Policial envolvido com tráfico já foi homenageado por “exemplar desempenho”Por Carolina Costa
3 min de leitura
![]() |
Dois policiais civis foram presos nesta terça-feira (3/9) sob a acusação de participação em um esquema de corrupção vinculado ao tráfico internacional de drogas. Entre os detidos, Valdenir Paulo de Almeida, de 57 anos, já havia sido elogiado oficialmente pela Delegacia Geral da Polícia Civil de São Paulo por sua dedicação ao trabalho.
Histórico de Valdenir Paulo de Almeida
Em 2015, Valdenir estava lotado na 6ª Delegacia de Investigações Sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro, pertencente ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Naquele ano, ele participou de uma operação conjunta com a Polícia Civil de Sergipe, que resultou no desmantelamento de uma organização criminosa envolvida em roubo de veículos, adulteração de sinais identificadores e falsificação de documentos no Detran.
Pelo trabalho realizado, Valdenir e outros três policiais civis receberam uma menção honrosa, com destaque no Diário Oficial. A publicação reconhecia a “extraordinária dedicação havida no cumprimento do dever” dos envolvidos, incluindo Valdenir, que à época foi exaltado por sua atuação eficaz.
Operação Face Off: A queda
Na última terça-feira, Valdenir Paulo de Almeida e Valmir Pinheiro, de 58 anos, foram presos preventivamente durante a Operação Face Off. A ação foi coordenada pela Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado (Ficco-SP) em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Além dos policiais, outros dois indivíduos já condenados por crimes anteriores, André Roberto Silva e João Carlos Camisa Nova Júnior, também tiveram suas prisões preventivas decretadas.
O objetivo da operação foi desmantelar um esquema de corrupção que envolvia subornos pagos por traficantes internacionais a policiais civis paulistas. As investigações revelaram que os criminosos teriam oferecido R$ 800 mil a cada policial envolvido para que estes engavetassem investigações sobre o tráfico de drogas. Os pagamentos teriam ocorrido em 2020 e se estendido até junho de 2021, interrompendo inquéritos do Departamento de Narcóticos (Denarc).
Detalhes das investigações
A Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, além dos quatro mandados de prisão, na capital paulista e em Arujá, na região metropolitana. Como parte das medidas, foi determinado o bloqueio de R$ 15 milhões, totalizando os valores presentes nas contas bancárias dos suspeitos.
Os advogados ligados à organização criminosa também foram alvos de mandados de busca e apreensão, sendo apontados como intermediários nos pagamentos feitos aos policiais. Esses pagamentos teriam levado ao arquivamento de diversas apurações e à suspensão de inquéritos relevantes no combate ao narcotráfico.
Um policial que participou da operação, sob condição de anonimato, comentou que as prisões preventivas indicam a gravidade das acusações e a força das evidências reunidas contra os envolvidos. Ele destacou ainda que os policiais detidos mantinham uma postura discreta, sem levantar suspeitas públicas, o que os tornava ainda mais perigosos.
Armas apreendidas e procedimentos legais
As armas de Valdenir e Valmir foram apreendidas, e ambos foram submetidos a uma audiência de custódia na tarde de terça-feira. A defesa dos acusados não foi encontrada para comentar as prisões, mas o espaço permanece aberto para manifestações futuras.
A prisão desses policiais marca um episódio chocante na luta contra o crime organizado no Brasil, destacando a complexidade e a profundidade da corrupção dentro das forças de segurança.







