Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

A jogadora Tiffany Abreu, oposta do Osasco, se manifestou publicamente pela primeira vez no dia 16 de agosto de 2026 sobre a decisão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) de banir mulheres trans de competições nacionais. A atleta, que está autorizada a disputar o Campeonato Paulista, classificou a medida como um “enorme retrocesso” para o esporte e prometeu seguir na luta pelos direitos e pela visibilidade de pessoas trans.

Tiffany se manifesta após derrota no Campeonato Paulista

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Tifanny Abreu (@tifannyabreu10)

A manifestação da oposta ocorreu após a partida de estreia do Osasco no Campeonato Paulista, onde a equipe foi derrotada por 3 sets a 2 pelo Pinheiros. Mesmo com a liberação para jogar a competição estadual, a atleta de 41 anos expressou profunda tristeza e indignação com a postura da CBV, ressaltando o impacto da decisão.

“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos”, declarou Tiffany, destacando sua década de atuação no vôlei feminino. Ela enfatizou que a medida não afeta apenas sua carreira, mas também o clube, a torcida, patrocinadores e todos que se inspiram em sua jornada, além do direito fundamental de todas as pessoas trans.

A jogadora também comparou a decisão a práticas antigas e vexatórias. “É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e inclusão de todas as pessoas no esporte. Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam as atletas nos anos 60 e 70. Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais”, afirmou Tiffany. A atleta prometeu que não se calará e buscará todas as medidas possíveis para que sua luta por direito, visibilidade, inclusão e prática esportiva não tenha sido em vão.

Entenda a nova política da CBV e o Comitê Olímpico Internacional

No dia 14 de agosto de 2026, a Confederação Brasileira de Voleibol anunciou a adesão à política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a elegibilidade de atletas na categoria feminina, tanto em competições de quadra quanto de praia. A nova regra exige que as jogadoras apresentem um teste genético com resultado negativo para o gene SRY, que está associado ao desenvolvimento masculino.

Essa política entrará em vigor para todas as atletas a partir da Superliga A e B da temporada 2026/27. Outras competições afetadas incluem a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027, o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e o CBVP Challenger 2027. A CBV esclareceu que a recusa em realizar a triagem não configura uma infração disciplinar, mas impede a atleta de competir caso não comprove a elegibilidade conforme os novos critérios.

Liberdade para disputar o Campeonato Paulista garante presença de Tiffany

Apesar da nova diretriz da CBV, a Federação Paulista de Voleibol (FPV) se pronunciou um dia após o anúncio da confederação, confirmando que Tiffany Abreu está liberada para disputar esta edição do Campeonato Paulista. A FPV justificou a decisão afirmando que a competição já havia sido iniciada no dia 14 de agosto de 2026 e, portanto, seguiria as regras vigentes antes da nova determinação da CBV.

Dessa forma, a entidade estadual manteve o torneio dentro das normas anteriores, assegurando a participação da jogadora pelo Osasco. A medida da FPV alivia temporariamente a situação de Tiffany, permitindo que ela conclua o Campeonato Paulista, que provavelmente marca sua última temporada antes da aposentadoria.

A trajetória pioneira de Tiffany Abreu no esporte brasileiro

Tiffany Abreu construiu uma carreira marcante e pioneira no vôlei nacional e internacional. Após atuar em diversos clubes no Brasil e no exterior, a atleta realizou sua transição de gênero. Em 2017, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) concedeu-lhe a autorização para competir em categorias femininas.

Naquele mesmo ano, Tiffany jogou pelo Golem Palmi, na Itália, e pelo Vôlei Bauru, fazendo história ao se tornar a primeira mulher trans a disputar uma partida da Superliga Feminina. Sua trajetória seguiu no Bauru até 2021, quando se transferiu para o Osasco. No clube paulista, consolidou-se como um dos principais nomes de sua posição, contribuindo para conquistas significativas.

Na temporada 2024/25, ela foi campeã da Superliga, da Copa Brasil e do Campeonato Paulista, consolidando-se como a primeira atleta trans a vencer a Superliga Feminina. Sua presença no esporte tem sido um símbolo de resistência e inspiração para a comunidade trans e para a luta pela inclusão.

O debate global sobre a presença de atletas trans no esporte

A decisão da CBV reflete uma discussão mais ampla e complexa que ocorre em nível global sobre a inclusão de mulheres trans em categorias esportivas femininas. Diversas federações internacionais e comitês olímpicos estão revisando suas políticas, buscando equilibrar a justiça competitiva com os princípios de inclusão e não discriminação.

Este cenário tem gerado debates acalorados entre defensores dos direitos trans, cientistas esportivos e atletas cisgênero. As regras frequentemente envolvem o controle dos níveis de testosterona, o que a política do COI adotada pela CBV visa mitigar com a exigência do teste para o gene SRY. A complexidade do tema reside na busca por parâmetros que garantam a participação de todas as atletas, ao mesmo tempo em que se preserva a integridade e equidade das competições.

Implicações futuras da norma para o vôlei brasileiro e outras modalidades

A nova política da CBV estabelece um precedente importante para o vôlei brasileiro e pode influenciar outras modalidades esportivas no país. A exigência do teste genético para o gene SRY representa uma das abordagens mais restritivas já adotadas por uma confederação brasileira em relação à participação de atletas trans.

Essa medida levanta preocupações sobre o futuro da inclusão e o ambiente para atletas trans que aspiram a competir profissionalmente no Brasil. A posição de Tiffany, de não se calar e de lutar por seus direitos, indica que a questão está longe de ser resolvida e pode desencadear novos capítulos jurídicos e sociais, com a busca por soluções que conciliem o direito à prática esportiva com as políticas de elegibilidade.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Destaques

    Servidora pública esfaqueia mulher em festa de Halloween; polícia investiga tentativa de homicídio

  2. Internet

    Falha em sistema bancário no Japão atinge 128 instituições e operadora descarta ataque cibernético

  3. Destaques

    Botnet TV box: polícia e gigantes de tecnologia derrubam rede de 1,3 milhão de aparelhos adulterados

  4. Destaques

    Jogador Bismarck é morto em Natal após ataque no Beco da Lama: meia conquistou títulos no Piauí

  5. Destaques

    Polícia descarta investigar por homicídio namorado de jovem que caiu do 7º andar

  6. Destaques

    Júnior Bauru tem Porsche cercado na Lagoa e assaltante acaba baleado no Rio de Janeiro

  7. Destaques

    Detran-RJ emite Carteira de Identificação da Mãe Atípica sem custo

  8. Receita Federal

    Saiba como será o Split Payment: reforma tributária divide imposto na hora da compra e muda rotina de empresas no Brasil

  9. Economia

    Gasolina com 35% de etanol: testes do governo avaliam mistura e mecânicos alertam para riscos em carros no Brasil

  10. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.