Café arábica recua quase 4% e toca mínima de 2 meses na ICE; açúcar bruto sobe

Agricultor seleciona grãos de café arábica em Poços de Caldas (MG)

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros do café arábica negociados na ICE recuaram quase 4% nesta quinta-feira, atingindo uma mínima de dois meses, pressionados pelas perspectivas de ampla oferta da commodity.

Os futuros do açúcar bruto terminaram o dia em alta, apoiados por preocupações relacionadas ao tempo seco no Brasil e ao atraso nas exportações da Índia.

CAFÉ

* O contrato dezembro do café arábica fechou em queda de 3,9 centavos de dólar, ou 3,5%, a 1,0705 dólar por libra-peso, menor nível desde o final de julho.

* Os fundamentos gerais do café aparentam ser baixistas, embora a floração para a próxima temporada tenha começado de forma mista no Brasil, onde as temperaturas têm se mantido acima da média e as chuvas –previstas para a segunda semana de outubro– são muito necessárias.

* “O Rabobank projeta um excedente global de 7 milhões de sacas em 2020/21. No curto prazo, os preços devem se manter voláteis. No entanto, a perspectiva de superávit pode ter um impacto negativo nos preços (no longo prazo)”, disse o banco.

* As exportações de café verde do Brasil somaram 221 mil toneladas em setembro, ante 187.300 toneladas em igual período do ano passado, indicaram dados do governo.

* O café robusta para novembro recuou 17 dólares, ou 1,3%, para 1.288 dólares a tonelada.

* As exportações de robusta da província de Lampung, na Indonésia, totalizaram 19.999,9 toneladas em setembro, queda de cerca de 21% na comparação anual.

AÇÚCAR

* O contrato março do açúcar bruto fechou em alta de 0,07 centavo de dólar, ou 0,5%, a 13,58 centavos de dólar por libra-peso.

* As entregas de açúcar bruto frente ao vencimento do contrato outubro atingiram um recorde de 51.597 lotes, ou cerca de 2,62 milhões de toneladas, com praticamente todo o volume vindo do Brasil, disse a ICE.

* O grande volume da entrega emitiu sinais mistos ao mercado, segundo operadores. A cifra demonstra que os estoques de fato estão muito elevados no Brasil, mas também indica que há disposição entre as tradings para se encontrar destinos para o produto.

* O açúcar branco para dezembro recuou 0,30 dólar, ou 0,1%, para 375 dólares por tonelada.

(Reportagem de Marcelo Teixeira e Maytaal Angel)

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