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O fortalecimento do dólar, em meio a busca de investidores globais por ativos de segurança, deve amplificar a contração do comércio internacional e da atividade econômica este ano. A conclusão é resultado de um estudo divulgado nesta segunda-feira, 20, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que analisou a exposição da economia global à moeda americana.

A análise destacou que, segundo uma visão de senso comum, as empresas costumam estabelecer preços com base na moeda local. Como resultado, produtos domésticos tendem a ficar mais baratos para parceiros comerciais quando há uma desvalorização da divisa interna. No entanto, a pesquisa mostra que há “crescente evidência” de que a maior parte do comércio internacional é feito em poucas moedas, sobretudo o dólar e, em menor escala, em euro.

Por conta disso, a dominância da moeda dos Estados Unidos costuma ter efeito recessivo no comércio global. “Isso ocorre porque o enfraquecimento das moedas de outros países em relação ao dólar norte-americano leva a preços mais altos em moeda nacional de suas importações, inclusive de outros países que não os EUA, e, portanto, a uma menor demanda por eles”, destaca o documento.

O estudo ressalta também que a prevalência do dólar altera a relação entre oscilações no câmbio e o comércio. “Quando os preços de exportação são definidos em dólares ou euros, a depreciação (da moeda de) um país não torna os bens e serviços mais baratos para os compradores estrangeiros, pelo menos no curto prazo, criando pouco incentivo para aumentar a demanda”, salienta.

Nesse cenário, a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, que participou da elaboração do ensaio, explica que, apesar do movimento recente provocado pelo coronavírus, muitos países não experimentaram um “boom” de exportações. No caso de emergentes, ela destaca que a situação é ainda mais pronunciada, já que 80% do comércio desses países é feito em dólar.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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