Dólar Oscila Perto da Estabilidade em Sessão de Cautela Antes de Dados Econômicos dos EUA
O dólar começou a sessão desta quinta-feira (15) praticamente estável, refletindo a cautela dos investidores antes da divulgação de importantes dados econômicos nos Estados Unidos. Às 9h04, a moeda norte-americana registrava uma leve queda de 0,08%, sendo cotada a R$ 5,4649. Na sessão anterior, a moeda fechou em alta de 0,37%, a R$ 5,469, enquanto o Ibovespa avançou 0,69%, alcançando 133.317 pontos, o maior patamar desde dezembro de 2023.
O movimento de quarta-feira foi influenciado pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que é um indicador-chave para as expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve (Fed). O CPI subiu 0,2% em julho, em linha com as previsões dos analistas, e registrou alta de 2,9% em 12 meses, uma leve queda em relação aos 3,0% observados na leitura anterior. Esses dados reforçam a percepção de que a inflação nos EUA está desacelerando gradualmente, o que afastou, por ora, os temores de recessão que impactaram os mercados globais na semana passada.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o cenário aponta para um “pouso suave” da economia norte-americana, sem a necessidade de uma recessão profunda. As atenções agora se voltam para a próxima reunião do Fed, em setembro, com apostas crescentes de que a autoridade monetária possa iniciar um ciclo de afrouxamento na taxa de juros, que atualmente está entre 5,25% e 5,50%. A expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual, o que poderia enfraquecer o dólar frente a outras moedas, tornando os títulos do Tesouro dos EUA menos atrativos.
No entanto, a percepção de que o Fed optará por um corte mais moderado interrompeu a sequência de valorização do real, que vinha de seis altas consecutivas. Antes da divulgação do CPI, havia especulações sobre um corte maior, de 0,5 ponto percentual, o que teria um impacto mais significativo nas moedas emergentes.
Impactos Externos e Cenário Doméstico
Além dos dados dos EUA, o mercado também foi influenciado pelo desempenho da economia chinesa. Os contratos futuros de minério de ferro caíram abaixo dos US$ 100 na Bolsa de Dalian, registrando perdas superiores a 3%. Segundo André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, o temor de que a economia chinesa cresça em um ritmo mais lento tem pressionado a demanda global por commodities, especialmente as ligadas ao ciclo econômico, o que impacta diretamente mercados emergentes como o Brasil.
No cenário interno, as atenções permanecem voltadas para as expectativas em torno da taxa Selic. Em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a prioridade é manter a taxa de juros em um nível que permita a convergência da inflação para a meta, que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA de julho registrou uma alta anual de 4,5%, exatamente no limite superior da meta.
Gabriel Galípolo, diretor de política monetária do BC e apontado como favorito para suceder Campos Neto, afirmou recentemente que a possibilidade de um novo aumento de juros ainda está em discussão, apesar de alguns agentes do mercado terem minimizado essa perspectiva após a última reunião do Copom.
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