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Menos afetada pela pandemia que seus vizinhos europeus, a Alemanha tornou-se um dos primeiros países a relaxar as medidas de confinamento. Na última semana, escolas, bibliotecas, salões de beleza e outros pequenos estabelecimentos comerciais voltaram a funcionar, mas com novas regras, como o uso obrigatório de máscaras. Os alemães, no entanto, estão retornando com cautela ao que consideram um “novo normal”.

“A primeira fase da pandemia terminou, mas ainda estamos no início e temos uma longa luta contra o vírus pela frente”, alertou a chanceler Angela Merkel, após afirmar que o relaxamento das restrições só foi possível graças à estabilização da taxa de contágio e à baixa ocupação de leitos de hospitais.

“Em Berlim, as pessoas estão inseguras, mas calmas”, conta o médico otorrinolaringologista Andreas Kähne. “Meus pacientes estão muito preocupados por causa do vírus, mas seguem todas as instruções de segurança.” As novas medidas encerraram um enclausuramento de cinco semanas na cidade.

“Como não tínhamos um protocolo e não sabíamos o que ocorreria no próximo mês, havia uma tensão em todos os aspectos”, afirmou Kähne, que considera a reabertura importante por razões econômicas e psicológicas.

Morador de Berlim, o cabeleireiro brasileiro Henrique Rocha relatou um clima de tranquilidade. Em um primeiro momento, ele disse que houve “um medo até exagerado” da população. “Era tudo novo, mas os frequentes pronunciamentos das autoridades amenizaram isso. E as pessoas perceberam que o isolamento estava funcionando e ficaram mais calmas.”

Diretamente afetado pela pandemia – seu salão foi fechado em 21 de março -, Henrique se preparava para a retomada quando conversou com o Estadão e estocava máscaras e aventais que se tornariam obrigatórios no salão. Para ele, a reabertura dos pequenos negócios é positiva. “As pessoas estão precisando resolver pequenas coisas, como ir ao salão. Há necessidade de a vida aos poucos voltar ao normal”, disse. “Com a chegada da primavera e dos dias bonitos, com temperatura acima de 20 graus, as pessoas querem sair de casa.”

Também morador de Berlim, Carlos Vibrans contou ter sentido “um clima de renascimento”. “As pessoas andavam muito abatidas”, afirmou. Durante o período de isolamento, ele viu comportamentos diferentes. “Várias pessoas pareciam ignorar ou fingir que não estava acontecendo nada, enquanto outras mantinham a distância rigorosamente e regulavam os outros, como era de se esperar de alemães típicos.”

Mas, para ele, é necessário ter cautela. “Não vejo as coisas voltando ao normal tão cedo. As pessoas parecem ansiosas, mas, ao mesmo tempo, entendem que não vai ser uma volta ao normal. A Merkel disse que, se as regras não forem respeitadas, as proibições voltarão.”

A Alemanha é o sexto país do mundo com mais casos de coronavírus – 168 mil, segundo a Universidade Johns Hopkins, dos EUA. As mortes somam 7,2 mil e as pessoas recuperadas, 137 mil.

“Muita gente estava lutando com a sua quarentena e tinha medo de perder o emprego, já que muitas empresas estão tendo problemas”, relatou Martin Ritt, morador de Bielefeld. A cidade, segundo ele, estava tão silenciosa “que parecia feriado”.

Ritt teme que haja uma segunda onda de contágios se a abertura não for lenta e gradual. “Ainda não é o caso de ter grandes eventos, como futebol com torcida. Shows e festivais, como a Oktoberfest, já foram cancelados e o carnaval do ano que vem é questionável”, disse.

O Campeonato Alemão volta na semana que vem, mas sem torcida. A reabertura de cinemas, teatros e restaurantes ainda é incerta. Merkel afirmou que cada Estado deve rever as regras para retomar esses setores da economia. A maior parte da responsabilidade em levantar as restrições será dos governos locais.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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