Minerais no manto profundo da Terra guardam reserva de águaPor Jeronimo Santos
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Cientistas registraram em 16 de setembro de 2026 estruturas minerais com capacidade de reter água a 2.900 quilômetros de profundidade, no ponto exato onde a camada do manto toca a borda do núcleo externo da Terra. A área concentra pressões elevadas.
Ensaios laboratoriais com calor intenso e compressão pesada revelaram que dois compostos de ferro conservam hidrogênio em sua composição estrutural mesmo com quantidades mínimas de umidade nas amostras, o que esclarece a maneira como o globo terrestre conseguiu reter reservas hídricas em seu interior profundo desde as fases remotas da sua formação geológica.
Transformação de elementos químicos sob impacto de alta compressão
Para simular o ambiente hostil das zonas mais fundas do manto, a equipe de cientistas aplicou células de bigorna de diamante nos materiais examinados. O maquinário prensou as partículas entre pontas de pedra preciosa antes de disparar feixes contínuos de laser para aquecer o conjunto. O procedimento gerou as variantes minerais Fe5O12Hx e Fe7O12Hx, oxihidróxidos de ferro que prendem moléculas de água.
Essas composições sólidas surgiram no ensaio mesmo quando a presença de umidade equivalia a menos de 0,1% de todo o material analisado no início. Por possuírem densidade superior à das rochas vizinhas, tais estruturas desceram rumo ao núcleo do planeta durante o resfriamento inicial da crosta.
Caminhos do fluxo hídrico pelas camadas subterrâneas do planeta
A presença contínua de água no interior das formações rochosas facilita o deslocamento vagaroso do manto, dinamizando a movimentação constante das placas tectônicas e o processo natural de reciclagem geológica de matéria no globo terrestre.
Caso o dinamismo geológico empurre esses compostos para áreas de menor profundidade, a redução abrupta da pressão força o rompimento estrutural e causa a liberação do líquido. O vulcanismo e as plumas térmicas que sobem do fundo da Terra conseguem conduzir fração desse volume de volta até a superfície.
Resposta para a estrutura geológica observada em testes antigos
O achado laboratorial esclarece o surgimento da chamada fase H, uma conformação mineral identificada em trabalhos anteriores após pesquisadores indicarem que traços mínimos de hidrogênio gerados por umidade residual ajudaram na cristalização desse material.
O físico mineral e cristalógrafo Leonid Dubrovinsky, da Universidade de Bayreuth, afirmou que “mesmo quantidades muito pequenas de hidrogênio são suficientes para estabilizar esses compostos de ferro altamente hidratados”. A declaração confirma o papel do elemento químico na rigidez estrutural.
Questões em aberto sobre o volume do reservatório interno
Os testes em laboratório comprovam que tais oxihidróxidos resistem ao manto profundo, mas não atestam a ocorrência natural dessas rochas no núcleo da Terra. Os cientistas comprovaram a retenção de hidrogênio pelos compostos. Falta calcular a quantidade de água acumulada e o comportamento dessa reserva ao longo das eras.
A continuidade dos estudos depende da apuração de pontos centrais:
- Qual é o volume total de água que esses compostos conseguem estocar nas profundezas;
- De que maneira as rochas agem ao alcançarem a fronteira entre o manto e o núcleo externo;
- Quais condições térmicas e de pressão provocam o descarte do fluido armazenado;
- Quantos anos o ciclo geológico demora para transportar o líquido liberado até as camadas superficiais.
O geocientista Alfred Wilson, da Universidade de Leeds, afirmou que os novos minerais “representam um avanço na compreensão do mistério de como a Terra obteve e reteve sua água”. O levantamento sugere que o fluxo atinge as proximidades do núcleo, mas as medições atuais impedem calcular a dimensão desse reservatório e o peso exato dele na dinâmica hídrica global.








