essencial para casos de insônia crônica ou suspeita de apneia.

A neurologista Paula Vallegas reforça que a prevenção começa com a conscientização. “Muitas pessoas não percebem que horários desregulados afetam tanto a saúde quanto dormir pouco”, afirma.

Curiosidades sobre o ritmo circadiano

O ritmo circadiano é um mecanismo biológico que regula funções do corpo ao longo de 24 horas. Sua desregulação pode causar efeitos inesperados.

  • Origem do termo: “circadiano” vem do latim “circa diem”, que significa “cerca de um dia”.
  • Influência da luz: a exposição à luz solar é o principal fator para sincronizar o relógio biológico.
  • Animais e plantas: o ritmo circadiano também regula comportamentos em outras espécies, como o florescer de plantas.
  • Nobel de 2017: a descoberta dos mecanismos moleculares do ritmo circadiano rendeu um prêmio Nobel.

Esses aspectos destacam a complexidade do relógio biológico e sua importância para a saúde.

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