Pablo Marçal afirma que não havia necessidade de ambulância após agressão de Datena em debate, chamando a situação de “cena” feita por adversários
O candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) afirmou que a ambulância que o levou ao Hospital Sírio-Libanês, após ser agredido com uma cadeirada por José Luiz Datena (PSDB) durante o debate na TV Cultura, não era necessária. Em vídeo gravado em evento na quarta-feira (18), Marçal declarou a apoiadores que “não precisava da ambulância” e que a situação foi dramatizada por “esse povo aí”, referindo-se aos seus adversários políticos.
Declaração de Marçal em evento
O vídeo, que circulou nas redes sociais, foi gravado em uma pizzaria no Jardim Europa, na Zona Oeste da capital paulista, e mostra Marçal conversando com apoiadores. Ele criticou a atenção dada à cadeirada que recebeu de Datena e sugeriu que poderia ter ido ao hospital “correndo”. Marçal minimizou a agressão, dizendo que o mais difícil seria lidar com os ataques políticos frequentes. “Eu tomo mais dez dessas por semana se for o caso, mas não arrego”, afirmou ele, reforçando que poderia ter se defendido, mas optou por não revidar para “mostrar” a situação ao público.
O candidato, que também é ex-coach, ainda comentou que não se abalou pela agressão física e que o verdadeiro desafio seria enfrentar os “golpes” políticos que tem sofrido ao longo da campanha.
Imagem de Marçal na ambulância
No momento imediatamente após o debate, imagens divulgadas pela equipe de Marçal mostraram o candidato em uma ambulância, de olhos fechados e usando uma máscara de oxigênio, o que contrastou com suas recentes declarações de que a situação não exigia uma resposta médica tão imediata.
O g1 tentou contato com a campanha do candidato, mas até o momento não houve um novo posicionamento sobre a polêmica declaração.
Impacto nas pesquisas eleitorais
O episódio da cadeirada de Datena repercutiu rapidamente nas redes sociais e nos veículos de imprensa. Pesquisas eleitorais indicam que o incidente pode ter influenciado as intenções de voto para Marçal. A pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (18), captou o impacto nas intenções de voto em Marçal, que caiu de 23% para 20% após o debate. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 17 de setembro, coincidindo com o período da agressão.
Outro levantamento, o Datafolha, também registrou efeitos adversos para o candidato do PRTB. Embora Marçal tenha mantido 19% das intenções de voto, sua rejeição aumentou de 44% para 47%, sugerindo que o episódio afetou a percepção pública sobre sua candidatura.
Agressão no debate da TV Cultura
A confusão no debate da TV Cultura ocorreu no domingo (15), quando Pablo Marçal questionou José Luiz Datena sobre sua candidatura, perguntando quando ele “pararia com a palhaçada” e retiraria sua candidatura. Marçal ainda citou uma denúncia de assédio sexual envolvendo o apresentador. A provocação fez com que Datena reagisse agressivamente, acertando uma cadeirada em Marçal no palco do debate.
Marçal foi levado imediatamente ao Hospital Sírio-Libanês, onde passou a noite em observação. No dia seguinte, ele foi visto com o braço imobilizado e, de acordo com o boletim médico, sofreu traumatismos no tórax e no punho direito, sem maiores complicações. Apesar da agressão, o candidato recebeu alta na segunda-feira (16) e seguiu direto ao Instituto Médico Legal (IML), onde realizou exame de corpo de delito.
Boletim de ocorrência e investigação
Após o debate, a equipe jurídica de Pablo Marçal registrou um boletim de ocorrência contra Datena no 78º Distrito Policial, nos Jardins, acusando-o de lesão corporal e injúria. O caso ainda está em fase de investigação, e o desdobramento legal da agressão pode afetar a campanha de Datena, que concorre pela Prefeitura de São Paulo pelo PSDB.
Datena, por sua vez, não se manifestou diretamente sobre o ocorrido após o debate, e sua equipe jurídica ainda não forneceu uma declaração oficial sobre o caso.
Repercussão no cenário eleitoral
O incidente entre Marçal e Datena trouxe grande atenção para a corrida eleitoral em São Paulo. As eleições municipais têm sido marcadas por tensões acirradas entre os candidatos, e o confronto físico no debate exacerbou as divisões. Embora Marçal tenha tentado minimizar o impacto da agressão, suas declarações recentes mostram que o episódio pode continuar a influenciar o desenrolar da campanha.
Além disso, o aumento da rejeição de Marçal nas pesquisas sugere que, embora o candidato tenha mantido parte de seu eleitorado, a imagem de “vítima da cadeirada” não foi suficiente para reverter os danos à sua candidatura. Por outro lado, a agressão também trouxe críticas a Datena, que precisará lidar com as consequências legais e eleitorais de sua reação explosiva durante o debate.
O que esperar nos próximos dias
Com o aumento da tensão entre os candidatos e o acirramento da disputa política, os próximos dias da campanha eleitoral em São Paulo prometem ser decisivos. O incidente da cadeirada e os debates subsequentes podem redefinir a dinâmica eleitoral, com os candidatos tentando consolidar suas posições e reconquistar a confiança dos eleitores.
Marçal, que ainda enfrenta desafios para se destacar em uma corrida dominada por nomes mais tradicionais, terá que lidar não apenas com os ataques de seus adversários, mas também com as repercussões de sua reação ao episódio com Datena. Enquanto isso, o apresentador do PSDB, conhecido por seu estilo direto e sem rodeios, também precisará administrar os impactos do episódio em sua própria campanha.

