A possibilidade de sacar uma parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) anualmente tem transformado a relação de muitos trabalhadores com esse recurso. Criado em 2019, o saque-aniversário permite retiradas no mês de nascimento, oferecendo flexibilidade financeira a milhões de brasileiros que possuem saldo em contas ativas ou inativas. Administrado pela Caixa Econômica Federal, o programa já movimentou bilhões de reais desde sua implementação, atendendo tanto quem busca uma renda extra quanto aqueles que planejam antecipar valores para quitar dívidas ou investir. Em 2024, mais de 9 milhões de trabalhadores demitidos sem justa causa haviam aderido à modalidade, evidenciando sua popularidade, mas também levantando debates sobre suas regras e impactos.
O funcionamento do saque-aniversário é simples, mas exige atenção às condições estabelecidas. Diferente do saque-rescisão, que libera o saldo total em caso de demissão sem justa causa, essa modalidade limita o acesso ao fundo a percentuais anuais, variando de 5% a 50% do total, conforme o valor disponível. Para aderir, o trabalhador precisa manifestar interesse por meio de canais oficiais da Caixa, como o aplicativo FGTS, e estar ciente de que a escolha pode afetar o acesso ao montante integral em situações de desligamento.
Recentemente, o governo anunciou medidas para flexibilizar o acesso ao FGTS retido de quem optou pelo saque-aniversário e foi demitido entre 2020 e 2024, beneficiando cerca de 12,1 milhões de pessoas. Com isso, o tema ganhou ainda mais relevância, e entender o processo para retirar valores junto à Caixa tornou-se essencial para quem quer aproveitar ao máximo esse direito.
Como aderir ao saque-aniversário e começar a usar
A adesão ao saque-aniversário é o primeiro passo para quem deseja acessar os valores do FGTS anualmente. O processo é gratuito e pode ser realizado de forma digital, sem a necessidade de comparecer a uma agência da Caixa. Basta baixar o aplicativo FGTS, disponível para Android e iOS, ou acessar o site oficial do fundo. Após o login com CPF e senha, o trabalhador deve selecionar a opção de mudança para o saque-aniversário, ler os termos e confirmar a escolha. A solicitação deve ser feita até o último dia útil do mês de nascimento para que o saque esteja disponível no mesmo ano; caso contrário, o benefício só será liberado no ano seguinte.
Para quem prefere o atendimento presencial, as agências da Caixa também oferecem suporte para a adesão. Nesse caso, é necessário levar documentos como RG, CPF e comprovante de residência. Uma vez confirmada a opção, o trabalhador passa a ter direito a saques anuais, mas perde a possibilidade de retirar o saldo total em caso de demissão sem justa causa, recebendo apenas a multa rescisória de 40% sobre o valor depositado pelo último empregador.
Vale destacar que a adesão é opcional. Quem não manifesta interesse permanece na modalidade padrão, o saque-rescisão, que garante o acesso integral ao fundo em situações específicas, como demissão ou compra de imóvel. A escolha, portanto, exige planejamento financeiro, especialmente para quem não possui uma reserva de emergência.
Quanto você pode sacar do FGTS com essa modalidade
Definir o valor disponível para o saque-aniversário é um processo baseado no saldo total das contas do FGTS, sejam elas ativas (de empregos atuais) ou inativas (de empregos anteriores). A Caixa aplica uma tabela progressiva, com alíquotas que variam conforme o montante acumulado. Para saldos de até R$ 500, o percentual é de 50%, sem parcela adicional. Já para valores maiores, a porcentagem diminui, mas é acrescida de uma quantia fixa, garantindo um benefício mínimo mesmo para contas robustas.
Por exemplo, um trabalhador com R$ 1.000 no FGTS pode sacar 40% desse total, ou seja, R$ 400, mais uma parcela adicional de R$ 50, totalizando R$ 450. Para um saldo de R$ 10.000, a alíquota cai para 10%, resultando em R$ 1.000, acrescidos de R$ 1.150 fixos, o que permite um saque de R$ 2.150. A tabela completa é a seguinte:
- Até R$ 500: 50% (sem adicional)
- De R$ 500,01 a R$ 1.000: 40% + R$ 50
- De R$ 1.000,01 a R$ 5.000: 30% + R$ 150
- De R$ 5.000,01 a R$ 10.000: 20% + R$ 650
- De R$ 10.000,01 a R$ 15.000: 15% + R$ 1.150
- De R$ 15.000,01 a R$ 20.000: 10% + R$ 1.900
- Acima de R$ 20.000: 5% + R$ 2.900
Esses valores são liberados a partir do primeiro dia útil do mês de aniversário e ficam disponíveis por três meses. Se o saque não for realizado nesse período, o dinheiro retorna automaticamente à conta do FGTS.
Passo a passo para retirar o dinheiro na Caixa
Realizar o saque-aniversário é um procedimento prático, especialmente para quem já aderiu à modalidade. O valor é liberado automaticamente no início do mês de nascimento, e o trabalhador pode recebê-lo em uma conta bancária de sua titularidade, indicada previamente no aplicativo FGTS. A transferência é gratuita e pode ser feita para contas da Caixa ou de outros bancos, garantindo agilidade no acesso ao dinheiro. Após o crédito, o uso é livre, seja para pagar contas, investir ou sacar em espécie em caixas eletrônicos.
Quem não informa uma conta bancária tem a opção de retirar o valor diretamente nas agências da Caixa, caixas eletrônicos (com o Cartão Cidadão) ou casas lotéricas, dependendo do montante. Para saques acima de R$ 3.000, o atendimento presencial é obrigatório, exigindo apresentação de documento com foto. Já valores menores podem ser movimentados com mais facilidade, inclusive por meios digitais, o que reduz a burocracia e facilita o acesso.
Desde a criação do saque-aniversário, mais de 17 milhões de trabalhadores já optaram pela modalidade, movimentando cerca de R$ 44,7 bilhões até julho de 2023. A praticidade do processo, aliada à possibilidade de antecipação via empréstimos, tem atraído um número crescente de adeptos, especialmente aqueles que buscam complementar a renda ou resolver pendências financeiras.
Calendário de saque-aniversário para 2025
Acompanhar as datas de liberação é essencial para planejar o uso do saque-aniversário. Em 2025, o calendário segue o padrão anual, com os valores disponíveis a partir do primeiro dia útil do mês de nascimento. Confira o cronograma:
- Janeiro: a partir de 2 de janeiro até 31 de março
- Fevereiro: a partir de 1º de fevereiro até 30 de abril
- Março: a partir de 1º de março até 31 de maio
- Abril: a partir de 1º de abril até 30 de junho
- Maio: a partir de 1º de maio até 31 de julho
- Junho: a partir de 2 de junho até 31 de agosto
- Julho: a partir de 1º de julho até 30 de setembro
- Agosto: a partir de 1º de agosto até 31 de outubro
- Setembro: a partir de 1º de setembro até 30 de novembro
- Outubro: a partir de 1º de outubro até 31 de dezembro
- Novembro: a partir de 3 de novembro até 31 de janeiro de 2026
- Dezembro: a partir de 1º de dezembro até 31 de fevereiro de 2026
O prazo de três meses para retirada oferece flexibilidade, mas exige atenção, já que o valor não sacado volta para o fundo. Para quem aderiu recentemente, é importante verificar se a solicitação foi feita a tempo de garantir o saque no ano corrente.
Vantagens e cuidados ao optar pelo saque-aniversário
Optar pelo saque-aniversário traz benefícios claros, como o acesso anual a uma parte do FGTS sem depender de eventos como demissão ou compra de imóvel. Essa renda extra pode ser usada para quitar dívidas, investir ou cobrir despesas emergenciais, especialmente para quem não tem outras reservas financeiras. Além disso, a modalidade permite a antecipação de até dez parcelas por meio de empréstimos oferecidos por bancos como a Caixa, com juros mais baixos que outras linhas de crédito, já que o saldo do FGTS serve como garantia.
Por outro lado, a escolha exige cuidados. Quem adere perde o direito ao saque total em caso de demissão sem justa causa, o que pode comprometer a segurança financeira em momentos de desemprego. A volta para o saque-rescisão só ocorre após um período de carência de 25 meses, o que demanda planejamento de longo prazo. Em 2024, mais de 9 milhões de trabalhadores enfrentaram essa restrição ao serem desligados, o que motivou a liberação temporária anunciada pelo governo.
Outro ponto de atenção é o impacto no saldo do FGTS a longo prazo. Retiradas anuais reduzem o montante acumulado, que rende 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), um retorno inferior a muitas aplicações financeiras. Assim, avaliar as prioridades financeiras é fundamental antes de aderir.
Liberação especial para demitidos entre 2020 e 2024
Anunciada em fevereiro de 2025, a liberação extraordinária do FGTS para quem optou pelo saque-aniversário e foi demitido sem justa causa entre 2020 e 2024 alcançará 12,1 milhões de trabalhadores. A medida, que injetará R$ 12 bilhões na economia, será dividida em duas etapas. Na primeira, a partir de 6 de março, saldos de até R$ 3.000 serão pagos automaticamente em contas vinculadas à Caixa ou sacados em agências e lotéricas por quem não tem conta cadastrada. A segunda etapa, iniciada em 17 de junho, contemplará valores acima desse limite, seguindo um calendário por mês de nascimento.
Para trabalhadores com conta na Caixa, o depósito ocorre sem necessidade de solicitação. Já os demais podem retirar o dinheiro presencialmente, levando documentos pessoais. A iniciativa responde a críticas sobre a trava do saque-aniversário, que impedia o acesso ao saldo total em demissões, mas não altera as regras permanentes da modalidade, mantendo as restrições para quem aderir após a publicação da medida.
Alternativas para usar o FGTS além do saque-aniversário
Além do saque-aniversário, o FGTS oferece outras formas de movimentação que podem ser mais vantajosas dependendo da situação. Na modalidade tradicional, o saque-rescisão permite o acesso integral ao saldo em caso de demissão sem justa causa, incluindo a multa de 40%. Outras possibilidades incluem o uso para compra de imóvel, amortização de financiamentos habitacionais, aposentadoria ou situações de calamidade pública, como enchentes e desastres naturais.
A antecipação do saque-aniversário, oferecida por instituições financeiras, é outra alternativa popular. Nessa opção, o trabalhador recebe adiantado até dez parcelas anuais, com o pagamento descontado automaticamente do FGTS. Até março de 2023, cerca de 14,5 milhões de pessoas contrataram mais de R$ 90,2 bilhões nessa modalidade, aproveitando taxas de juros competitivas. Cada opção tem suas especificidades, e a escolha depende das necessidades e do planejamento financeiro de cada indivíduo.

