Bolsas da Europa mantêm alta após rali com vacina, mas covid pesa e limita ganhos
Depois da injeção global de ânimo nos mercados com a esperança de uma vacina contra a covid-19, os mercados acionários europeus conseguem dar sequência ao movimento de alta. A preocupação com o impacto econômico da segunda onda pandêmica, porém, limita os ganhos enquanto os investidores especulam os nomes do time da gestão de Joe Biden nos Estados Unidos – mesmo que Donald Trump ainda não tenha se convencido da derrota embora já pense em 2024.
Às 7h10 (de Brasília) desta terça-feira, o pan-europeu Stoxx-600 apresentava elevação de 0,39%, aos 382,48 pontos. O índice conseguiu retomar o patamar de alta do início de março deste ano, antes do estrago da pandemia, após o forte impulso com o noticiário em torno de avanços para um imunizante contra a covid-19.
Ontem, a farmacêutica Pfizer e a empresa de biotecnologia BioNTech informaram que a vacina que desenvolvem têm eficácia de mais de 90%. Mais tarde, a Rússia também anunciou que seu imunizante conta com a mesma eficácia enquanto no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a interrupção dos estudos da vacina Coronavac, após um “evento adverso grave”, ocorrido no último dia 29.
De acordo com o holandês Rabobank, a vacina contra o coronavírus é o “mais potente estimulante” para os mercados. Embora a notícia seja “animadora”, não impedirá, na sua visão, um inverno “muito rigoroso” para a Europa, com graves consequências para a economia, que tendem a atravessar para 2021. “A Europa e os EUA continuam submersos na pandemia”, destacam Piotr Matys e Jane Foley, estrategistas de câmbio do Rabobank.
Com a grande incerteza eleitoral dissipada nos EUA, os mercados olham agora para a composição da equipe de Biden. Diversos nomes são ventilados, dentre eles, o do ex-presidente americano Barack Obama, que poderia ocupar o posto de embaixador no Reino Unido. Ontem, o democrata anunciou os integrantes de uma força-tarefa contra o covid-19 e que inclui a brasileira Luciana Borio. Dentre os desafios que o 46º presidente dos Estados Unidos terá à frente, além de lidar com a pandemia – o principal deles, estão as renegociações com a China e também a busca de um alívio com a Europa, que vai impor tarifas sobre US$ 4 bilhões em produtos americanos a partir de hoje.
Do outro lado do Canal da Mancha, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, sofreu uma derrota na Câmara dos Lordes ontem com a lei do mercado interno, a ‘Internal Market Bill’. Por 433 votos a 165, foi decidida a remoção de uma cláusula chave para dar poder aos ministros para anular partes do acordo de saída relacionadas à Irlanda do Norte no âmbito do Brexit, como é chamada o divórcio entre britânicos e europeus. Mais alterações são esperadas.
O contexto dá suporte à libra esterlina, que atingiu as máximas em dois meses frente ao dólar, motivada ainda também pela esperança de uma vacina contra o novo coronavírus. Por volta das 7h, era cotada a US$ 1,3236, de US$ 1,3171 no fim da tarde de ontem.
No mundo corporativo, os balanços do terceiro trimestre já se reduziram, mas ainda seguem no radar. Para hoje, são esperados os números da Telecom Italia, que controla a TIM no Brasil. Já os papéis da alemã Adidas devolviam ganhos e caíam 4,55% apesar do anúncio de que espera voltar a crescer as vendas na China no quarto trimestre. Ontem, suas ações foram impulsionadas pela notícia de possível venda da marca Reebok.
Na Alemanha, o índice ZEW de expectativas econômicas recuou a 39 em novembro contra previsão de 40 – em outubro estava em 56,1.
Enquanto isso, nas bolsas do Velho Continente, o tom predominante era azul, com exceção do DAX, de Frankfurt. Também às 7h10, tinha queda de 0,12%. Já o FTSE 100, de Londres, apresentava alta de 1,45% enquanto o CAC 40, de Paris, e o FTSE MIB, de Milão, tinham altas de 1,25% e 0,46%, respectivamente. No mesmo horário, em Madri, o IBEX 35 subia 2,46% e o PSI 20, de Lisboa, avançava 1,27%.
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