O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou nesta quarta-feira, 11 de setembro de 2024, que o governo federal está considerando o retorno do horário de verão. A medida, extinta em abril de 2019 durante a administração de Jair Bolsonaro, volta a ser discutida devido à possível necessidade de aumentar a confiabilidade do sistema elétrico do país.
O que está em análise?
Ainda sem uma decisão oficial, a volta do horário de verão é analisada pelo governo com foco principal no impacto sobre o consumo de energia. O objetivo seria reduzir a demanda nos horários de pico, aliviando a pressão sobre o sistema elétrico, especialmente em momentos de maior utilização de fontes energéticas mais caras.
Essa medida, quando aplicada no passado, adiantava os relógios em uma hora durante os meses de verão. O intuito era aproveitar melhor a iluminação natural, o que diminuía o consumo de eletricidade nas primeiras horas da noite.
Impactos além do consumo de energia
Segundo Alexandre Silveira, além da questão energética, outros aspectos estão sendo considerados no estudo sobre a reintrodução do horário de verão. Um dos pontos levantados pelo ministro foi o impacto positivo na economia, principalmente no setor de turismo. Com dias mais longos, o comércio e o turismo em geral podem se beneficiar, atraindo mais visitantes e movimentando a economia local em várias regiões do país.
A equipe técnica do Ministério de Minas e Energia também analisa como o uso de equipamentos como o ar-condicionado tem influenciado o consumo de energia nos últimos anos. Durante o governo Bolsonaro, foi apontado que o aumento do uso desses equipamentos anulou parcialmente os benefícios da economia de energia proporcionados pelo horário de verão.
Histórico da extinção do horário de verão
A política de horário de verão foi oficialmente extinta em 2019 após estudos conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia, que apontaram uma redução na economia de energia. Com o passar dos anos, o uso mais intensivo de aparelhos de climatização, como ar-condicionado e ventiladores, passou a neutralizar os efeitos positivos da medida. A conclusão foi que os benefícios em termos de economia energética haviam diminuído consideravelmente, o que levou à sua suspensão.
Entre os anos de 1985 e 2019, o Brasil aplicou o horário de verão de forma regular, com algumas alterações no período de duração ao longo das décadas. A justificativa sempre foi a de reduzir o consumo de energia nos horários de maior demanda, especialmente nas regiões mais populosas do país.
O que mudou no consumo de energia nos últimos anos?
Desde a extinção do horário de verão, o Brasil passou por transformações importantes em seu padrão de consumo de energia. Com o aumento da temperatura média nas cidades brasileiras e a crescente acessibilidade a aparelhos de ar-condicionado, o perfil de demanda energética nos meses mais quentes mudou.
Em um cenário onde a utilização de ar-condicionado se tornou mais comum, a demanda energética se intensificou justamente nos períodos de calor mais forte, que coincidem com o horário de verão. Esse fator levou o governo Bolsonaro, em 2019, a concluir que o benefício econômico do horário especial não era mais expressivo o suficiente para justificar sua manutenção.
No entanto, com a crescente preocupação com a segurança energética e o aumento da capacidade de produção de energia de fontes renováveis, o governo atual vê uma oportunidade para reavaliar a medida.
O impacto no turismo e na economia
O ministro Alexandre Silveira também ressaltou que a possível volta do horário de verão pode trazer vantagens econômicas que vão além da simples economia de energia. Em especial, o setor de turismo pode ser amplamente beneficiado pela maior movimentação de turistas durante os dias mais longos. Em áreas turísticas como praias e regiões montanhosas, o horário de verão tradicionalmente atrai um maior fluxo de visitantes, que aproveitam o dia prolongado para atividades de lazer.
Além do turismo, setores como o comércio e a alimentação também se beneficiam com a extensão das horas de luz natural. Cidades que têm forte apelo turístico podem ver um aumento no número de visitantes, o que estimula a economia local.
Próximos passos na avaliação
O governo federal ainda está na fase de avaliação dos benefícios e impactos de um possível retorno do horário de verão. Embora não tenha sido estabelecido um prazo para a conclusão desse estudo, o ministro indicou que a decisão levará em consideração uma ampla gama de fatores, incluindo não apenas a economia de energia, mas também o impacto na vida das pessoas e nos diferentes setores econômicos.
Nos próximos meses, serão realizadas reuniões com técnicos e especialistas em energia para determinar se a adoção do horário de verão traria benefícios práticos e econômicos significativos.
Desafios para o retorno da medida
Embora a reintrodução do horário de verão possa parecer uma solução para problemas de energia e economia, a medida também enfrenta alguns desafios. Um dos principais obstáculos é a aceitação por parte da população. Muitas pessoas, especialmente aquelas que vivem em áreas onde o calor é mais intenso, relataram desconforto com a mudança de horário. A necessidade de acordar mais cedo durante os meses de verão foi motivo de reclamações em várias regiões, o que pode gerar resistência ao retorno da medida.
Outro ponto é a atual configuração do sistema elétrico brasileiro. O aumento da participação de fontes renováveis de energia, como a solar e a eólica, abre novas possibilidades para a gestão da demanda energética. Com mais opções de fontes energéticas disponíveis, o impacto da adoção do horário de verão pode ser menor do que em décadas passadas.
A possível volta do horário de verão ainda está em fase de análise, e o governo promete uma avaliação criteriosa antes de tomar uma decisão definitiva. O foco principal continua sendo garantir a confiabilidade do sistema elétrico, mas o governo também está atento aos efeitos secundários que a medida pode ter na economia e no bem-estar da população.
A expectativa é que, até o final de 2024, seja apresentada uma conclusão com base nos estudos e análises conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia. Caso a medida seja reintroduzida, o Brasil pode ver um retorno à prática que marcou as décadas anteriores e que, por muito tempo, foi sinônimo de economia e eficiência energética no país.

