Aprovação de Lula despenca para 24%: Datafolha revela queda recorde
A mais recente pesquisa do Datafolha revelou uma queda significativa na aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o levantamento realizado nos dias 10 e 11 de fevereiro de 2025, apenas 24% dos brasileiros avaliam a gestão como ótima ou boa. Já a reprovação alcançou 41%, representando um recorde negativo para os três mandatos do petista. A parcela da população que considera o governo regular ficou em 32%, enquanto 2% não souberam ou preferiram não opinar. Os números indicam um aumento expressivo na insatisfação popular em relação ao desempenho do atual governo.
O levantamento do instituto entrevistou 2.007 eleitores em 113 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Comparado à última análise, feita em dezembro de 2024, a aprovação do presidente despencou 11 pontos percentuais, enquanto a reprovação subiu 7 pontos no mesmo período. Esse cenário de descontentamento sugere um desgaste acelerado da imagem de Lula diante do eleitorado.
A pesquisa também apontou que a popularidade do governo caiu de maneira mais acentuada entre mulheres, eleitores de baixa renda e residentes do Nordeste, três públicos que tradicionalmente formam a base de apoio do Partido dos Trabalhadores (PT). Mesmo entre aqueles que votaram em Lula nas últimas eleições, a avaliação positiva sofreu uma queda de 20 pontos percentuais.
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Tendência de queda na aprovação do governo
Os números indicam que a rejeição ao governo cresceu nos últimos meses e atingiu patamares que ultrapassam a média histórica de reprovação de Lula em seus mandatos anteriores. O presidente iniciou 2025 com uma popularidade em declínio, impulsionada principalmente por fatores econômicos, como a alta da inflação e o aumento no custo de vida.
Pesquisas anteriores já apontavam para essa tendência de queda. Em dezembro de 2024, a aprovação do governo era de 35%, enquanto a desaprovação era de 34%. A queda de 11 pontos na avaliação positiva no intervalo de apenas dois meses reflete um descontentamento crescente entre os eleitores.
A piora na avaliação de Lula ocorre simultaneamente a um aumento da percepção negativa sobre a economia. O aumento no preço dos combustíveis, a alta nos alimentos e a taxa de desemprego impactam diretamente a vida da população, afetando a confiança no governo. Além disso, o programa Bolsa Família, principal política social da gestão petista, não teve reajuste desde a pandemia, o que gerou insatisfação entre beneficiários.
Perfil dos eleitores mais insatisfeitos
O levantamento revelou que a desaprovação de Lula é mais intensa em determinados segmentos da população. Entre as mulheres, a reprovação aumentou de 37% para 43%, enquanto entre os eleitores de baixa renda (que recebem até dois salários mínimos), a avaliação negativa subiu de 29% para 39%. No Nordeste, região que historicamente dá amplo apoio ao PT, a aprovação caiu de 49% para 38%.
Entre os eleitores com ensino superior, o índice de reprovação do governo atingiu 50%, evidenciando uma forte resistência ao atual mandato entre aqueles com maior grau de escolaridade. Já entre os eleitores mais jovens, de 16 a 24 anos, a desaprovação cresceu 9 pontos percentuais, mostrando que o governo enfrenta dificuldades em dialogar com essa faixa etária.
Estratégias do governo para reverter o cenário
Diante dos números negativos, o governo Lula intensificou sua estratégia de comunicação e passou a priorizar viagens pelo país para reforçar sua imagem junto à população. Nas últimas semanas, o presidente esteve no Rio de Janeiro, na Bahia, no Amapá e no Pará, onde participou de inaugurações e eventos públicos para se aproximar do eleitorado.
A substituição de Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência também reflete a preocupação do governo em reverter a queda na aprovação. O novo titular da pasta é um marqueteiro experiente e trabalhou na campanha eleitoral de Lula em 2022.
Além das viagens e da mudança na comunicação, o governo aposta em medidas econômicas para tentar melhorar sua avaliação. O reajuste do salário mínimo, a antecipação do 13º para aposentados e o aumento de investimentos em infraestrutura são algumas das ações previstas para os próximos meses.
Comparação com governos anteriores
Os números da atual pesquisa Datafolha colocam Lula em um dos piores momentos de sua trajetória política. Comparando com seus dois mandatos anteriores, o petista nunca havia registrado uma aprovação tão baixa no início do governo.
No primeiro mandato (2003-2006), a popularidade de Lula sofreu desgaste após o escândalo do Mensalão, mas foi recuperada nos anos seguintes com o crescimento da economia e o aumento do poder de compra da população. Já no segundo mandato (2007-2010), o presidente manteve altos índices de aprovação, impulsionado pelo sucesso do Bolsa Família e pelo boom econômico global.
Dessa vez, no entanto, o contexto é diferente. A economia brasileira enfrenta desafios estruturais, a inflação afeta diretamente os mais pobres e a oposição tem se mostrado mais organizada nas redes sociais. Além disso, a fragmentação política e a polarização tornam mais difícil a recuperação da imagem do presidente.
Outros dados da pesquisa Datafolha
- Ótimo/bom: 24% (eram 35% em dezembro)
- Regular: 32% (eram 29% em dezembro)
- Ruim/péssimo: 41% (eram 34% em dezembro)
- Não souberam responder: 2% (era 1% em dezembro)
- Número de entrevistados: 2.007 eleitores em 113 cidades
- Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
Reações no cenário político
A oposição tem explorado os números da pesquisa para criticar o governo e reforçar seu discurso contra Lula. Parlamentares de partidos como PL, União Brasil e Republicanos afirmam que os resultados demonstram a insatisfação da população com a atual gestão.
Já aliados do presidente minimizam a pesquisa e argumentam que a economia ainda não teve tempo suficiente para apresentar resultados concretos. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou que “os números refletem um momento, mas não a trajetória do governo”, indicando que o Palácio do Planalto acredita em uma recuperação nos próximos meses.
Cenário para 2026
A queda na aprovação de Lula acendeu um alerta no PT sobre as eleições presidenciais de 2026. Se os índices negativos persistirem, o partido poderá enfrentar dificuldades para garantir a reeleição do presidente ou para lançar um sucessor competitivo.
A estratégia do governo nos próximos anos será crucial para determinar se o desgaste é passageiro ou se representa uma mudança estrutural na opinião pública sobre Lula. O presidente, por sua vez, já demonstrou em outras ocasiões sua capacidade de reverter cenários adversos e recuperar sua popularidade.

















