Análise de documentos da perícia médica do INSS pode ser dispensada?
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tomou uma medida significativa que pode agilizar o processo de aposentadoria especial: dispensar a análise documental da perícia médica. De acordo com a determinação do Ministério da Previdência Social, a análise administrativa da atividade especial agora se concentrará apenas no agente prejudicial à saúde conhecido como “ruído”.
A portaria recentemente publicada no Diário Oficial da União visa liberar os peritos para que possam realizar mais exames periciais, especialmente para concessão de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e BPC (Benefício de Prestação Continuada). Isso é uma resposta à enorme fila de espera, que atualmente possui mais de 635 mil segurados, conforme dados de setembro do Portal da Transparência.
A partir desta medida, a análise administrativa será liberada para pedidos de aposentadoria por exposição ao ruído. Isso inclui todos os novos requerimentos e aqueles que estão pendentes de análise, incluindo casos em revisão e recurso. A comprovação dessa exposição deve ser feita através do LTCAT (Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho) ou documento equivalente, acompanhado do formulário de atividade especial.
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A dispensa da perícia médica não significa uma análise irrestrita do PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) em todas as situações. A portaria estabelece que apenas alguns tipos de enquadramento permitirão a análise do PPP pelo servidor administrativo do INSS, seguindo as regras estabelecidas.
Enquanto essa medida pode ser vista como uma solução para reduzir a espera pela análise dos PPPs, alguns especialistas levantam preocupações. Francisco Eduardo Cardoso Alves, vice-presidente da ANMP (Associação Nacional de Médicos Peritos), argumenta que isso pode resultar em um aumento no número de negativas de pedidos, sobrecarregando o Judiciário com contestações.
No entanto, especialistas como a advogada Adriane Bramante, presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), veem essa medida como um avanço positivo. Ela acredita que isso pode ser um caminho para simplificar a análise dos PPPs e reduzir a fila de espera, que atualmente é de seis meses.
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A aposentadoria especial é um benefício concedido a profissionais que trabalharam expostos a agentes nocivos à saúde, como produtos químicos, radiação e ruído, por um período mínimo de 15, 20 ou 25 anos. A reforma da Previdência trouxe mudanças nesse benefício, incluindo idade mínima para novos segurados e o fim da conversão de tempo especial em comum para atividades realizadas após novembro de 2019.
As alterações na aposentadoria especial estão atualmente em discussão no STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto projetos de lei no Congresso buscam garantir regras mais vantajosas para esse tipo de benefício.

















