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Uma reviravolta no comércio global abalou os mercados nesta segunda-feira, 3 de março, quando o presidente Donald Trump anunciou que tarifas sobre Canadá, México e China entrarão em vigor à meia-noite. O índice Dow Jones caiu 650 pontos, fechando em 43.191, uma queda de 1,48%, enquanto o S&P 500 recuou 1,76% e o Nasdaq Composite despencou 2,64%, marcando o pior dia do S&P em 2025. Em coletiva na Casa Branca, Trump detalhou tarifas de 25% sobre bens canadenses e mexicanos e elevou os impostos sobre importações chinesas de 10% para 20%, citando a falta de ação da China contra o tráfico de fentanil. A medida, que impacta mais de US$ 1,4 trilhão em importações anuais, cumpre uma promessa central de sua agenda econômica, mas gera temores de inflação, retaliações e instabilidade. O VIX, termômetro do medo em Wall Street, atingiu o pico do ano, refletindo a ansiedade dos investidores, já preocupados com sinais de desaceleração na manufatura americana.

Canadá e México, segundo Trump, esgotaram as chances de evitar os impostos, sendo instados a transferir produção para os EUA se quiserem escapar das taxas. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, apontou o investimento de US$ 100 bilhões da TSMC, empresa taiwanesa de chips, como exemplo de como companhias globais podem se beneficiar ao atuar em solo americano. A alta nas tarifas chinesas intensifica uma guerra comercial iniciada no primeiro mandato de Trump, agora com foco em drogas ilícitas. Os mercados, que vinham de um “salto Trump” pós-eleição, viram esses ganhos evaporarem, enquanto analistas preveem volatilidade prolongada à medida que empresas e consumidores enfrentam preços mais altos.

A decisão veio acompanhada de uma ordem executiva que sinaliza tarifas recíprocas sobre “produtos externos”, incluindo agrícolas, a partir de 2 de abril, mirando o fortalecimento dos fazendeiros americanos. As mudanças, que superam em mais de três vezes os US$ 380 bilhões em tarifas de seu primeiro governo, dividem opiniões: otimismo entre produtores locais, apreensão entre importadores e economistas. Com contêineres se acumulando em portos e o petróleo em queda, o impacto imediato é evidente: a economia dos EUA entra em terreno desconhecido.

Mercados em queda livre: tarifas derrubam índices

Os mercados financeiros sentiram o peso do anúncio de Trump. O Dow caiu quase 900 pontos durante a tarde antes de uma leve recuperação, mas ainda fechou com perda de 650 pontos. O Nasdaq, com queda de 2,64%, acumula 6,5% de baixa desde a posse de Trump em 20 de janeiro.

O índice de medo e ganância da CNN mergulhou em “medo extremo”, com ações de tecnologia como a Nvidia, que despencou 8,7%, puxando os índices para baixo. O rendimento do Tesouro de 10 anos caiu para 4,16%, indicando preocupações com o crescimento futuro.

Comércio global sob tensão: alvos são Canadá, México e China

As tarifas atingem em cheio os maiores parceiros comerciais dos EUA. Canadá e México, com US$ 900 bilhões em exportações anuais, enfrentam taxas de 25%, enquanto a China encara um adicional de US$ 500 bilhões sob o novo patamar de 20%, reacendendo a guerra comercial iniciada em 2018.

Efeitos econômicos em cascata: ganhadores e perdedores

As tarifas de Trump trazem um cenário duality para a economia americana. Analistas da Goldman Sachs preveem um impulso para fabricantes locais, já que bens importados ficarão mais caros, podendo aumentar a demanda por produtos americanos. Empresas como a TSMC, que anunciou um investimento bilionário nos EUA, saem na frente ao evitar os impostos. Trump reforçou essa visão, pressionando Canadá e México a construírem fábricas de carros em solo americano para zerar as taxas, o que pode gerar empregos em estados industriais.

Por outro lado, os custos preocupam. Preços mais altos de importados, de óleo a eletrônicos, devem chegar ao consumidor em breve, com estimativas de aumentos entre 5% e 10%. Produtores americanos que dependem de matérias-primas canadenses ou mexicanas, como montadoras, enfrentarão despesas maiores, e retaliações são esperadas. O ministro de Energia do Canadá, Jonathan Wilkinson, alertou para impactos nos preços de gasolina e eletricidade nos EUA se as exportações de energia forem afetadas.

O bitcoin caiu 8,6% para US$ 85.600, apagando ganhos após o anúncio de uma reserva estratégica de criptomoedas por Trump, enquanto ações de defesa europeias subiram com temores de menos apoio americano à Ucrânia. O petróleo WTI recuou 2% ao menor nível desde dezembro, após a OPEC+ sinalizar mais produção em abril.

Cronograma das tarifas: datas cruciais à vista

A ofensiva tarifária de Trump avança em etapas definidas. Veja o calendário:

  • 4 de março: Tarifas de 25% sobre Canadá e México e 20% sobre China entram em vigor à meia-noite.
  • 2 de abril: Tarifas recíprocas sobre “produtos externos”, incluindo agrícolas, começam, mirando países que taxam exportações americanas.
  • 1º de abril: Estudo econômico da Casa Branca sobre desequilíbrios comerciais deve ser entregue, podendo influenciar novas altas.

Essas datas estruturam a estratégia agressiva de Trump para redesenhar o comércio global.

Reações da indústria: vozes do mercado

Empresas reagiram rapidamente às tarifas. Importadores de madeira canadense e autopeças mexicanas temem custos elevados, prevendo repasses aos preços já em meados de março. Fazendeiros americanos, por outro lado, veem oportunidades com as tarifas de abril, especialmente no Meio-Oeste, castigado por quedas nas exportações.

Analistas como Jason Draho, da UBS Global Wealth Management, preveem volatilidade no curto prazo, mas mantêm otimismo de médio prazo com políticas de crescimento. Gina Bolvin, da Bolvin Wealth Management, se diz “otimista”, embora espere ganhos modestos em 2025.

Impactos nas carteiras: o que muda para o consumidor

Os brasileiros sentirão reflexos indiretos das tarifas de Trump, especialmente em produtos com componentes americanos ou afetados por cadeias globais. Nos EUA, bens importados como abacates mexicanos e eletrônicos chineses terão aumentos estimados entre 5% e 10% em semanas. Produtores locais podem ganhar mercado, mas só se conseguirem atender à demanda rapidamente.

A retaliação é um risco iminente. A China, que comprou US$ 29,25 bilhões em produtos agrícolas americanos em 2024, pode mirar fazendeiros dos EUA, enquanto Canadá e México avaliam taxar máquinas e energia. A Goldman Sachs alerta para custos de produção mais altos e perda de mercados de exportação, pressionando a economia americana.

O petróleo WTI caiu com o anúncio da OPEC+ de aumentar a produção em abril, somando incerteza às tarifas e afetando preços de combustíveis globalmente.

Números que falam: dados por trás das tarifas

Alguns fatos destacam a magnitude da ação de Trump:

  • US$ 1,4 trilhão em importações anuais agora sob tarifas, triplicando os US$ 380 bilhões do primeiro mandato.
  • O S&P 500 caiu 1,76%, maior perda diária de 2025.
  • Canadá exporta US$ 421 bilhões e México US$ 483 bilhões aos EUA—quase tudo taxado em 25%.
  • Apreensões de fentanil na fronteira caíram 50,5% em janeiro de 2025, mas Trump exige mais da China.
  • O investimento de US$ 100 bilhões da TSMC mostra como evitar tarifas.

Esses números delineiam uma política que sacode o comércio mundial.

Rumo ao desconhecido: o futuro após as tarifas

Com a meia-noite se aproximando, empresas correm para liberar estoques, enquanto fabricantes avaliam custos de relocalização versus tarifas. As tarifas recíprocas de 2 de abril pairam como uma segunda onda, com Trump incentivando fazendeiros a aumentarem a produção doméstica em post no Truth Social—uma aposta que pode transformar o setor agrícola se a retaliação estrangeira não atrapalhar.

A volatilidade deve persistir, com Draho esperando turbulência até que a agenda de crescimento de Trump se solidifique. A manufatura americana, já em desaceleração segundo o último levantamento do Institute for Supply Management, enfrenta desafios adicionais, mas otimistas como Bolvin confiam na resiliência econômica. Por ora, o mundo observa o desenrolar da aposta tarifária de Trump.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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