A Associação de Tenistas Profissionais (ATP), órgão que administra o circuito mundial masculino de tênis, divulgou em 22 de outubro de 2026 que o programa ATP Safe Sport impediu que mais de 234 mil comentários ofensivos chegassem a jogadores e torcedores nas redes sociais. O balanço, anunciado a partir da sede da entidade em Londres, reúne os resultados do segundo ano de operação da iniciativa voltada à proteção da saúde mental dos atletas.
Os dados mostram que os tenistas enfrentam agressões frequentes fora das quadras: mais de 85% dos jogadores que registraram interações e engajamento em suas páginas pessoais foram alvos de ataques no período. “O bem-estar dos jogadores está no centro do trabalho de proteção da ATP. Impedir que mais de 234.000 comentários abusivos cheguem aos jogadores e torcedores demonstra o impacto tangível que o programa está causando todos os dias. O abuso online não tem lugar no tênis“, declarou Andrew Azzopardi, diretor de proteção da ATP, área conhecida internacionalmente pelo termo em inglês Safeguarding.
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Volume de mensagens analisadas pelo ATP Safe Sport
O monitoramento do programa utiliza ferramentas de inteligência artificial para vasculhar os canais oficiais da entidade e os perfis pessoais dos atletas em busca de xingamentos e ameaças. Quando o sistema detecta uma violação, a mensagem é bloqueada antes de ficar visível para o titular da conta e para os demais seguidores que acompanham as postagens.
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Os números apurados no relatório do segundo ano do projeto detalham o alcance da filtragem automática e da origem das mensagens:
- 3,7 milhões: total de comentários analisados nas redes sociais da ATP e dos tenistas no período;
- 284 mil: volume total de conteúdos ofensivos identificados pela ferramenta;
- 82%: proporção de mensagens abusivas removidas ou ocultadas em tempo real;
- 100 mil: quantidade de contas diferentes de onde partiram os ataques virtuais contra os atletas;
- 1.800: postagens encaminhadas para avaliação especializada de risco;
- 690: alertas automáticos de ameaças revisados diretamente por investigadores treinados.
Investigação de ameaças e ampliação do ATP Safe Sport
A operação do ATP Safe Sport ocorre por meio de uma parceria técnica entre a Tennis Data Innovations (TDI), a empresa de tecnologia esportiva Sportradar, a Social Protect e a Arwen AI. Com a integração da plataforma Social Protect ao sistema, os serviços de moderação deixaram de ser restritos ao topo da classificação e passaram a ficar disponíveis para tenistas masculinos de todos os rankings da ATP, que agora contam com cobertura ampliada de redes, alertas automáticos de ameaças e um aplicativo móvel dedicado para acompanhamento.
Nos episódios em que a triagem de inteligência artificial aponta riscos diretos à integridade física dos esportistas, o protocolo transfere a análise para uma equipe humana. Após a revisão feita pelos investigadores treinados para determinar a necessidade de medidas adicionais, os casos graves detectados no período foram enviados a autoridades policiais, judiciais e governamentais em níveis local, nacional e internacional, com o objetivo de identificar os autores das mensagens e abrir processos legais.
Comparação com o primeiro ano do ATP Safe Sport
O volume de material interceptado no relatório atual supera a marca registrada no ciclo de estreia da ferramenta. Lançado em julho de 2024, o programa ATP Safe Sport cobria inicialmente apenas os 250 melhores jogadores do ranking de simples e os 50 mais bem colocados na classificação de duplas. Naquele primeiro ano de funcionamento, cujo balanço foi divulgado em agosto de 2025, o sistema analisou mais de 3,1 milhões de comentários e ocultou mais de 162 mil mensagens com abusos graves direcionadas a 245 tenistas do circuito.
Para os próximos meses, a direção da entidade mantém o cronograma de cooperação com órgãos de segurança pública para punir os responsáveis pelos perfis agressores. “Continuaremos investindo na tecnologia, no conhecimento especializado e nas parcerias que protegem os jogadores, e continuaremos trabalhando com as autoridades para responsabilizar os culpados”, afirmou Andrew Azzopardi.
