China ativa telescópio para monitorar um milhão de objetos no céuPor Janderson Luiz
5 min de leitura
![]() |
Cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China e do Observatório da Montanha Púrpura iniciaram a operação do telescópio Mozi na base astronômica de Lenghu, em Qinghai. O sistema óptico alcança a marca de registrar mais de um milhão de objetos celestes a cada sessenta segundos de varredura contínua.
A instalação científica fica situada a 4.200 metros de altitude na montanha Saishiteng. O deserto circundante garante noites secas com ausência quase total de poluição luminosa em cerca de trezentos dias por ano. O equipamento entrou em operação.
A estrutura principal conta com um espelho primário de 2,5 metros de diâmetro e abriga a maior câmera de campo amplo em funcionamento no hemisfério norte, projetada especificamente para monitorar eventos cósmicos passageiros e rastrear pequenos corpos celestes que cruzam as proximidades do sistema solar.
Capacidade técnica do telescópio óptico em Qinghai
A câmera de mosaico instalada no observatório opera com 765 milhões de pixels distribuídos em sensores de carga acoplada de alta sensibilidade. O arranjo visual consegue registrar uma área equivalente a quarenta luas cheias num único disparo fotográfico.
O conjunto óptico cobre vinte mil graus quadrados do firmamento boreal a cada intervalo de três noites seguidas de rastreamento. Servidores instalados na base processam gigabytes de imagens imediatamente após o encerramento de cada exposição. Mecanismos automatizados emitem avisos quando um corpo desconhecido altera sua trajetória no campo visível dos sensores. A equipe técnica ajusta a angulação dos espelhos secundários antes do início de cada turno noturno.
O telescópio Mozi atende a diretrizes científicas prioritárias estabelecidas pela Academia Chinesa de Ciências.
- Rastreamento de asteroides que circulam perto da órbita terrestre e apresentem risco de impacto
- Identificação imediata de supernovas no estágio inicial da explosão térmica de estrelas massivas
- Mapeamento de estrelas rompidas pela força gravitacional de buracos negros supermassivos
- Catalogação sistemática de cometas e corpos rochosos situados nas fronteiras do cinturão de Kuiper
A velocidade na detecção de fenômenos transitórios permite que outros observatórios terrestres apontem instrumentos de maior alcance para as coordenadas exatas do evento. O primeiro teste prático do equipamento gerou uma imagem panorâmica da galáxia de Andrômeda capturada com diferentes filtros espectrais. O registro detalhou aglomerados estelares situados a 2,5 milhões de anos-luz de distância da Terra.
O projeto envolveu cooperação direta entre o governo provincial de Qinghai e a universidade sediada em Hefei. Especialistas dessa instituição criaram o software encarregado de anular os rastros luminosos deixados por frotas de satélites artificiais.
Construção da base científica no monte Saishiteng
Trabalhadores e engenheiros iniciaram a construção das vias de transporte e as fundações da torre principal em 2019.
O deslocamento dos segmentos de vidro de 2,5 metros exigiu carretas pesadas adaptadas ao traçado íngreme do planalto tibetano. Os operários ergueram a cúpula metálica sob temperaturas que descem a trinta graus negativos nos períodos de inverno rigoroso. Os técnicos concluíram as baterias de calibração eletrônica dos motores na primeira metade de 2023.
A topografia montanhosa atua como um escudo que bloqueia a elevação de areia fina vinda dos vales áridos vizinhos. Medidores automáticos fecham a escotilha principal do domo caso as rajadas de vento no cume superem vinte metros por segundo.
O vilarejo de Lenghu converteu instalações industriais antigas em um complexo que reúne mais de trinta projetos de observação astronômica. Uma resolução governamental determinou a proibição de iluminação externa desnecessária em um raio de cinquenta quilômetros ao redor dos morros. Essa restrição normativa impede que a claridade urbana ofusque o trabalho dos sensores de alta precisão. Linhas de fibra óptica transmitem o fluxo contínuo de dados para laboratórios de processamento em Pequim e Xangai.
Monitoramento de detritos e vigilância da órbita terrestre
A observação do lixo espacial compõe a lista de deveres assumidos pela equipe da estação em suporte aos lançamentos civis chineses.
Milhares de fragmentos de carcaças metálicas orbitam altitudes frequentemente usadas por missões tripuladas e satélites de posicionamento. Os sensores do topo da montanha encontram esses destroços quando refletem a luz solar nos primeiros minutos da alvorada. A catalogação em tempo real reduz os perigos de colisão física contra estruturas em órbita baixa.
Algoritmos de dinâmica orbital calculam passagens de risco com margem de alerta prévio de quarenta e oito horas. As leituras alimentam centros de controle da estação Tiangong para correções preventivas de rumo.
O equipamento identificou mais de trezentos fragmentos metálicos não catalogados durante as semanas iniciais de testes.
Metas do programa astronômico para o hemisfério norte
O telescópio complementa os levantamentos noturnos conduzidos por instrumentos localizados nos territórios do Chile e do Havaí. A posição geográfica na Ásia Central preenche um intervalo temporal crítico entre as estações do continente europeu e as redes instaladas no oceano Pacífico. Esse posicionamento possibilita acompanhamento contínuo de objetos móveis enquanto o sol ilumina os grandes telescópios das Américas.
O comitê gestor do observatório traçou planos de operação ininterrupta para a unidade ao longo dos próximos dez anos. A equipe técnica executa ciclos de manutenção periódica para limpar o espelho principal a cada dezoito meses com jatos de nitrogênio líquido.







