Economia britânica não retornou à tendência pré-pandemia, diz integrante do BoE
Integrante externa do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Catherine Mann disse, nesta sexta-feira, 21, que a economia britânica ainda não retornou à tendência pré-pandemia. Em discurso virtual, ela explicou que muitos trabalhadores ainda estão fora do mercado de trabalho.
A dirigente comentou ainda que o BC do Reino Unido está considerando as maneiras pelas quais pretende reduzir o seu balanço de ativos, embora não tenha apresentando detalhes adicionais.
Catherine Mann afirmou também que as métricas de expectativas para preços e salários apontam para um cenário de inflação alta persistente ao longo de 2022 no Reino Unido.
Em evento virtual organizado pelo Fórum Oficial das Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF, na sigla em inglês), Mann explicou que fatores globais, como gargalos de oferta, explicam a escalada inflacionária no país. Segundo ela, os dados mais recentes ainda não indicam uma estabilização. “Ainda não vemos uma inflexão para virar o impulso dos preços de volta à meta de inflação”, destacou.
A dirigente também comentou que as expectativas podem manter a inflação em alta por mais tempo. “Conseguir uma inflexão nestas expectativas, juntamente com os ventos favoráveis de fatores globais, pode significar que um caminho mais raso de aumentos futuros das taxas de juros será necessário para trazer a inflação de volta à meta”, pontuou.
A dirigente acrescentou que as incertezas comerciais no quadro subsequente ao Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia – podem exacerbar as pressões inflacionárias.
De acordo com ela, as curvas de juros nos mercados financeiros estão “muito íngremes”, o que tente a aumentar custos de empréstimos, reduzir investimentos, moderar a alta nos preços de residências e conter a atividade econômica. “O que a política monetária precisa fazer agora é moderar as expectativas de 2022 para aumentos de salários e preços para evitar que sejam integrados na tomada de decisão de empresas e consumidores”, argumentou, acrescentando que as decisões de outros bancos centrais têm efeitos internacionais e precisam ser monitoradas.
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