Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

O avanço da pandemia em áreas rurais dos EUA desordenou a cadeia produtiva e vem ameaçando o abastecimento de alimentos. O excesso de oferta obriga agricultores a descartar a produção e cria uma situação paradoxal: enquanto a comida vira lixo, em alguns lugares, a fome aumenta em outras partes do país.

Segundo o Projeto Hamilton, do Brookings Institution, desde o início da pandemia, as taxas de insegurança alimentar das famílias americanas dobraram e os índices de insegurança alimentar infantil quadruplicaram. O governo tem feito o que pode. O Departamento de Agricultura envia 5 milhões de caixas de comida por semana para crianças que vivem em áreas rurais.

Muitos americanos estão recorrendo a bancos de alimentos. A Califórnia registrou um aumento de 73% na busca por organizações que distribuem comida. Desde 1.° de março, o Greater Cleveland Food Bank atendeu 15 mil novas famílias, o triplo do total do mesmo período do ano passado.

A Flórida é um reflexo da relação antagônica entre fome e produção. Nos últimos três meses, a demanda no Feeding South Florida, maior banco de alimentos do Estado, cresceu 600%. Ao mesmo tempo, o setor agrícola quebrou depois que restaurantes, hotéis, escolas e parques da Disney fecharam. Ervilhas, repolhos e tomates não foram colhidos, segundo Instituto de Agricultura da Universidade da Flórida.

Outro retrato da desordem é o exemplo da família Cranney, que planta batatas e vende a produção para a maior fabricante do mundo, a McCain Foods, no mesmo Estado de Idaho. Em março, no início da pandemia, quando os pedidos de restaurantes pararam, a McCain estocou as batatas fritas processadas em freezers. Quando eles ficaram lotados, a empresa fechou a fábrica e parou de comprar dos agricultores. Com isso, a família Cranney não conseguiu mais escoar a produção.

O problema, segundo eles, é que os americanos continuam comendo batatas fritas, mas não em restaurantes. A maioria dos produtores não consegue fornecer para supermercados, caixas de 25 quilos. “Estamos correndo para empacotar tudo em embalagens menores para tentar vender no varejo”, disse Ryan Cranney, que calcula um prejuízo de US$ 3,5 milhões.

Outro gargalo criado pela covid-19 é na indústria de carne. Matadouros e fábricas de processamento tiveram de fechar após as primeiras contaminações de funcionários. Pelo menos 30 trabalhadores de frigoríficos nos EUA morreram e outros 10 mil foram infectados, segundo o maior sindicato do setor.

Foi como se uma corda espremesse o meio da cadeia produtiva. De um lado, a carne moída não flui para as lojas de fast-food, o peito de frango não chega aos supermercados e o bacon não é distribuído para restaurantes e hotéis. Do outro, milhares de criadores não sabem o que fazer com os animais prontos para o abate. “Se eles não são mortos, ganham peso, é preciso alimentá-los e isso é caro”, disse Mary Hendrickson, da Universidade do Missouri.

Há pelo menos dois casos de criadores de porcos no Estado de Minnesota que improvisaram câmaras de gás, trancafiando os animais no celeiro lacrado e injetando monóxido de carbono. Um outro, segundo o Washington Post, atirou na cabeça dos porcos com uma arma – levou o dia todo.

O resultado é uma queda de 40% na capacidade de processamento de carne nos EUA, segundo Jayson Lusk, economista da Universidade de Purdue. No setor suíno, isso equivale a 200 mil porcos por dia que não serão abatidos – se nada mudar, o excesso pode chegar a um milhão de animais por semana.

Os problemas de distribuição já provocam escassez. A Kroger, maior rede de supermercados dos EUA, limitou a quantidade de carne moída e suína que os clientes podem comprar em algumas lojas. A Costco colocou um limite de três produtos na compra de carne bovina, aves e suínos. A Wendy’s, cadeia de fast-food, já relatou a falta de hambúrgueres em centenas de lojas que fazem entregas online. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Destaques

    Polícia descarta investigar por homicídio namorado de jovem que caiu do 7º andar

  2. Destaques

    Júnior Bauru tem Porsche cercado na Lagoa e assaltante acaba baleado no Rio de Janeiro

  3. Destaques

    Detran-RJ emite Carteira de Identificação da Mãe Atípica sem custo

  4. Receita Federal

    Saiba como será o Split Payment: reforma tributária divide imposto na hora da compra e muda rotina de empresas no Brasil

  5. Economia

    Gasolina com 35% de etanol: testes do governo avaliam mistura e mecânicos alertam para riscos em carros no Brasil

  6. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  7. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  8. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  9. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  10. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.