Sessão da Tarde de hoje (28): veja qual filme será exibido e o horário na TV GloboPor Carolina Costa
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A Sessão da Tarde desta sexta-feira, 28 de fevereiro, reserva um momento especial para os amantes do cinema brasileiro. A TV Globo exibe, a partir das 15h30, horário de Brasília, o aclamado filme Central do Brasil, lançado em 1998 e dirigido por Walter Salles. Com duas horas de duração, o longa-metragem traz Fernanda Montenegro em um dos papéis mais marcantes de sua carreira, interpretando Dora, uma ex-professora que vive de escrever cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A exibição ocorre em um contexto simbólico, às vésperas do Oscar 2025, que pode premiar outro filme de Salles, Ainda Estou Aqui, estrelado por Fernanda Torres, filha de Montenegro. A escolha da emissora reacende a memória de uma obra que marcou época e conquistou o mundo, consolidando o talento nacional na tela.
Com um elenco que inclui ainda Vinicius de Oliveira e Marília Pêra, o filme narra a jornada de Dora e Josué, um menino de nove anos que fica órfão após a morte da mãe em um acidente. Relutante no início, Dora embarca com ele em uma viagem pelo interior do Nordeste em busca do pai do garoto, que ele nunca conheceu. A trama, simples em sua essência, ganha profundidade com a atuação visceral de Montenegro e a direção sensível de Salles, que transformaram Central do Brasil em um marco do cinema nacional. A exibição na TV aberta oferece uma oportunidade rara para revisitar essa história emocionante, que mistura crítica social e redenção pessoal.
Nas redes sociais, a expectativa dos espectadores já se manifesta dias antes da transmissão. Usuários celebram a decisão da Globo de trazer o clássico à Sessão da Tarde, destacando sua relevância atemporal e o impacto emocional que ainda provoca. O longa, que esteve entre os indicados ao Oscar em 1999, nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz, chega à programação em um momento em que o cinema brasileiro volta a ganhar destaque internacional, reforçando sua importância histórica e cultural.
Uma viagem pelo coração do Brasil
A história de Central do Brasil começa na estação ferroviária que dá nome ao filme, um ponto pulsante do Rio de Janeiro onde Dora exerce sua atividade de escrivã. Ela escreve cartas ditadas por pessoas analfabetas, mas, em um gesto que reflete seu desencanto com a vida, raramente as envia, guardando-as em uma gaveta ou jogando-as fora. Esse cenário muda quando conhece Josué, interpretado por Vinicius de Oliveira, cuja mãe morre atropelada logo após contratar os serviços de Dora. A partir daí, o filme se transforma em um road movie, gênero caracterizado por narrativas que se desenrolam durante uma viagem, levando os protagonistas a uma busca que vai além do destino físico.
Ao longo da jornada pelo sertão nordestino, a relação entre Dora e Josué evolui de forma tocante. O que começa como uma obrigação relutante para a ex-professora se converte em um processo de autodescoberta e conexão humana. A paisagem árida do interior brasileiro serve como pano de fundo para uma trama que explora temas como solidão, esperança e a força das relações improváveis. A fotografia, assinada por Walter Carvalho, captura a beleza crua do sertão, enquanto a trilha sonora de Jaques Morelenbaum e Antonio Pinto amplifica a carga emocional de cada cena.
Escrito por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, o roteiro teve inspiração em uma história real. Walter Salles concebeu a ideia após ler uma carta enviada por Socorro Nobre, uma ex-presidiária que escrevia para detentas analfabetas. Esse detalhe adiciona uma camada de autenticidade à narrativa, que reflete as dificuldades enfrentadas por muitos brasileiros na década de 1990, período de crise econômica que também influenciou a criação do filme. A combinação de realidade e ficção resultou em uma obra que ressoa até hoje.
Fernanda Montenegro e o reconhecimento mundial
Fernanda Montenegro brilha como Dora, entregando uma atuação que lhe rendeu aclamação internacional. Aos 69 anos na época do lançamento, ela trouxe à personagem uma mistura de amargura e vulnerabilidade que conquistou críticos e público. Sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 1999 marcou um feito histórico: foi a primeira vez que uma latino-americana e uma atuação em língua portuguesa chegaram à disputa nessa categoria. Embora tenha perdido o prêmio para Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado, muitos consideram至今 uma das maiores injustiças da premiação.
Além do Oscar, Central do Brasil acumulou mais de 50 prêmios ao redor do mundo. No Festival de Berlim, levou o Urso de Ouro de Melhor Filme e o Urso de Prata de Melhor Atriz para Montenegro. O Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e o BAFTA na mesma categoria também engrossaram a lista de conquistas. A recepção positiva se estendeu ao público, com mais de 1,5 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros, um número expressivo para a época, que sinalizou a retomada do interesse nacional por produções locais.
Vinicius de Oliveira, então com 12 anos, também deixou sua marca. Escolhido entre mais de 1.500 candidatos, o jovem engraxate impressionou Salles durante um encontro casual e estreou no cinema com um desempenho que não fica atrás de Montenegro. Hoje, aos 38 anos, ele segue carreira como ator, com trabalhos recentes disponíveis em plataformas como Netflix e Globoplay, mostrando a longevidade de um talento descoberto em Central do Brasil.
O legado de um clássico atemporal
Considerado um dos pilares da retomada do cinema brasileiro na década de 1990, Central do Brasil chegou em um momento em que o país buscava se reconectar com sua própria identidade nas telas. Após anos de produções escassas, o filme de Walter Salles reacendeu o interesse do público e da crítica, pavimentando o caminho para obras como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Sua narrativa universal, que aborda a busca por pertencimento e a redenção em meio a adversidades, transcendeu fronteiras, garantindo um lugar entre os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema.
A influência do longa vai além dos números. A cena em que Dora participa de uma procissão religiosa no sertão, cercada por uma multidão que rezava sem saber que se tratava de uma gravação, ilustra o realismo que Salles buscou imprimir na obra. Foram cerca de 3 mil pessoas reunidas espontaneamente, em um momento que a própria Fernanda Montenegro descreveu como um “pedido de socorro social”. Esse episódio, capturado sem ensaios, reflete a capacidade do filme de capturar a essência do Brasil profundo.
- Curiosidades sobre Central do Brasil:
- O título original em inglês, Central Station, foi adotado em mercados internacionais.
- A produção custou cerca de 2,9 milhões de dólares, valor modesto para os padrões da época.
- A indicação de Montenegro ao Oscar foi celebrada com um discurso emocionado no Globo de Ouro, onde ela agradeceu em inglês.
- O filme está disponível para streaming no Globoplay, Netflix e outras plataformas.
Cronologia de exibições na Globo
A exibição de Central do Brasil na Sessão da Tarde não é a primeira vez que a Globo leva o filme à TV aberta. Confira os principais momentos em que a emissora destacou a obra:
- Outubro de 2019: Transmitido na Tela Quente em homenagem aos 90 anos de Fernanda Montenegro, alcançando 22,5 pontos de audiência na Grande São Paulo.
- Março de 2022: Exibido na Sessão de Sábado, com alcance limitado a algumas regiões, o que gerou críticas de fãs.
- Fevereiro de 2025: Programado para a Sessão da Tarde, às 15h30, antecedendo o Oscar, que ocorre em 2 de março.
A escolha da data atual reforça a conexão com o Oscar 2025, onde Ainda Estou Aqui concorre em três categorias, incluindo Melhor Filme Internacional. A coincidência de ter Walter Salles e a família Montenegro novamente em destaque cria um paralelo histórico com 1999, quando Central do Brasil colocou o Brasil no centro das atenções mundiais.
Impacto cultural e social da obra
Mais de duas décadas após seu lançamento, Central do Brasil continua a emocionar novas gerações. A história de Dora e Josué reflete as desigualdades sociais do Brasil, mas também a resiliência de seus personagens. A personagem de Montenegro, inicialmente cínica e distante, passa por uma transformação que simboliza a possibilidade de redenção, um tema que ressoa em um país marcado por contrastes. A crítica internacional destacou essa universalidade, com o filme alcançando 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, baseado em 50 avaliações.
A produção também abriu portas para o elenco e a equipe. João Emanuel Carneiro, um dos roteiristas, tornou-se um renomado autor de novelas como Avenida Brasil. Walter Salles consolidou sua carreira internacional com filmes como Diários de Motocicleta. Já Vinicius de Oliveira, que começou como engraxate, hoje é pai de dois filhos e segue atuando, com participações em séries e filmes recentes. O sucesso de Central do Brasil é um testemunho do potencial do cinema brasileiro quando aliado a histórias autênticas e bem contadas.
O impacto se estende à memória coletiva. Em 2015, a obra foi incluída na lista dos 100 melhores filmes brasileiros pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, reforçando seu status de clássico. A exibição na Sessão da Tarde, um horário tradicionalmente voltado para filmes leves, surpreende ao trazer uma narrativa densa, mas prova a versatilidade do programa e o apreço do público por produções nacionais de qualidade.







