Anvisa suspende Colgate Clean Mint após 13 casos de reações adversas em 2025Por Carolina Costa
10 min de leitura
![]() |
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária interditou, na quarta-feira, 26 de março, a pasta de dente Colgate Clean Mint em todo o território nacional. A medida, de caráter cautelar, foi tomada após o registro de eventos adversos que afetaram consumidores, com relatos de sintomas como inchaço, ardência e irritação na boca. A decisão tem validade inicial de 90 dias e reflete uma resposta rápida do órgão regulador a queixas acumuladas desde o início do ano. A Colgate, por sua vez, tem a possibilidade de recorrer, enquanto consumidores buscam esclarecimentos sobre os riscos associados ao produto.
Determinou-se a suspensão depois que pelo menos oito notificações, envolvendo 13 casos distintos, chegaram ao conhecimento da Anvisa entre 1º de janeiro e 19 de março. Os problemas relatados incluem desde reações leves, como boca seca e vermelhidão, até situações mais incômodas, como inchaço nas amígdalas e dormência nos lábios. A pasta interditada pertence a uma linha reformulada da marca, que substituiu o fluoreto de sódio pelo fluoreto de estanho na composição, mudança implementada no segundo semestre de 2024.
????ATENÇÃO: Comercialização do creme dental da Colgate foi PROIBIDO pela ANVISA por denúncias de reações após uso.
— CHOQUEI (@choquei) March 27, 2025
Pessoas relataram que sentiram: Inchaço nas amígdalas, lábios e mucosa oral; sensação de ardência dormência nos lábios e na boca; boca seca; gengiva irritada e… pic.twitter.com/Ee5t9quxEq
No centro da controvérsia está a nova fórmula da Colgate, lançada como parte de uma atualização da linha Total 12, agora chamada de Clean Mint. A empresa destaca que o fluoreto de estanho é seguro e amplamente utilizado em cremes dentais ao redor do mundo, resultado de mais de uma década de pesquisas e testes. Apesar disso, a interdição levanta questionamentos sobre a adaptação do produto ao mercado brasileiro e os impactos em uma minoria sensível ao ingrediente.
Reações adversas preocupam consumidores
Casos de desconforto após o uso da pasta de dente começaram a ganhar visibilidade ainda em 2024, mas foi em 2025 que as queixas se intensificaram. Consumidores relataram experiências que vão além de uma simples irritação, descrevendo sintomas que afetaram a rotina diária. Entre os mais citados estão a sensação de queimação na mucosa oral e a presença de aftas, o que levou muitos a interromperem o uso por conta própria antes mesmo da decisão oficial da Anvisa.
A advogada Luiza Guimarães, por exemplo, compartilhou em redes sociais sua experiência com ferimentos na boca que só cessaram após abandonar o produto. Já o estudante Pedro Maciel, de 25 anos, enfrentou um quadro mais grave, com dezenas de aftas que o impediram de se alimentar normalmente por quase uma semana. Esses relatos individuais ecoam as notificações registradas pela agência, evidenciando um padrão que justificou a medida cautelar.
O que dizem os envolvidos
A Colgate-Palmolive, fabricante da pasta, reforça que o fluoreto de estanho passou por testes rigorosos e é aprovado por agências regulatórias globais. A empresa reconhece, contudo, que uma pequena parcela de usuários pode apresentar sensibilidade ao composto, recomendando a suspensão do uso em caso de reações. Até o momento, a companhia não informou se tomará medidas adicionais ou apresentará recurso contra a interdição.
Já a Anvisa mantém o monitoramento ativo do caso, incentivando que consumidores e profissionais de saúde reportem qualquer problema por meio de seu sistema online. A agência destaca que a interdição é uma ação preventiva, visando proteger a população enquanto análises mais detalhadas são conduzidas. O Conselho Federal de Odontologia, procurado para comentar o caso, afirmou que ainda aguarda posicionamento oficial da Colgate para se pronunciar.
Sintomas em destaque
Os relatos associados à Colgate Clean Mint abrangem uma gama de reações que chamaram a atenção das autoridades. Para esclarecer, os principais sintomas registrados incluem:
- Inchaço nas amígdalas, lábios e mucosa oral;
- Sensação de ardência e dormência na boca;
- Gengiva irritada e vermelhidão;
- Boca seca e aparecimento de aftas.
Esses efeitos, segundo especialistas, podem variar de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como predisposição a alergias ou sensibilidade a componentes químicos.
Histórico da mudança na fórmula
A reformulação da linha Colgate Total teve início em julho de 2024, quando a marca substituiu o fluoreto de sódio, tradicionalmente usado, pelo fluoreto de estanho. Anunciada como uma evolução para oferecer maior proteção contra bactérias e doenças bucais, a nova composição foi promovida como a “melhor fórmula da história” da empresa. O lançamento oficial no Brasil ocorreu em novembro do mesmo ano, acompanhado de uma campanha publicitária que destacava benefícios como uma barreira protetora de até 24 horas.
Por trás da alteração, estava a intenção de alinhar o produto aos padrões internacionais, já que o fluoreto de estanho é comum em mercados como os Estados Unidos e a Europa. A Colgate informou que os testes envolveram consumidores brasileiros, mas os relatos de reações adversas sugerem que a adaptação ao público local pode não ter sido totalmente bem-sucedida. Desde então, a linha Clean Mint tornou-se o foco de críticas e questionamentos.
Impactos no cotidiano dos usuários
Relatos de consumidores revelam como os sintomas afetaram atividades simples do dia a dia. Pedro Maciel, por exemplo, precisou recorrer a alimentos gelados, como sorvete e açaí, para evitar a dor causada pelas aftas enquanto as lesões persistiam. Ele chegou a consultar quatro médicos, que levantaram hipóteses como estomatite e candidíase, mas sem um diagnóstico definitivo até que ele associasse o problema à pasta de dente.
Luiza Guimarães, por sua vez, descreveu o desconforto ao escovar os dentes como algo que a fazia temer a higiene bucal diária. A influenciadora, que conta com mais de 1 milhão de seguidores, usou sua plataforma para alertar sobre os possíveis riscos, destacando a dificuldade em suspeitar que um produto tão comum pudesse ser a causa. Esses casos ilustram como as reações ultrapassaram o âmbito de um simples incômodo, gerando preocupação entre os usuários habituais da marca.
A resposta da Anvisa ao problema
Diante das notificações, a Anvisa agiu rapidamente para suspender a comercialização da Colgate Clean Mint. A medida, publicada no Diário Oficial em 27 de março, reflete o papel do órgão em fiscalizar produtos que possam representar risco à saúde pública. A interdição cautelar permite que a agência conduza investigações mais aprofundadas, enquanto a empresa tem a chance de apresentar defesa ou ajustes na formulação.
O prazo de 90 dias estabelecido por lei dá à Colgate a oportunidade de contestar a decisão ou comprovar a segurança do produto. Durante esse período, a pasta não poderá ser vendida em farmácias, supermercados ou outros pontos de comércio no país. A agência também enfatiza que o sistema de notificação permanece aberto, possibilitando que novos casos sejam registrados e analisados.
Especialistas analisam o caso
Dentistas e pesquisadores já acompanham a situação, trazendo luz sobre as possíveis causas das reações. Aline Laignier, especialista em odontopediatria e ortodontia, explica que alergias a pastas de dente não são exclusivas do fluoreto de estanho. Segundo ela, outros componentes, como saborizantes ou detergentes, também podem desencadear sintomas em pessoas sensíveis, o que torna o diagnóstico mais complexo.
Jaime Aparecido Cury, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas, reforça que todos os ingredientes de cremes dentais aprovados pela Anvisa são considerados seguros para a maioria da população. Ele aponta que reações adversas, embora raras, são esperadas em uma pequena parcela de usuários, especialmente quando há mudanças em fórmulas consolidadas. Esses pareceres indicam que o problema pode estar na transição para o novo composto, mas não necessariamente na sua segurança geral.
Cronograma da polêmica
A evolução do caso da Colgate Clean Mint segue uma linha do tempo marcada por mudanças e reações:
- Julho de 2024: Colgate lança a nova fórmula com fluoreto de estanho no Brasil;
- Novembro de 2024: Início da comercialização da linha Clean Mint;
- Janeiro a março de 2025: Anvisa registra 8 notificações com 13 casos de eventos adversos;
- 26 de março de 2025: Interdição cautelar é determinada;
- 27 de março de 2025: Decisão é publicada no Diário Oficial.
Esse calendário destaca a rapidez com que as autoridades reagiram após o aumento das queixas.
Repercussão entre consumidores e no mercado
A suspensão da Colgate Clean Mint gerou debates entre usuários nas redes sociais, onde muitos compartilharam experiências semelhantes às relatadas oficialmente. A hashtag relacionada ao caso ganhou tração, com consumidores pedindo mais transparência da marca e da Anvisa. Há quem defenda a qualidade da pasta, atribuindo os problemas a casos isolados, enquanto outros exigem recalls ou substituições.
No mercado, a interdição pode impactar a confiança em uma das marcas mais tradicionais de higiene bucal. A Colgate, que domina parte significativa do setor no Brasil, enfrenta agora o desafio de reconquistar consumidores afetados. Farmácias e supermercados já começaram a retirar o produto das prateleiras, seguindo a determinação da agência reguladora.
Alternativas para os afetados
Para quem usava a Colgate Clean Mint e agora busca opções, especialistas sugerem algumas medidas práticas:
- Consultar um dentista para avaliar a causa exata das reações;
- Optar por pastas com fórmulas mais simples, sem compostos como fluoreto de estanho;
- Testar produtos de outras marcas, observando possíveis sensibilidades;
- Interromper o uso imediatamente ao notar sintomas como ardência ou aftas.
Essas orientações ajudam a manter a saúde bucal sem riscos adicionais enquanto o caso é investigado.
O que esperar dos próximos passos
Com a interdição em vigor, os próximos 90 dias serão decisivos para o futuro da Colgate Clean Mint no Brasil. A empresa pode apresentar laudos técnicos ou ajustar a fórmula para atender às exigências da Anvisa, enquanto o órgão segue analisando os relatos recebidos. A possibilidade de um recall não está descartada, caso as investigações apontem falhas significativas no produto.
Consumidores afetados têm à disposição o canal de atendimento da Colgate, pelo número 0800 703 7722, para tirar dúvidas ou registrar reclamações. A Anvisa, por sua vez, mantém o sistema de notificações acessível online, reforçando a importância de reportar novos casos. A resolução do impasse dependerá dos resultados das análises técnicas e da resposta da fabricante.
Uma questão de confiança
A polêmica em torno da Colgate Clean Mint expõe os desafios de equilibrar inovação e segurança em produtos de uso diário. Para muitos brasileiros, a pasta de dente é um item essencial, cuja escolha envolve hábito e confiança na marca. A substituição de um componente tradicional por outro, mesmo que amplamente aceito em outros países, parece ter encontrado resistência em parte do público local.
Enquanto a investigação avança, a interdição serve como alerta para a importância da vigilância sanitária e do monitoramento pós-comercialização. Casos como esse mostram que até produtos testados podem gerar reações inesperadas, especialmente em populações diversas como a brasileira. A palavra final sobre a continuidade da linha Clean Mint ainda está por vir, mas o episódio já deixa marcas no relacionamento entre a Colgate e seus consumidores.







