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Quando a primeira morte por covid-19 foi registrada nos Estados Unidos, no final de fevereiro, o país não imaginava que três meses depois 100 mil pessoas teriam perdido a vida pela pandemia. Na época, o presidente Donald Trump, afirmava que o vírus era um problema na China, mas não dos americanos, e a situação estava sob controle. Não foi o que sucedeu.

A incapacidade de organizar um sistema de testagem da população nos primeiros dois meses do ano, a negação da crise pelo presidente e a demora em implementar um programa de isolamento social são apontados como as causas que fizeram o país mais rico do mundo e responsável por centros de pesquisa de ponta chegar a 100.047 mortes ontem.

Apesar das notícias de transmissão interna do vírus no país, a vida continuava normal nos EUA até o final de semana de 15 de março. Em pleno início de ano eleitoral, os comícios com arquibancadas lotadas foram organizados tanto por democratas quanto por republicanos. As viagens internacionais continuavam normalmente – com exceção dos voos vindos da China, suspensos no início do ano – e as grandes aglomerações e eventos esportivos também.

Os 15 dias que separaram a primeira morte oficialmente contabilizada nos EUA, no Estado de Washington, da adoção de uma quarentena foram determinantes para o desfecho catastrófico. Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Columbia estima que 36 mil pessoas não teriam morrido se as medidas de isolamento social tivessem começado em 8 de março, uma semana antes do que de fato aconteceu.

No final de março, questionado pela revista Science sobre qual havia sido o erro dos americanos em colocar em prática a preparação contra pandemias, o epidemiologista e integrante da força-tarefa da Casa Branca para conter o vírus, Anthony Fauci, mencionou o problema com os testes. “Obviamente a testagem é um problema claro que precisará ser avaliado. Por que nós não fomos capazes em mobilizar isso em uma escala ampla?”, questionou Fauci.

Os EUA tiveram quase dois meses para se preparar para a pandemia, desde o aviso no início de janeiro às autoridades internas sobre o surto na China. Mas, no início do mês de março, os americanos conseguiam fazer menos de seis testes de coronavírus a cada um milhão de habitantes, enquanto a Coreia do Sul fazia quase 2 mil. Para Luciana Borio, ex-diretora para preparação médica e de biodefesa do Conselho de Segurança Nacional, que assessora a Casa Branca e ex-cientista chefe do FDA, agência reguladora de drogas e alimentos nos EUA, o país falhou em não engajar o setor privado desde o início na produção e distribuição de testes.

Ainda segundo ela, durante os últimos três anos o sistema de biodefesa americano, construído desde o governo George W. Bush, deixou de dar atenção à preparação contra epidemias e passou a concentrar as atenções aos temas de armas biológicas. “Houve uma mudança de direção. Perdemos tempo nesses três anos”, afirmou.

Ao entrevistar 50 fontes do governo e do setor privado sobre o assunto, o jornal The New York Times informou que a dificuldade de implementar os testes em larga escala passou por falhas técnicas, obstáculos regulatórios, burocracias comuns e falta de liderança em vários níveis.

Com as medidas de isolamento e ampliação da capacidade de testagem da população, todos os Estados americanos iniciaram planos de reabertura gradual do comércio e retomada das atividades nas últimas duas semanas. O número de novas infecções e hospitalizações pelo vírus caiu nacionalmente, apesar de se manter ainda preocupante em centros urbanos como Chicago e Los Angeles.

Assim como foi com o plano de isolamento, a reabertura tem sido bastante diferente entre os Estados americanos. Até agora, 17 regiões viram o número de casos aumentar desde o processo de flexibilização e as autoridades de saúde temem uma nova onda de infecções.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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