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O prefeito da cidade de Seul e provável candidato à presidência, Park Won-soon, foi encontrado morto nesta quinta-feira, 9, pela polícia da Coreia do Sul horas depois de a família reportar seu desaparecimento. Um dia antes, ele foi alvo de uma denúncia de assédio sexual. A polícia informou que está investigando a causa exata da morte, embora haja indício de suicídio.

Sua morte e a possível ligação com assédio sexual colocaram o país em choque, uma vez que Park tinha um histórico de defesa de direitos humanos, em especial das mulheres.

Como prefeito de uma cidade de quase 10 milhões de habitantes, Park era o segundo político mais influente do país, atrás apenas do presidente, Moon Jae-in, e desempenhou um papel de destaque na resposta da cidade à pandemia de coronavírus. Ele foi um dos mais agressivos líderes do país na contenção da covid-19. Seul tem apenas 1,4 mil casos confirmados da doença. Com um sistema de testagem em massa e restrições rígidas, a Coreia do Sul se tornou referência no controle da epidemia.

Park era visto como potencial candidato à presidência nas eleições de 2022. Seu primeiro mandato na capital, onde vive quase um quinto da população do país, foi como candidato independente. Ele entrou em 2012 no agora governista Partido Liberal Democrático, de centro-esquerda.

Park deixou a residência oficial por volta de 10h40 (hora local) de ontem usando um chapéu preto e uma mochila, após cancelar uma reunião. Seu desaparecimento ocorreu um dia depois de uma secretária denunciar à polícia que ele a assediava sexualmente desde 2017, segundo duas estações de TV de Seul.

Um agente da polícia relatou que o corpo de Park, de 64 anos, foi encontrado no Monte Bukak, no distrito de Jogno, norte da capital sul-coreana, perto de onde ele foi visto pela última vez depois de sair de casa. Cinco horas antes, sua filha havia relatado seu desaparecimento.

Segundo a família, ele deixou “uma carta que se assemelhava a um testamento” e tinha desligado seu celular. Cerca de 600 policiais sul-coreanos procuraram pelo prefeito, com cães farejadores e drones.

Ativista e popular. Prefeito de Seul desde 2011, Park foi considerado um crítico incansável da desigualdade de gênero e um antagonista da ex-presidente Park Geun-hye. Ele apoiou enormes manifestações contra ela em Seul, que finalmente levaram ao impeachment da então presidente sob acusações de corrupção, em 2017.

Nascido em Changyeong, na Província de Gyeongsang do Sul, ele tinha grande popularidade. Foi o único governante na história de Seul a ser reeleito para um terceiro mandato consecutivo. Antes de se tornar prefeito, Park foi um destacado advogado que fundou o grupo de direitos civis mais influente do país.

Como advogado, ele ganhou vários casos importantes, incluindo a primeira condenação por assédio sexual da Coreia do Sul. Park também fez campanha pelos direitos das chamadas “mulheres de conforto”, escravas sexuais coreanas atraídas ou forçadas a trabalhar em bordéis para o Exército japonês durante a 2.ª Guerra.

Nos anos 80, durante a ditadura militar, ele ajudou a condenar um policial que abusou de uma estudante durante interrogatório.

Nos últimos anos, o movimento #MeToo ganhou força no país. Em abril, o prefeito da segunda maior cidade da Coreia do Sul, Busan, renunciou após admitir má conduta sexual e ser acusado de agredir uma funcionária pública.

Várias mulheres apresentaram acusações de abuso sexual contra uma série de sul-coreanos importantes, incluindo diretores de teatro, políticos, professores, líderes religiosos e um ex-treinador da equipe nacional de patinação de velocidade. Muitos dos acusados pediram desculpas e renunciaram a suas posições. Vários ainda enfrentam acusações criminais. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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