Bahia domina Vitória por 2 a 0 e abre vantagem na final do Campeonato BaianoPor Thiago Lemos
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No último domingo, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador, foi palco de um clássico Ba-Vi eletrizante, marcando o jogo de ida da final do Campeonato Baiano. O Bahia, com uma atuação consistente e superioridade tática, venceu o Vitória por 2 a 0, construindo uma vantagem significativa para a partida de volta. Gols de Gabriel Xavier e Erick Pulga selaram o triunfo tricolor, que poderia ter sido ainda mais expressivo não fosse o pênalti desperdiçado por Lucho Rodríguez. Diante de uma torcida vibrante, o Esquadrão de Aço demonstrou volume ofensivo e controle, enquanto o Vitória, mesmo com momentos de equilíbrio, esbarrou na falta de criatividade e na sólida atuação do goleiro Lucas Arcanjo, que evitou um placar mais elástico. Agora, as equipes se preparam para o confronto decisivo no Barradão, com o Bahia em posição confortável, mas o título ainda em aberto.
A partida começou com estratégias claras de ambos os lados. O técnico Rogério Ceni, do Bahia, apostou em uma formação com três zagueiros – Gabriel Xavier, Kanu e Ramos Mingo – para reforçar a defesa em bolas paradas e explorar a altura nas jogadas ofensivas. Já Thiago Carpini, comandante do Vitória, optou por uma linha de cinco defensores, com três zagueiros, buscando neutralizar o ataque tricolor. Apesar das abordagens iniciais semelhantes, o Bahia rapidamente tomou as rédeas do jogo, impondo pressão alta e aproveitando falhas do adversário.
Enquanto o Tricolor mostrou organização e qualidade técnica, o Vitória lutou para se encontrar em campo. O Rubro-Negro até conseguiu forçar erros na saída de bola do Bahia em alguns momentos, mas a falta de precisão no ataque limitou suas chances. O clássico, que reuniu mais de 30 mil torcedores na Fonte Nova, evidenciou a diferença de momento entre os dois clubes, com o Bahia embalado por uma temporada sólida e o Vitória tentando retomar o protagonismo estadual.
???? Agora de um novo ângulo! Grupo unido e VIBRANDO MUITO com o primeiro gol logo no começo do Ba-Vi #BBMP pic.twitter.com/d1EblH2a3M
— Esporte Clube Bahia (@ecbahia) March 17, 2025
Pressão tricolor e o caminho dos gols
Dominando os primeiros minutos, o Bahia não demorou a abrir o placar. Aos seis minutos, Everton Ribeiro cobrou uma falta com precisão, e Gabriel Xavier subiu mais alto que a defesa rubro-negra para cabecear firme, sem chances para Lucas Arcanjo. O gol precoce deu confiança ao Tricolor, que manteve o Vitória acuado com um perde-pressiona eficiente. Até os 15 minutos, o time de Rogério Ceni controlou a posse de bola e criou oportunidades, enquanto o adversário buscava se reorganizar.
O segundo gol veio ainda no primeiro tempo, aos 46 minutos, com uma jogada que destacou a qualidade individual de Erick Pulga. O atacante brigou por uma bola aparentemente perdida, driblou dois zagueiros e finalizou com um chute colocado, consolidando a vantagem tricolor. Pulga, que já havia sofrido um pênalti no início do segundo tempo – desperdiçado por Lucho Rodríguez –, foi o grande nome da partida, combinando velocidade, técnica e determinação para desequilibrar a defesa do Vitória.
A superioridade do Bahia não se limitou aos gols. Everton Ribeiro, com visão de jogo e passes precisos, ditou o ritmo no meio-campo, enquanto a defesa tricolor, mesmo com três zagueiros, mostrou segurança. O Vitória, por outro lado, dependeu demais de Lucas Arcanjo, que fez defesas importantes, incluindo a cobrança de pênalti, para manter o time vivo na disputa pelo título.
Vitória resiste, mas não ameaça
Tentando reagir, o Vitória equilibrou as ações em alguns momentos, especialmente após ajustes táticos de Thiago Carpini no segundo tempo. O treinador abriu mão do esquema com três zagueiros, substituindo Neris – que teve uma atuação comprometida – por Ronaldo Lopes, reforçando o meio-campo. A mudança deu mais posse de bola ao Rubro-Negro, mas a falta de qualidade ofensiva impediu que o time criasse chances reais de gol. O Bahia, bem postado, controlou os avanços do adversário e explorou contra-ataques perigosos.
Mesmo com a posse de bola em alguns trechos, o Vitória não conseguiu furar o bloqueio defensivo tricolor. Jogadores como Wellington Rato e Janderson, peças importantes no ataque rubro-negro, tiveram dificuldades para superar a marcação adversária. Enquanto isso, o Bahia desperdiçou oportunidades de ampliar o placar, com Lucho Rodríguez perdendo mais uma chance clara além do pênalti. A ineficiência nas finalizações manteve o Vitória na briga, mas expôs a diferença técnica entre as equipes.
A resistência do Vitória, sustentada por Lucas Arcanjo, foi o principal fator que evitou uma derrota mais pesada. O goleiro, destaque do time na temporada, fez pelo menos três defesas difíceis, incluindo o pênalti cobrado por Rodríguez. Apesar do esforço, o Rubro-Negro saiu de campo sem oferecer perigo real ao gol de Marcos Felipe, deixando a torcida com a sensação de que o time precisará de uma atuação muito acima da média no jogo de volta.
Números revelam domínio do Bahia no clássico
Analisando os números, o Bahia foi superior em praticamente todos os aspectos. O Tricolor teve 58% de posse de bola contra 42% do Vitória, além de finalizar 14 vezes, sendo seis no alvo, enquanto o Rubro-Negro chutou apenas quatro vezes, com duas defesas de Marcos Felipe. A diferença no volume de jogo foi evidente, com o Bahia criando sete grandes chances de gol, contra apenas uma do adversário. Esses dados reforçam a impressão deixada em campo: o Esquadrão teve controle e poderia ter definido a final já no primeiro duelo.
Outro ponto de destaque foi a eficiência nas bolas paradas. Dos 14 escanteios da partida, nove foram a favor do Bahia, que soube aproveitar a estratégia de Rogério Ceni para explorar a altura de seus defensores. Gabriel Xavier, autor do primeiro gol, já soma três tentos na competição, sendo um dos pilares do time na campanha. Erick Pulga, por sua vez, chega a cinco gols no estadual, consolidando-se como peça-chave no ataque tricolor.
O Vitória, por outro lado, teve dificuldades na criação. Baralhas, um dos principais nomes do meio-campo rubro-negro, foi anulado pela marcação adversária, e o time terminou o jogo com apenas 67% de precisão nos passes, contra 82% do Bahia. A falta de um “ritmista” como Everton Ribeiro no elenco de Carpini foi sentida, limitando as opções ofensivas do Leão.
Agenda cheia antes do jogo decisivo
Com a final ainda em aberto, Bahia e Vitória têm compromissos importantes antes do reencontro no Barradão. Nesta quarta-feira, o Tricolor visita o CSA, em Maceió, às 19h, pela sexta rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste. Já o Vitória recebe o Sport, em Salvador, às 21h30, no mesmo dia, também pelo torneio regional. Esses jogos serão cruciais para manter o ritmo das equipes, que vivem momentos distintos na temporada.
Para o Bahia, o confronto com o CSA é uma chance de consolidar a boa fase, após a classificação para a fase de grupos da Libertadores e o domínio no Ba-Vi. O Vitória, invicto no estadual até o último domingo, busca recuperar a confiança diante de sua torcida contra o Sport. Ambos os times terão pouco tempo de descanso, já que o jogo de volta da final está marcado para o próximo domingo, às 16h, no Barradão.
O calendário intenso reflete a maratona enfrentada pela dupla Ba-Vi em 2025. Até o momento, Bahia e Vitória disputaram 17 partidas cada em pouco mais de dois meses, figurando entre os clubes da Série A com mais jogos na temporada. A sequência exige preparo físico e mental, especialmente para o Vitória, que precisará reverter a desvantagem em casa.
O que esperar do confronto no Barradão
No próximo domingo, o Vitória terá a vantagem de jogar no Barradão, onde decidirá o título diante de sua torcida. Com a melhor campanha na primeira fase do Campeonato Baiano, o Rubro-Negro garantiu o direito de fazer o jogo de volta em casa, algo que não ocorria em uma final estadual desde 2018. Historicamente, o Leão tem bom aproveitamento em decisões no estádio: em 17 finais com ida e volta como mandante, conquistou 12 títulos.
A missão, porém, não será fácil. O Bahia pode perder por até um gol de diferença e ainda assim levantar a taça, o que coloca pressão extra no Vitória. Thiago Carpini deve ajustar o esquema tático, possivelmente apostando em mais agressividade ofensiva para superar a defesa tricolor. A entrada de Ronaldo Lopes no segundo tempo do primeiro jogo pode ser um indicativo de mudanças no meio-campo, buscando maior controle e criatividade.
Já o Bahia chega com moral elevada. Rogério Ceni, que já soma mais de 50 jogos à frente do Tricolor, tem em mãos um elenco qualificado, com nomes como Everton Ribeiro, Erick Pulga e Gabriel Xavier em grande fase. A estratégia deve passar por manter a solidez defensiva e explorar os contra-ataques, aproveitando a velocidade de Pulga e a experiência de seus meias.
Destaques individuais que podem definir o título
Alguns jogadores se destacaram no primeiro jogo e prometem ser decisivos na volta. Confira os principais nomes:
- Erick Pulga (Bahia): Autor do segundo gol, foi o melhor em campo, com dribles, velocidade e participação direta em jogadas de perigo.
- Lucas Arcanjo (Vitória): Evitou uma goleada com defesas cruciais, incluindo o pênalti, e será essencial para o Vitória sonhar com a virada.
- Everton Ribeiro (Bahia): Com uma assistência e controle do meio-campo, o veterano mostrou por que é um dos líderes técnicos do time.
- Gabriel Xavier (Bahia): Seguro na defesa e letal no ataque, marcou de cabeça e reforçou a importância das bolas paradas.
Esses atletas carregam as esperanças de suas equipes para o duelo final. Enquanto o Bahia aposta na consistência coletiva, o Vitória precisará de atuações individuais inspiradas para reverter o placar.
Retrospecto e rivalidade em finais
A rivalidade entre Bahia e Vitória em finais do Campeonato Baiano é histórica. Os dois clubes já decidiram o título 31 vezes, com o Tricolor levando a melhor em 50 conquistas estaduais contra 30 do Rubro-Negro. Em finais com jogos de ida e volta, foram 18 confrontos diretos, com o Vitória vencendo 10 quando teve a chance de decidir em casa. Em 2025, o Leão busca o 31º título para encurtar a distância para o rival.
O último Ba-Vi em uma final estadual ocorreu em 2018, com vitória do Bahia por 3 a 1 no agregado. Desde então, os clássicos têm sido marcados por equilíbrio e emoção, mas o Tricolor chega ao confronto atual em melhor momento, embalado por uma temporada de destaque, incluindo a classificação para a Libertadores. O Vitória, por sua vez, tenta retomar o protagonismo estadual após um 2024 de altos e baixos.
Com a vantagem construída na Fonte Nova, o Bahia está a 90 minutos de erguer sua 51ª taça estadual. Já o Vitória, apoiado por sua torcida no Barradão, promete lutar até o fim para manter viva a esperança de um título que não vem desde 2017. O próximo domingo definirá o campeão baiano de 2025, em um clássico que promete mais capítulos para essa rivalidade centenária.







