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O atacante do Atlético Mineiro, Givanildo Vieira de Souza, mais conhecido como Hulk, completou recentemente 20 anos de carreira profissional. Em entrevista exclusiva, ele revisitou momentos marcantes de sua trajetória, que começou aos 12 anos, quando saiu de Campina Grande, na Paraíba, para seguir o sonho de se tornar jogador de futebol. A jornada, que inclui passagens por diversos países e clubes de renome, é marcada tanto por conquistas quanto por desafios, como episódios de racismo e o traumático 7×1 sofrido pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014.

Superação e reconhecimento internacional

Com uma carreira consolidada, Hulk acumula títulos importantes em sua passagem pela Europa e Ásia. Foi no Japão que deu seus primeiros passos como profissional aos 18 anos, antes de seguir para Portugal, Rússia e China. O jogador se tornou ídolo do Porto, onde conquistou quatro títulos da Liga Portuguesa e teve seu nome eternizado com uma estátua no museu do clube, algo raríssimo para um atleta ainda em atividade. “Foi um reconhecimento que eu não esperava. Fico muito honrado com isso, pois mostra o respeito e o carinho que o clube e os torcedores têm por mim”, afirmou Hulk em sua entrevista.

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O retorno ao Brasil e o sucesso no Atlético-MG

Depois de 16 anos atuando fora do Brasil, Hulk retornou ao país em 2021 para defender o Atlético Mineiro. A decisão de voltar foi influenciada principalmente pela sua família. “Eu fiquei muito tempo longe dos meus filhos e da minha família. Quando terminei meu contrato na China, decidi que era hora de voltar”, relembra o jogador. Em pouco tempo, Hulk se tornou um dos maiores ídolos do Galo. Sua primeira temporada foi inesquecível: ajudou o clube a conquistar o Campeonato Brasileiro após um jejum de 50 anos, além de levantar os troféus da Copa do Brasil e do Campeonato Mineiro.

Hulk, que marcou 36 gols naquela temporada, também conquistou a torcida com sua garra e entrega em campo. Os gritos de “Hulk, Hulk, Hulk” ecoam em todos os jogos do Atlético, demonstrando o quanto o jogador é querido pela torcida. “Quando ouço isso, é como se eu estivesse ouvindo um combustível que me empurra a dar o meu melhor. A identificação com o clube e com a torcida é algo que vai além do futebol”, declarou o atleta.

Polêmicas com a arbitragem e a possível saída do clube

Apesar do sucesso, a relação de Hulk com o futebol brasileiro também tem sido marcada por polêmicas, especialmente com a arbitragem. O jogador não esconde seu descontentamento com a forma como é tratado pelos árbitros no Brasil. “Eu não uso a palavra perseguição, mas me sinto desrespeitado. Na Europa, os árbitros se impõem e conversam, mas aqui, muitas vezes, nem olham na sua cara”, criticou Hulk, ressaltando que esse tipo de comportamento não é visto em ligas como a Liga dos Campeões.

A insatisfação com a arbitragem chegou a tal ponto que, no final de 2023, Hulk cogitou deixar o Atlético-MG. “Cheguei a levar uma proposta da Arábia para o Rodrigo Caetano (diretor de futebol do Atlético). Eu estava cansado, pensei em sair, mas ele me acalmou e me lembrou que minha filha estava para nascer. No fim, resolvi ficar”, revelou o jogador.

Bastidores do fatídico 7×1

Outro momento marcante de sua carreira foi sua participação na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Hulk estava em campo no Mineirão quando a Seleção Brasileira foi derrotada por 7 a 1 pela Alemanha, em uma das partidas mais dolorosas da história do futebol brasileiro. O jogador relembrou os bastidores daquele jogo e o impacto emocional que teve sobre o time. “No intervalo, estávamos perdendo por 5 a 0, e a sensação era de que estávamos em um pesadelo. O Felipão (então técnico da Seleção) pediu que voltássemos para tentar minimizar o estrago, mas foi muito difícil. No final do jogo, estávamos todos chorando, ninguém queria pegar o celular”, confessou Hulk.

Esse episódio ainda é pouco comentado pelos jogadores que participaram daquela Copa, mas Hulk deixou claro que foi o pior momento de sua carreira. “Foi o pior dia da minha vida como profissional. Até hoje, é difícil entender o que aconteceu naquela partida”, afirmou o atacante.

Racismo na Rússia e superação

Hulk também enfrentou momentos difíceis em sua passagem pela Europa, especialmente na Rússia, onde jogou pelo Zenit. O atacante foi alvo de racismo por parte das torcidas adversárias, algo que, segundo ele, o afetou profundamente. “No início, eu sofria bastante com isso. As torcidas faziam cânticos racistas, e era uma novidade para mim, pois eu não sabia como lidar. Depois de um tempo, comecei a responder com beijos e risadas, e isso me ajudou a não deixar que me abalasse tanto”, relatou.

Apesar das dificuldades, Hulk foi um dos principais jogadores do Zenit, onde conquistou vários títulos, incluindo a Liga Russa e a Supertaça da Rússia. O atacante destacou a importância de aprender a lidar com situações adversas para continuar focado no futebol. “Você tem que aprender a ignorar esse tipo de comportamento e seguir em frente, porque o mais importante é o que você faz dentro de campo”, aconselhou.

Hulk pai: A relação com os filhos e a família

Fora de campo, Hulk é pai de cinco filhos: Yan, Thiago, Alice, Zaya e Aisha. Apesar da agenda apertada, ele faz questão de estar presente na vida deles. “Procuro ser o mais amigo possível dos meus filhos, sempre converso muito com eles. Mesmo os mais velhos, que não moram comigo, estamos sempre em contato. O importante é manter uma relação de confiança e proximidade”, disse o jogador.

Yan e Thiago, seus dois filhos mais velhos, estão seguindo os passos do pai no futebol. Hulk tenta transmitir a eles o que aprendeu ao longo de sua carreira, principalmente sobre a importância da dedicação. “Eu sempre digo a eles que ser jogador de futebol não é só talento, é preciso muita dedicação. Eles têm uma vida mais confortável do que eu tive, mas eu sempre os incentivo a terem mais vontade e se dedicarem mais do que os outros”, comentou Hulk.

Planos para o futuro e o desejo de ganhar a Libertadores

Aos 38 anos, Hulk já começa a pensar no futuro pós-carreira. O atacante revelou que tem o desejo de estudar e se preparar melhor antes de decidir seus próximos passos. “O pessoal do Galo já falou sobre a possibilidade de eu continuar no clube em outra função, mas eu pedi calma. Quando eu parar, quero tirar um tempo para a minha família, descansar e depois pensar no que quero fazer. Com certeza o futebol ainda estará nos meus planos”, afirmou.

Entre seus sonhos como jogador, Hulk destaca a vontade de conquistar a Copa Libertadores da América. O Atlético-MG, que chegou perto de vencer a competição em 2023, segue na disputa pelo título, e o jogador está focado em ajudar o clube a alcançar essa conquista. “A Libertadores é uma obsessão, não só minha, mas de todo o elenco. Já batemos na trave algumas vezes, mas acredito que temos condições de vencer este ano”, declarou confiante.

O impacto de Hulk no futebol brasileiro e sua contribuição ao Galo

A chegada de Hulk ao futebol brasileiro não trouxe apenas mais qualidade técnica ao Atlético-MG, mas também elevou o nível de competitividade da equipe. Sua liderança em campo e experiência internacional são aspectos que contribuíram diretamente para o sucesso do Galo nos últimos anos. Desde que chegou ao clube, Hulk conquistou sete títulos, sendo o Campeonato Brasileiro de 2021 o mais significativo para ele.

O jogador também falou sobre a estrutura do Atlético-MG, comparando-a aos clubes europeus pelos quais passou. “O Atlético está muito bem organizado. A estrutura do clube é de altíssimo nível e não deixa nada a desejar em relação aos grandes times europeus”, elogiou Hulk, demonstrando seu carinho pela equipe mineira.

Com uma carreira marcada por desafios e conquistas, Hulk se tornou um dos principais jogadores da história recente do futebol brasileiro. Seu legado vai além dos títulos e gols; é também uma história de superação, resiliência e dedicação, que serve de exemplo para as próximas gerações.

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