PM realiza ação para desocupar UERJ após 56 dias de ocupação estudantilPor Bruna
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Na tarde desta sexta-feira, a Polícia Militar entrou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) para cumprir uma ordem de reintegração de posse, após 56 dias de ocupação por parte de estudantes. A ocupação teve início como um protesto contra os cortes de bolsas estudantis e mudanças na assistência estudantil da universidade, especialmente afetando os alunos mais vulneráveis. A ação policial foi autorizada pela Justiça, que permitiu o uso de força para desocupar o Pavilhão João Lyra Filho, o principal prédio do campus Maracanã.
A ocupação começou no final de julho, quando os estudantes bloquearam acessos ao prédio com cadeiras e bancos, exigindo a reversão de decisões administrativas que cortaram 1.400 bolsas de vulnerabilidade social. Nos últimos dias, a situação escalou, levando à necessidade de intervenção policial após diversas tentativas de negociação entre a reitoria e os ocupantes falharem.
A origem da crise: os cortes de bolsas
O conflito começou em agosto de 2024, quando a universidade anunciou que as bolsas de assistência, criadas durante a pandemia, seriam cortadas ou modificadas. Estudantes alegaram que os cortes foram implementados sem aviso prévio e sem consideração pelas condições econômicas dos beneficiados, que dependiam dessas bolsas para garantir sua permanência nos estudos. Como forma de protesto, um grupo de estudantes ocupou o Pavilhão João Lyra Filho, bloqueando o acesso e exigindo que a universidade reconsiderasse as mudanças.
Os alunos afirmam que, com a diminuição das bolsas, muitos serão obrigados a abandonar o curso. A universidade, por sua vez, explicou que os cortes foram resultado de uma crise orçamentária e que tentou manter o maior número possível de auxílios, mas foi necessário adequar o número de bolsas à realidade financeira atual.
Reintegração de posse e ação policial
Com o prolongamento da ocupação, a UERJ entrou com um pedido de reintegração de posse, que foi acatado pela Justiça. A decisão judicial também autorizava a imposição de multas diárias de até R$ 10 mil caso os estudantes não desocupassem o prédio voluntariamente. Após o esgotamento do prazo de 24 horas dado pela Justiça, a Polícia Militar foi chamada para cumprir a ordem, com o objetivo de liberar as dependências da universidade para o retorno das atividades normais.
Durante a ação, houve uso de bombas de efeito moral para dispersar os estudantes que ainda resistiam no local. Não foram reportados feridos graves até o momento, mas vídeos circulam mostrando confrontos entre os policiais e os manifestantes. A reitoria da UERJ divulgou uma nota pedindo que os estudantes deixassem o local de forma pacífica para evitar o uso da força, mas muitos se recusaram, alegando que suas demandas ainda não haviam sido atendidas.
A reação da comunidade acadêmica
A ação policial foi recebida com críticas por parte de grupos de direitos humanos e da comunidade acadêmica, que condenaram o uso de força contra os estudantes. Professores, funcionários e alunos realizaram manifestações paralelas em apoio aos ocupantes, denunciando o que consideram um desmonte da assistência estudantil e uma repressão às demandas legítimas dos estudantes.
Por outro lado, uma parcela da comunidade acadêmica, incluindo alguns professores e alunos que não participaram da ocupação, expressou preocupação com a interrupção prolongada das atividades acadêmicas e pediu uma solução rápida para o impasse, a fim de garantir o retorno das aulas e evitar maiores prejuízos para todos os envolvidos.
Expectativas para o futuro
Com o fim da ocupação, a UERJ enfrenta o desafio de encontrar uma solução duradoura para os problemas de financiamento que resultaram nos cortes das bolsas. A universidade anunciou que continuará buscando alternativas para atender aos estudantes mais afetados, enquanto os alunos prometem manter a pressão por meio de outras formas de mobilização, caso suas demandas não sejam atendidas.
Embora a ocupação tenha terminado, o movimento estudantil da UERJ deixou claro que continuará lutando por mais investimentos em educação e contra a precarização das condições de permanência dos alunos, principalmente os de baixa renda.







