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O boxe está oficialmente confirmado como parte do programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A decisão, anunciada nesta quinta-feira durante a 144ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI), na Costa Navarino, Grécia, foi aprovada por unanimidade pelos 109 membros votantes. Karl Stoss, presidente da Comissão do Programa Olímpico, liderou o anúncio que põe fim a anos de incerteza sobre o futuro da modalidade, presente nas Olimpíadas desde 1904. A votação sacramentou a recomendação feita pelo Comitê Executivo do COI na última segunda-feira, consolidando a permanência do esporte que enfrentou desafios significativos nos últimos ciclos olímpicos devido a escândalos e disputas administrativas.

A história recente do boxe olímpico foi marcada por turbulências. A Associação Internacional de Boxe (IBA), antiga gestora da modalidade, perdeu o reconhecimento do COI em 2023 após uma série de denúncias de corrupção, má gestão financeira e irregularidades éticas. Isso levou o COI a assumir diretamente a organização dos torneios em Tóquio 2020 e Paris 2024, utilizando forças-tarefas para garantir a realização das competições. Agora, com a ascensão da World Boxing, reconhecida provisoriamente pelo COI em fevereiro de 2024 como nova federação internacional, o esporte ganha um novo capítulo e uma base mais sólida para seguir no movimento olímpico.

A relevância do boxe para os Jogos é inegável. Em Paris 2024, a modalidade destacou-se como a mais diversa em termos de pódios, com 32 dos 68 comitês olímpicos nacionais participantes conquistando medalhas nas 13 categorias disputadas. Entre os destaques, o Brasil assegurou um bronze com Beatriz Ferreira na categoria até 60kg, reforçando a tradição do país no esporte. A decisão do COI não apenas preserva essa história, mas também abre caminho para o crescimento global do boxe sob uma gestão renovada.

Caminho até a confirmação em Los Angeles

World Boxing assume o comando e ganha confiança do COI

A trajetória para garantir o boxe em Los Angeles 2028 passou por uma reestruturação profunda. Após o banimento da IBA, a World Boxing surgiu em 2023 como uma alternativa liderada por federações dissidentes, com o objetivo de resgatar a credibilidade do esporte. Em menos de dois anos, a entidade alcançou a marca de 84 confederações nacionais filiadas, incluindo a Confederação Brasileira de Boxe, e estabeleceu parcerias estratégicas, como a adesão à Alliance of Independent Recognised Members of Sport (AIMS). Esse crescimento rápido foi essencial para conquistar o reconhecimento provisório do COI em fevereiro de 2024.

Boris van der Vorst, presidente da World Boxing, celebrou a decisão como um marco histórico. Ele enfatizou o compromisso da entidade em trabalhar como parceira confiável do COI, aderindo aos valores da Carta Olímpica e promovendo o desenvolvimento do boxe em todos os níveis, desde categorias de base até competições de elite. A organização também implementou medidas como um Código de Ética, uma Política de Conflito de Interesses e um acordo comercial plurianual que assegura estabilidade financeira até 2028, atendendo às exigências do COI por transparência e sustentabilidade.

Um esporte de impacto global

Presente em Paris 2024 sob supervisão direta do COI, o boxe demonstrou seu alcance global. Dos competidores que subiram ao ringue, 62% pertenciam a federações afiliadas à World Boxing, e 58% das medalhas foram conquistadas por atletas ligados à entidade. Além disso, o esporte atraiu mais de 200 milhões de espectadores em todo o mundo durante os Jogos, evidenciando seu apelo comercial e cultural. Países como Uzbequistão, que liderou o quadro de medalhas com cinco ouros, e Brasil, com seu bronze, exemplificam a força e a diversidade da modalidade.

Histórico e desafios superados

Da crise da IBA à nova era do boxe olímpico

O boxe enfrentou sua maior crise a partir de 2019, quando o COI suspendeu a IBA por problemas de governança e irregularidades financeiras. A situação escalou em 2023, com a exclusão definitiva da entidade, então liderada pelo russo Umar Kremlev e financiada majoritariamente pela Gazprom. Acusações de manipulação de resultados e falta de transparência comprometeram a confiança no órgão, forçando o COI a intervir diretamente nas Olimpíadas de Tóquio e Paris. Apesar disso, a modalidade manteve sua relevância, com nomes como Beatriz Ferreira e o cubano Julio César de La Cruz brilhando nos ringues.

Com a criação da World Boxing, o cenário mudou. A nova federação rapidamente consolidou uma base global, alcançando representatividade em todos os cinco continentes e estruturando quatro confederações continentais. A adesão de nações como Uzbequistão, Cazaquistão e Guatemala, somada ao apoio de potências tradicionais do boxe, fortaleceu a entidade. Em novembro de 2024, a World Boxing realizou seu primeiro campeonato sub-19 e anunciou a etapa final da Copa do Mundo em Sheffield, Inglaterra, com mais de 120 boxeadores de 20 países, mostrando capacidade organizacional.

Calendário do boxe rumo a 2028

A preparação para Los Angeles 2028 já está em andamento. A World Boxing planeja um cronograma robusto para os próximos anos, com eventos que solidifiquem sua posição e garantam a qualificação dos atletas. Confira as principais datas previstas:

  • Setembro de 2025: Primeiro Campeonato Mundial Elite, em Liverpool, Inglaterra, reunindo os melhores boxeadores do planeta.
  • 2027: Início das eliminatórias continentais e mundiais para definir os competidores de Los Angeles 2028.
  • Julho de 2028: Disputa das medalhas nos Jogos Olímpicos, com preliminares e finais em locais ainda a definir.

Esse planejamento reflete o compromisso da entidade em manter o boxe competitivo e acessível, com foco na igualdade de gênero e na inclusão de novos talentos.

Impacto para o Brasil e o futuro do esporte

Tradição brasileira no boxe olímpico

O Brasil tem um histórico de peso no boxe olímpico, com nove medalhas conquistadas desde 1968, quando Servílio de Oliveira abriu o caminho com um bronze na Cidade do México. Nos últimos ciclos, a modalidade tornou-se uma fonte consistente de pódios, com destaque para o ouro de Robson Conceição na Rio 2016 e o bronze de Beatriz Ferreira em Paris 2024. A Confederação Brasileira de Boxe, agora filiada à World Boxing, vê na decisão do COI uma oportunidade de fortalecer sua base e buscar mais conquistas em 2028.

Atletas como Keno Marley, que subiu de categoria após Tóquio 2020, e Jucielen Romeu, ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2023, despontam como promessas para o próximo ciclo. A estrutura oferecida pela World Boxing, com competições regulares e suporte técnico, pode ampliar as chances brasileiras de subir ao pódio em Los Angeles, mantendo o país entre as nações competitivas da modalidade.

O que esperar do boxe em Los Angeles 2028

A confirmação do boxe em 2028 traz alívio para atletas, federações e fãs. Diferentemente de Paris 2024, quando o COI gerenciou diretamente o torneio, a World Boxing terá a missão de organizar as eliminatórias e a competição olímpica, com supervisão do comitê. A entidade já representa a maioria dos competidores de elite, o que garante continuidade e qualidade técnica. Além disso, a modalidade seguirá com 13 categorias, equilibrando sete divisões masculinas e seis femininas, em linha com a busca do COI por igualdade de gênero.

Para os fãs brasileiros, a expectativa é alta. O boxe, que já rendeu momentos históricos como a prata de Esquiva Falcão em Londres 2012 e o ouro de Hebert Conceição em Tóquio 2020, tem potencial para brilhar novamente. A combinação de tradição, novos talentos e uma gestão renovada no cenário internacional sugere que o esporte está pronto para um futuro promissor nos ringues olímpicos.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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