Sistema de saúde do Amazonas entra em colapso com pandemia de coronavírus
América Latina

Sistema de saúde do Amazonas entra em colapso com pandemia de coronavírus

Por Bruno Kelly

MANAUS (Reuters) – Autoridades de Saúde do Estado do Amazonas pediram nesta quinta-feira para que a população não saia de casa, enquanto o sistema enfrenta um possível colapso após um pico nos casos do novo coronavírus que ocupou todos os ventiladores mecânicos e leitos em unidades de tratamento intensivo na região.

Os casos confirmados do vírus chegaram a 899 no Estado, sendo 800 na capital Manaus, única cidade com unidades de tratamento intensivo no Amazonas.

A diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde  (FVS-AM), Rosemary Pinto, disse que as pessoas não estão prestando atenção às orientações de distanciamento social e quarentena, que tem o objetivo de impedir o funcionamento de todas as atividades e serviços não essenciais.

“Ainda tem muita gente nas ruas”, disse a jornalistas. 

Ela deu como exemplo famílias que colocam cadeiras na rua em frente às suas casas e fazem reuniões, e as filas de pessoas aglomeradas nos bancos incluindo as com mais de 60 anos, que fazem parte do grupo de risco.

“Recomendamos que cada pessoa tenha a sua máscara, feita em casa mesmo. Devemos deixar a máscara cirúrgica e a N95 para os profissionais de saúde. Vemos ainda muita gente andando desprotegida, circulando em vários locais”.

O Ministério da Saúde reportou 141 mortes no país por causa do coronavírus nesta quinta-feira, recorde diário, elevando o número total de mortos para 941, sendo mais da metade no Estado de São Paulo.

No Amazonas, as mortes chegaram a 40 nesta quinta-feira, com os casos confirmados dobrando a cada 48 horas e chegando a 899, superando São Paulo como em número de casos para cada 100 mil habitantes.

A crise sobrecarregou os hospitais em Manaus e levou o governador a substituir o secretário de Saúde na quarta-feira.

“Os casos estão concentrados em Manaus, mas quando começar a crescer no interior vai ser catastrófico, e se chegar nas comunidades indígenas  será muito pior”, afirmou o deputado federal amazonense Marcelo Ramos (PL) à Reuters por telefone. 

Autoridades de saúde e antropólogos alertaram para o perigo da pandemia dizimar a população de cerca de 850 mil indígenas brasileiros, muitos dos quais não têm imunidade a doenças externas e vivem em residências compartilhadas, onde o distanciamento social é inviável.

Até agora, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) reportou apenas 6 casos de coronavírus entre indígenas.

Quatro deles na região ao norte do Rio Amazonas, entre o Peru e a Colômbia, um caso em Manaus e o caso de um jovem ianomami de 14 anos reportado em Roraima. Ele está numa unidade de tratamento intensivo, estável, em Boa Vista.

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