Turistas argentinos baleados na Barra da Tijuca chocam Racing e Botafogo antes da finalPor Thiago Lemos
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Dois turistas argentinos, Gabriel Gago, de 41 anos, e Cristian Pagani, de 40, foram baleados na tarde de quarta-feira, dia 26 de fevereiro, durante uma tentativa de assalto na Praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Torcedores do Racing, clube argentino que enfrenta o Botafogo na final da Recopa Sul-Americana nesta quinta-feira, às 21h30, no Estádio Nilton Santos, eles estavam na cidade para acompanhar o jogo. O crime, ocorrido na altura do Posto 4, mobilizou o Corpo de Bombeiros, que utilizou um helicóptero para o resgate das vítimas, internadas em estado grave. O caso gerou comoção e preocupação tanto no Brasil quanto na Argentina, com o Racing se pronunciando oficialmente sobre o incidente.
A ação criminosa aconteceu por volta das 17h, em um dos pontos mais movimentados da orla carioca. Gabriel e Cristian estavam na areia, acompanhados de familiares, quando foram abordados por um assaltante que desceu de uma motocicleta estacionada no calçadão. O ladrão roubou um cordão de uma das vítimas e, ao perceber resistência, disparou contra os dois antes de fugir com um comparsa que o aguardava na moto. O episódio deixou banhistas e testemunhas em pânico, enquanto a rápida resposta dos bombeiros evitou um desfecho ainda mais trágico.
No hospital, as vítimas receberam atendimento imediato. Gabriel Gago foi levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde seu estado de saúde foi estabilizado. Já Cristian Pagani, resgatado por helicóptero, foi internado no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, e passou por cirurgia devido à gravidade dos ferimentos. A Secretaria de Saúde do Rio informou que os dois seguem sob cuidados médicos intensivos, enquanto a polícia investiga o caso para identificar os responsáveis pelo ataque.
Torcedores do Racing que foram roubados e baleados na praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, no fim da tarde desta quarta-feira (26), estão em estado grave.
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) February 27, 2025
De acordo com os Bombeiros, as vítimas são Gabriel Gago e Cristian Pagani. Os dois estão internados em estado grave,… pic.twitter.com/8qK2YLeDJx
Assalto na praia expõe violência antes de decisão internacional
O incidente na Barra da Tijuca ganhou repercussão internacional por envolver torcedores estrangeiros em um momento crucial para o futebol sul-americano. O Racing, que venceu o Botafogo por 2 a 0 no jogo de ida na Argentina, com gols de Luciano Vietto e Adrián Martínez, chegou ao Rio com a vantagem na bagagem para a decisão da Recopa Sul-Americana. Porém, o que deveria ser uma celebração esportiva foi ofuscado pela violência que atingiu Gabriel Gago e Cristian Pagani, transformando a viagem dos torcedores em um pesadelo.
Por volta das 17h10, o Corpo de Bombeiros recebeu o chamado para socorrer as vítimas. Um helicóptero pousou diretamente na areia da praia, próximo ao local do crime, para agilizar o transporte de Cristian Pagani, cujo estado inspirava maiores cuidados. Gabriel Gago, por sua vez, foi levado de ambulância até o Hospital Lourenço Jorge, a poucos quilômetros dali. A operação de resgate, que envolveu o Grupamento Marítimo da Barra e equipes médicas, chamou a atenção de quem passava pela Avenida Lúcio Costa, uma das vias mais conhecidas da região. A polícia acredita que os criminosos fugiram em direção à Zona Sul, mas ainda não há pistas concretas sobre a identidade dos suspeitos.
A violência contra turistas não é novidade no Rio de Janeiro, mas casos como esse reacendem o debate sobre a segurança em áreas turísticas. A Barra da Tijuca, conhecida por suas praias e condomínios de luxo, tem registrado aumento nos índices de criminalidade nos últimos anos, especialmente assaltos à mão armada. O ataque aos argentinos, às vésperas de um evento esportivo de grande porte, coloca ainda mais pressão sobre as autoridades locais para garantir a proteção de visitantes e moradores.
Reação do Racing e detalhes da operação de socorro
O Racing Club não demorou a se manifestar sobre o ocorrido. Em comunicado divulgado na manhã desta quinta-feira, o clube argentino expressou profunda preocupação com o roubo e a agressão sofridos por Gabriel Gago e Cristian Pagani. A diretoria informou que entrou em contato com a embaixada da Argentina no Brasil para garantir assistência às vítimas e suas famílias. Além disso, o clube destacou a necessidade de medidas mais eficazes por parte dos órgãos de segurança do Rio para evitar situações semelhantes, especialmente em um contexto que envolve torcedores estrangeiros.
Enquanto isso, a operação de socorro impressionou pela rapidez e logística. O helicóptero do Corpo de Bombeiros, essencial para o transporte de Cristian Pagani, decolou da praia em poucos minutos após a chegada das equipes. No Hospital Miguel Couto, o torcedor passou por uma cirurgia de emergência devido aos ferimentos causados pelos disparos. Já Gabriel Gago, no Lourenço Jorge, recebeu tratamento para estabilizar seu quadro, que, embora grave, não exigiu intervenção cirúrgica imediata. Familiares dos dois acompanham a evolução do estado de saúde e devem ser transportados ao Estádio Nilton Santos para assistir à final, conforme apoio prometido pelo Racing.
A Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) assumiu a investigação do caso. Testemunhas relataram que o assaltante agiu sozinho na abordagem, enquanto o comparsa permaneceu na moto, pronto para a fuga. A polícia realiza diligências na região e analisa câmeras de segurança da Avenida Lúcio Costa e arredores para identificar os criminosos. Até o momento, nenhum suspeito foi preso, mas a expectativa é que as imagens ajudem a rastrear o trajeto da motocicleta usada na fuga.
Cronologia do ataque na Barra da Tijuca
O assalto aos torcedores argentinos seguiu uma sequência de eventos que expôs a vulnerabilidade da área. Para contextualizar, aqui está a linha do tempo do incidente:
- 17h: Gabriel Gago e Cristian Pagani estavam na areia da Praia da Barra da Tijuca, na altura do Posto 4, com familiares, aproveitando o fim de tarde antes do jogo.
- 17h05: Um assaltante desceu de uma moto estacionada no calçadão, aproximou-se das vítimas, roubou um cordão e disparou contra os dois após resistência.
- 17h10: O Corpo de Bombeiros foi acionado e enviou equipes terrestres e aéreas para o local.
- 17h20: Helicóptero pousou na praia para resgatar Cristian Pagani, enquanto Gabriel Gago foi levado de ambulância.
- Madrugada de quinta-feira: Racing e embaixada argentina iniciaram articulações para apoiar as vítimas.
Essa cronologia mostra a rapidez tanto do crime quanto da resposta emergencial, mas também evidencia a audácia dos criminosos em agir em plena luz do dia, em um local movimentado.
Impacto no jogo e na segurança do evento
A final da Recopa Sul-Americana entre Botafogo e Racing, marcada para as 21h30 desta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos, ganhou um peso extra após o incidente. O clube argentino, que já lidera a disputa com a vitória por 2 a 0 na ida, agora lida com a preocupação envolvendo seus torcedores. A diretoria do Racing confirmou que está organizando o transporte de Gabriel e Cristian, caso estejam em condições de assistir ao jogo, como forma de prestar solidariedade. No entanto, o foco da delegação permanece na partida, que pode garantir o título ao time de Avellaneda.
No Rio, a segurança para o evento foi reforçada. A Polícia Militar anunciou aumento no efetivo nas imediações do estádio e em áreas de grande circulação de torcedores, como a Barra da Tijuca e a Zona Norte. O caso dos argentinos também motivou reuniões entre autoridades locais e representantes da Conmebol para avaliar os protocolos de proteção aos visitantes. A expectativa é de que cerca de 2 mil torcedores do Racing estejam presentes no Nilton Santos, muitos deles hospedados em hotéis na Zona Oeste, próxima ao local do crime.
O Botafogo, por sua vez, precisa reverter o placar adverso em casa. A derrota na Argentina, com gols de Vietto e Martínez, coloca o time carioca em uma situação delicada, mas o episódio envolvendo os torcedores argentinos adiciona uma camada de tensão ao confronto. O clube ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido, mas fontes internas indicam que a diretoria acompanha o caso com atenção.
Perfil das vítimas e contexto da viagem
Gabriel Gago, de 41 anos, e Cristian Pagani, de 40, são torcedores apaixonados do Racing Club. Ambos viajaram de Buenos Aires para o Rio de Janeiro com o objetivo de apoiar o time na decisão da Recopa Sul-Americana. Acompanhados de familiares, aproveitaram a tarde de quarta-feira na Praia da Barra da Tijuca, um dos destinos mais procurados por turistas na cidade. A escolha do local parecia ideal: uma área conhecida pela beleza natural e pela proximidade com a rede hoteleira que abriga muitos dos visitantes do jogo.
A viagem, no entanto, tomou um rumo dramático com o assalto. O cordão roubado, alvo inicial do criminoso, desencadeou a reação que terminou em disparos. Gabriel, descrito por amigos como um torcedor de longa data do Racing, está estável, mas segue internado. Cristian, que enfrentou uma cirurgia no Miguel Couto, é visto como um símbolo da resistência dos hinchas argentinos, mesmo diante da adversidade. A embaixada argentina no Brasil mantém contato com os hospitais para atualizar as famílias sobre o estado de saúde dos dois.
O incidente também levanta questões sobre a preparação do Rio para receber eventos internacionais. A Recopa Sul-Americana atraiu centenas de torcedores estrangeiros, mas a violência contra Gabriel e Cristian expõe falhas na segurança pública que podem impactar a imagem da cidade como destino turístico e esportivo.







