Hubble e Juice registram detalhes inéditos do cometa 3I/ATLAS a 286 milhões de km da Terra agora
O Telescópio Espacial Hubble capturou imagens detalhadas do cometa interestelar 3I/ATLAS em 30 de novembro de 2025, quando o objeto estava a 286 milhões de quilômetros da Terra. Essa observação ocorreu logo após o periélio do cometa, em outubro, e mostra uma coma brilhante em forma de gota d’água, com núcleo envolto por gás e poeira.
A sonda Juice, da Agência Espacial Europeia, também registrou o 3I/ATLAS em novembro, a 66 milhões de quilômetros de distância, durante sua viagem a Júpiter. Esses registros confirmam o terceiro visitante interestelar confirmado no Sistema Solar, descoberto em julho de 2025 pelo sistema ATLAS no Chile.
Astrônomos da Nasa e da Esa coordenam esforços para analisar a trajetória hiperbólica do cometa, que indica origem fora do Sistema Solar. O 3I/ATLAS viaja a cerca de 210 mil km/h e atingirá o ponto mais próximo da Terra em 19 de dezembro, a 270 milhões de quilômetros, sem qualquer risco ao planeta.
- Descoberta em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS em Río Hurtado, Chile.
- Diâmetro estimado do núcleo entre 440 metros e 5,6 km, o maior entre objetos interestelares conhecidos.
- Composição inclui cianeto de hidrogênio, metanol e níquel em níveis elevados.
Descoberta e trajetória inicial
Astrônomos identificaram o 3I/ATLAS como interestelar devido à sua órbita aberta, que não fecha em torno do Sol. A detecção inicial ocorreu durante varreduras rotineiras do sistema ATLAS, projetado para alertas de impactos terrestres.
Em julho, o Hubble obteve as primeiras imagens, revelando uma coma fraca e uma cauda ampla apontando para leste. Esses dados iniciais limitaram o tamanho do núcleo e indicaram ejeção de poeira em velocidades variadas, de 2 m/s para grãos grandes a 22 m/s para partículas pequenas.
A trajetória leva o cometa a uma distância mínima do Sol de cerca de 1,8 unidade astronômica em outubro, ativando sua sublimação. Observações subsequentes rastrearam sua aceleração e brilho, com variações a cada 16 horas, sugerindo rotação irregular.

Composição química revelada
Espectroscopia do Very Large Telescope em agosto de 2025 detectou cianeto e níquel na coma do 3I/ATLAS. Esses elementos, com níquel 11 vezes acima dos níveis solares, apontam para formação em ambiente interestelar denso.
O brilho azulado na coma, capturado pelo Hubble, confirma presença de moléculas voláteis como dióxido de carbono e gelo d’água. Análises indicam perda de massa de até 60 kg de poeira por segundo durante julho, com emissões ultravioleta observadas por missões como PUNCH e STEREO.
Dados preliminares da Juice, transmitidos em novembro, mostram emissões de gás com razão enxofre-oxigênio alterada. Esses achados diferenciam o 3I/ATLAS de cometas solares, como 2I/Borisov, e sugerem exposição prolongada a radiação cósmica.
A presença de metanol e cianeto de hidrogênio reforça hipóteses sobre blocos de construção para compostos orgânicos. Observações do James Webb Space Telescope em agosto complementam esses dados, identificando tolinas irradiadas responsáveis pela cor avermelhada.
Observações da sonda Juice em detalhes
A sonda Juice, lançada em 2023 para explorar luas de Júpiter, posicionou-se entre o Sol e o 3I/ATLAS em novembro. Sua câmera NavCam, destinada a navegação, capturou uma imagem parcial mostrando coma visível e cauda de plasma.
Essa visão, a 66 milhões de quilômetros, revelou atividade térmica pós-periélio, com jatos de gás e poeira. A antena principal da sonda, usada como escudo solar, atrasou o envio completo de dados, esperado para 18 a 20 de fevereiro de 2026.
Instrumentos científicos da Juice mediram partículas e composição durante dois dias de observação. Esses registros incluem análises de poeira e gás, contribuindo para modelos de ejeção em cometas interestelares.
A coordenação com o Hubble permitiu comparações diretas, destacando a versatilidade da Juice. Imagens mostram duas caudas: uma de plasma anti-solar e outra de poeira curva, similar a cometas locais mas com intensidade maior.
Contribuições do Hubble para o estudo
O Hubble utilizou a Wide Field Camera 3 em novembro para mapear a coma do 3I/ATLAS com resolução de 0,04 arcsegundos por pixel. Essa técnica revelou dois jatos principais e uma anti-cauda solar estendendo-se a 60 mil quilômetros.
Espectroscopia ultravioleta determinou emissões gasosas e variações de brilho. As estrelas de fundo aparecem como riscos devido ao movimento rápido do cometa, permitindo rastreamento preciso da aceleração.
Observações anteriores em julho estimaram ejeção de 6 kg de poeira fina por segundo. Dados atuais confirmam aumento pós-periélio, com pluma solar em forma de leque no núcleo.
Essas imagens processadas destacam assimetrias na coma, como brilho maior no lado solar. O telescópio continuará monitorando o 3I/ATLAS até sua saída do Sistema Solar em 2028.
Colaborações entre missões espaciais
Várias sondas contribuíram para o monitoramento do 3I/ATLAS. A Psyche, em rota aos asteroides, atualizou rastreamentos em novembro, confirmando desvios na aceleração.
Orbitadores de Marte, como Perseverance e Reconhecimento de Marte, observaram o cometa em outubro a 29 milhões de quilômetros. Esses dados revelaram emissões ultravioleta e interações com vento solar.
O Observatório SOHO e a Parker Solar Probe registraram elongações na cauda em setembro. Missões como Lucy e Europa Clipper adicionaram perspectivas de longa distância, medindo espectros infravermelhos.
- Psyche: Atualizações de trajetória em novembro.
- Perseverance: Visões de Marte em 3 de outubro.
- SPHEREx: Detecção de gelo d’água no núcleo em agosto.
Essas colaborações formam um banco de dados global, acelerando análises de composição.
Trajetória futura e visibilidade
O 3I/ATLAS emergirá de trás do Sol em novembro e permanecerá observável até setembro de 2028. Telescópios terrestres, como o Gemini Norte, capturaram espectros em agosto, mostrando filtros ultravioleta e vermelho.
Amadores registraram imagens em dezembro com telescópios de 30 cm, estendendo a coma a milhões de quilômetros. O brilho aparente atingiu magnitude 11,5, visível em equipamentos medianos.
O James Webb Space Telescope agendou observações em dezembro para infravermelho, buscando ices específicos. Esses esforços finais visam reconstruir a jornada do cometa pelo espaço interestelar.
A saída do Sistema Solar em 2028 marcará o fim das observações, deixando um legado de dados sobre formação planetária.





