Nova pesquisa Quaest para as eleições de 2026: Lula consolida liderança contra Flávio Bolsonaro no segundo turno

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. — Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. — Ricardo Stuckert/ Presidência da República

O novo levantamento do instituto Quaest, publicado nesta quarta-feira (10), revela que o atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assumiu a dianteira com 44% da preferência do eleitorado em um eventual confronto de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 38%. O distanciamento entre os dois políticos, que anteriormente configurava um cenário de indefinição estatística, sofreu um alargamento significativo nesta rodada.

Durante a sondagem realizada no mês de maio, o petista contabilizava 42% dos apoios, enquanto o parlamentar carioca detinha 41%. O panorama de abril exibia o filho do ex-presidente numericamente à frente, com 42% contra 40% do atual mandatário, sendo que em março o quadro era de absoluta igualdade, com ambos registrando 41% das intenções.

Os dados atuais evidenciam uma ruptura na estabilidade que predominava desde o terceiro mês do ano, consolidando agora uma frente de seis pontos percentuais em favor de Lula na disputa direta pelo Palácio do Planalto.

Apesar do distanciamento recente, o embate se mostra consideravelmente mais acirrado do que o registrado no começo da série histórica da Quaest, em agosto de 2025, momento em que o líder petista ostentava dezesseis pontos de frente. Essa margem encolheu para dez pontos em dezembro do mesmo ano, coincidindo com a época em que Flávio Bolsonaro oficializou sua intenção de concorrer à presidência.

A rodada de junho representa a primeira medição do instituto a capturar o sentimento popular frente a episódios recentes de grande repercussão, incluindo o vazamento de conversas entre o senador do PL e o banqueiro Daniel Vorcaro — investigado e detido por esquemas financeiros —, além das severas sanções econômicas recém-impostas pela administração de Donald Trump que impactam diretamente a balança comercial nacional.

De acordo com a avaliação de Felipe Nunes, executivo principal da Quaest, a transição mais aguda ocorreu na parcela do eleitorado sem alinhamento fixo, que migrou seu apoio do parlamentar de direita para o atual presidente.

Esse bloco de votantes compõe aproximadamente um terço do total de cidadãos aptos a votar e possui potencial para definir o resultado das urnas. Os chamados independentes caracterizam-se por rejeitar rótulos ideológicos tradicionais, não se declarando alinhados à direita, à esquerda, ao bolsonarismo ou ao lulismo.

Dentro dessa fatia demográfica, a preferência por Lula saltou de 29% para 37%, garantindo-lhe a liderança no segmento. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro sofreu um revés ao recuar de 31% para 24%, distante do seu pico de 33% registrado em abril. Há ainda uma parcela de 30% desses eleitores não alinhados que afirma rejeitar ambos os candidatos em uma eventual rodada final.

O estudo também detectou um avanço na aprovação da gestão federal, movimento que os pesquisadores associam à implementação de políticas públicas recentes, com destaque para a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e os desdobramentos do programa Desenrola, criado para renegociar dívidas de famílias inadimplentes.

O diretor da empresa de pesquisa destaca um movimento de retração de Flávio Bolsonaro entre os conservadores que não se identificam com o núcleo duro do bolsonarismo. Nesse recorte específico, o representante do Partido Liberal, que ostentava 90% de apoio em abril, agora contabiliza 82%.

Nunes explica que, apesar dessa desidratação do senador, as demais figuras do espectro conservador não conseguem capitalizar os votos a ponto de se tornarem ameaças maiores ao atual presidente. Ele exemplifica com o caso de Romeu Zema, que apresentou queda no último mês e permanece dez pontos atrás do petista.

Impacto do escândalo financeiro e sanções americanas

A análise da direção da Quaest aponta que a deterioração dos números de Flávio Bolsonaro possui correlação direta com a resposta da sociedade à exposição de seus diálogos com o empresário Daniel Vorcaro.

  • A maior parcela dos entrevistados (65%) julga como inadequada a conduta de Flávio ao solicitar aportes financeiros a Vorcaro para viabilizar o documentário “Dark Horse”, focado na trajetória de Jair Bolsonaro.
  • Para 58% dos consultados, existe a possibilidade de o senador possuir vínculos ilícitos com as operações do Banco Master.
  • Um grupo de 62% tem a convicção de que o parlamentar sabia previamente do envolvimento do banqueiro em esquemas de desvio de recursos.
  • A proporção de cidadãos que avalia que o escândalo da instituição financeira causa danos severos à imagem da família Bolsonaro saltou de 9% para 16%.

O instituto também mensurou a percepção pública sobre as recentes diretrizes de Donald Trump voltadas ao território brasileiro. No que tange à rotulação de organizações criminosas locais como grupos terroristas — medida rechaçada por Lula e apoiada por Flávio Bolsonaro —, a sociedade encontra-se fraturada: 45% apoiam a iniciativa e 45% são contrários. No entanto, 60% defendem que essa prerrogativa de classificação deveria caber exclusivamente às autoridades do Brasil.

Os dados revelam ainda que 53% das pessoas ouvidas projetam que as retaliações comerciais estabelecidas pelo governo Trump trarão prejuízos significativos para o setor corporativo e bancário do país.

A respeito das novas taxas alfandegárias comunicadas pela Casa Branca, 47% concordam com a tese de Lula, que aponta influência direta de Flávio na formulação da medida. Paralelamente, 46% avaliam que Washington está penalizando o mercado nacional devido ao sucesso do sistema PIX, enquanto 36% enxergam a ação como uma resposta direta às declarações críticas do chefe de Estado brasileiro contra a administração americana.

A pesquisa, financiada pela Genial Investimentos, escutou 2.004 cidadãos a partir de 16 anos, no período compreendido entre 5 e 8 de junho. O índice de confiabilidade é de 95%, com margem de erro estipulada em dois pontos percentuais para mais ou para menos, estando o levantamento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07661/2026.

Simulações de segundo turno apontam crescimento de outros candidatos

O relatório da Quaest também submeteu aos entrevistados cenários alternativos para a rodada final do pleito, colocando o atual presidente em disputas diretas contra Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

O avanço do idealizador do Movimento Brasil Livre (MBL) e postulante pelo partido Missão, Renan Santos, chamou a atenção de Felipe Nunes. O especialista pontua que o pré-candidato vem registrando viés de alta nas projeções de confronto direto, alcançando a marca de 31%, o que representa seu ápice em todo o histórico da pesquisa, embora ainda se mostre menos viável eleitoralmente do que o filho do ex-presidente.

Projeção de confronto entre Lula e Renan Santos (junho de 2026):

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 45% (estável em relação aos 45% de maio; marcava 44% em abril, 43% em março, 44% em fevereiro e 46% em janeiro);
  • Renan Santos (Missão): 31% (avanço ante os 28% de maio, 24% em abril, 24% em março, 25% em fevereiro e 26% em janeiro);
  • Eleitores indecisos: 4% (representavam 5% em maio, 5% em abril, 3% em março, 4% em fevereiro e 4% em janeiro);
  • Votos em branco, nulos ou abstenções: 20% (eram 22% em maio, 27% em abril, 30% em março, 27% em fevereiro e 24% em janeiro).

Projeção de confronto entre Lula e Romeu Zema (junho de 2026):

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 45% (crescimento ante os 44% de maio, 43% em abril, 44% em março, 43% em fevereiro e 46% em janeiro);
  • Romeu Zema (Novo): 35% (recuo frente aos 37% de maio; registrava 36% em abril, 34% em março, 32% em fevereiro e 31% em janeiro);
  • Eleitores indecisos: 3% (representavam 4% em maio, 4% em abril, 4% em março, 4% em fevereiro e 4% em janeiro);
  • Votos em branco, nulos ou abstenções: 17% (eram 15% em maio, 17% em abril, 19% em março, 21% em fevereiro e 19% em janeiro).

Projeção de confronto entre Lula e Ronaldo Caiado (junho de 2026):

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 45% (crescimento ante os 44% de maio, 43% em abril, 44% em março, 42% em fevereiro e 44% em janeiro);
  • Ronaldo Caiado (PSD): 34% (recuo frente aos 35% de maio; registrava 35% em abril, 32% em março, 32% em fevereiro e 33% em janeiro);
  • Eleitores indecisos: 4% (representavam 4% em maio, 4% em abril, 3% em março, 4% em fevereiro e 4% em janeiro);
  • Votos em branco, nulos ou abstenções: 16% (eram 17% em maio, 18% em abril, 21% em março, 22% em fevereiro e 19% em janeiro).
Veja Também