José Loreto impressiona como diabo na Sapucaí e se prepara para interpretar Jesus
José Loreto, aos 40 anos, transformou-se em uma das figuras mais marcantes do Carnaval 2025 ao interpretar o diabo na comissão de frente da Unidos de Vila Isabel, que desfilou na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, na noite de 4 de março, sob o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, idealizado pelo carnavalesco Paulo Barros. Vestido com um figurino em tons de vermelho e preto, o ator contracenou com Amaury Lorenzo, que encarnou Jack O’Lantern, em uma coreografia vibrante criada por Alex Neoral, capturando a atenção dos 70 mil espectadores que lotaram a avenida. O convite para o papel veio em cima da hora, quando Barros, inicialmente escalado para o personagem, cedeu o lugar a Loreto para se dedicar à coordenação geral do desfile, e o ator abraçou a oportunidade após ensaios sigilosos iniciados em janeiro. Apenas 40 dias após essa apresentação, ele assumirá o papel de Jesus Cristo na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco, com apresentações previstas para abril, marcando uma transição única em sua carreira. O Carnaval carioca, que neste ano ganhou um dia extra no Grupo Especial, gerou cerca de R$ 4 bilhões na economia local, e Loreto se destacou como um dos nomes que elevaram a festa a outro patamar com sua entrega artística.
A preparação para o diabo envolveu semanas de ensaios noturnos, enquanto os treinos para Jesus já estavam em curso desde fevereiro, mostrando o ritmo intenso do ator entre os dois projetos.
Com mais de duas décadas de carreira, Loreto, conhecido por papéis em “Avenida Brasil” e “Pantanal”, encara essa dualidade como um momento definidor de sua versatilidade.
Detalhes da atuação na Sapucaí
O diabo que incendiou a avenida
A Unidos de Vila Isabel entrou na Sapucaí como a terceira escola da segunda noite do Grupo Especial, em 4 de março, com um desfile de 60 minutos que explorou o misticismo no enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”. José Loreto, na pele do diabo, liderou a comissão de frente ao lado de Amaury Lorenzo, que interpretou Jack O’Lantern, em uma performance que simbolizava um embate entre o demônio e a figura lendária. O figurino de Loreto, com detalhes em vermelho e preto, foi pensado para resistir ao calor da avenida e destacar o personagem, trazendo influências do teatro e do cinema clássico. Originalmente, Paulo Barros assumiria o papel, mas transferiu a responsabilidade ao ator, que trabalhou com uma equipe de 20 bailarinos sob a direção de Alex Neoral, ajustando cada passo para impressionar tanto o público quanto os jurados, que avaliam a comissão de frente como um dos dez quesitos do Carnaval.
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Os ensaios, realizados em segredo desde janeiro, ocorreram nas madrugadas para manter o elemento surpresa, e a Vila Isabel, campeã em 2013 com Barros, busca repetir o sucesso com essa aposta ousada.
Toque pessoal na performance
Durante os momentos de improvisação da coreografia, Loreto tentou homenagear “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, filme de Glauber Rocha lançado em 1964, que marcou o Cinema Novo brasileiro com Othon Bastos no elenco. Ele planejou gestos que remetessem à obra, conectando o Carnaval à história cultural do país, mas o ritmo acelerado do desfile limitou essa execução. A intenção reflete seu desejo de trazer profundidade ao personagem, mesmo em um ambiente festivo.
Preparação para a Semana Santa
Encarnando Jesus em Nova Jerusalém
Mal terminou o desfile na Sapucaí, José Loreto já se voltou para o papel de Jesus Cristo na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco, que terá oito apresentações entre 12 e 19 de abril de 2025, atraindo cerca de 70 mil espectadores ao longo da Semana Santa. O espetáculo, realizado no maior teatro ao ar livre do mundo, movimenta R$ 25 milhões na economia local e emprega mais de 500 pessoas, exigindo do ator uma preparação física e emocional intensa para cenas que duram até três horas por noite. Loreto começou os ensaios em fevereiro, antes mesmo do Carnaval, conciliando as duas agendas com treinos vocais e físicos para suportar figurinos pesados e monólogos marcantes, como os da crucificação. Ele considera o papel do diabo um complemento à sua abordagem de Jesus, enriquecendo a interpretação com nuances de contraste entre os dois personagens emblemáticos.
A Paixão de Cristo, tradição desde 1968, já teve atores como Fábio Assunção e Thiago Lacerda no papel principal, e Loreto se junta a essa lista com uma entrega que promete emocionar o público de até 8 mil pessoas por apresentação.
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Cronograma de Loreto em 2025
A agenda intensa do ator reflete seu comprometimento:
- Janeiro: Ensaios secretos para o diabo na Vila Isabel.
- Fevereiro: Preparação dupla para o Carnaval e a Paixão de Cristo.
- 4 de março: Performance como diabo na Sapucaí.
- 12 a 19 de abril: Oito noites como Jesus em Nova Jerusalém.
Esses marcos mostram como Loreto transformou os 40 dias entre os eventos em um período de evolução artística e dedicação total.
Carreira e significado cultural
Versatilidade em dois palcos
José Loreto encara os papéis de diabo e Jesus como uma oportunidade de explorar extremos emocionais, algo que tem buscado ao longo de seus mais de 20 anos de carreira. Desde o ingênuo Darkson em “Avenida Brasil” em 2012 até o peão Tadeu em “Pantanal” em 2022, ele construiu uma trajetória diversa, mas a dualidade atual é inédita. Na Sapucaí, sua atuação foi parte de um esforço coletivo, sincronizada com 20 bailarinos e avaliada por jurados em quesitos como harmonia e impacto visual, enquanto em Nova Jerusalém o foco é individual, com longas cenas que conectam diretamente o ator ao público. Ele descreveu essa experiência como uma fuga dos papéis previsíveis, buscando personagens que o desafiem e o tirem da zona de conforto, uma filosofia que guia suas escolhas desde os primeiros trabalhos na TV Globo.
Os convites para os dois papéis vieram de forma inesperada. Alex Neoral o chamou para a comissão de frente em cima da hora, enquanto a Paixão de Cristo já estava confirmada desde 2024, criando uma coincidência que Loreto transformou em um marco artístico.
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Impacto nos eventos culturais
Os projetos de Loreto têm raízes em eventos de grande porte:
- Carnaval: 70 mil pessoas por noite na Sapucaí, R$ 4 bilhões movimentados, 250 mil empregos.
- Paixão de Cristo: 70 mil espectadores em oito noites, R$ 25 milhões na economia, 500 empregos.
- Audiência: O desfile da Vila Isabel atinge milhões pela TV, e Nova Jerusalém atrai turistas e fiéis.
Esses números destacam a relevância cultural e econômica dos palcos onde Loreto atua, reforçando seu papel como ponte entre festa e tradição.

















