A montadora chinesa BYD, já consolidada entre as dez marcas de automóveis mais vendidas do mundo, anunciou um plano ambicioso para dobrar suas vendas internacionais em 2025, alcançando a marca de 800 mil unidades fora da China. Wang Chuanfu, presidente da companhia, revelou a meta em uma conferência com analistas, destacando a estratégia de montar veículos localmente para driblar tarifas de importação impostas por diversos países. Em 2024, a BYD exportou 417.204 carros, e agora aposta em mercados como o Reino Unido, América Latina e Sudeste Asiático para impulsionar seu crescimento global. No Brasil, onde a empresa está construindo uma fábrica em Camaçari, na Bahia, a expectativa é que a produção local fortaleça sua presença na região, aproveitando a receptividade a marcas chinesas e a demanda por veículos elétricos e híbridos. O Song Plus, nono carro mais vendido do mundo no ano passado com 570 mil unidades, é um dos destaques dessa expansão, sendo comercializado no mercado brasileiro em versões que variam de R$ 194.800 a R$ 299.800.
A BYD encerrou 2024 com 4,27 milhões de veículos vendidos globalmente, um aumento de 41,3% em relação ao ano anterior, consolidando sua posição como líder em vendas de veículos de nova energia, que incluem elétricos puros e híbridos plug-in. No Brasil, o mercado de eletrificados cresceu 145% nos primeiros meses do ano passado, e a marca chinesa liderou com 76.713 unidades registradas, um salto de 327,68% em comparação com 2023. A fábrica brasileira, com início de operações previsto para maio de 2025, terá capacidade inicial de 150 mil unidades anuais, podendo chegar a 300 mil, e promete gerar 10 mil empregos diretos até o fim deste ano e 20 mil até 2026. Esse movimento reflete a aposta da BYD em aproveitar incentivos locais e reduzir custos logísticos, enquanto concorrentes como Toyota e Volkswagen mantêm liderança em volume total.
A América Latina é vista como um terreno fértil para a expansão da BYD, especialmente com modelos como o Dolphin, que já é o elétrico mais vendido no Brasil, e a picape Shark, recém-lançada no México. Wang Chuanfu enfatizou que os governos e consumidores da região têm uma postura amigável em relação às marcas chinesas, o que abre portas para um crescimento rápido. Enquanto isso, o Reino Unido, com seu mercado aberto a produtos competitivos, também está no radar da montadora, que planeja aumentar sua participação com uma oferta diversificada de elétricos e híbridos acessíveis.
Song Plus brilha entre os mais vendidos do mundo
O destaque da BYD no ranking global de 2024 foi o Song Plus, que conquistou o nono lugar entre os carros mais vendidos, com 570 mil unidades emplacadas. No Brasil, o modelo híbrido plug-in respondeu por 27.700 vendas, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, consolidando-se como um sucesso local. Disponível em três versões – Pro GL, Pro GS e Plus –, o SUV combina motor elétrico com combustão, oferecendo autonomia elétrica de até 51 km e preços que começam em R$ 194.800 e chegam a R$ 299.800 na configuração Premium.
A ascensão do Song Plus reflete a força da BYD no segmento de veículos híbridos, que representaram 2,48 milhões das vendas globais da marca em 2024, um aumento de 72,8% em relação a 2023. Já os elétricos puros, como o Dolphin, somaram 1,76 milhão de unidades, com alta de 12,1%. No Brasil, o modelo é oferecido em quatro configurações, adaptadas às necessidades locais, com acabamento premium e tecnologia que inclui central multimídia de 12,8 polegadas e assistentes de condução.
A presença do Song Plus no top 10 mundial, ao lado de gigantes como Toyota Corolla e Tesla Model Y, evidencia a capacidade da BYD de competir em escala global. Enquanto o Toyota RAV4 liderou entre os SUVs com 1,02 milhão de unidades, o Song Plus se destaca por seu preço competitivo e proposta híbrida, atraindo consumidores que buscam economia de combustível e menor impacto ambiental.
Fábrica no Brasil impulsiona planos na América Latina
A construção da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, é um marco na estratégia de expansão da montadora na América Latina. Anunciada em julho de 2023 com um investimento de R$ 3 bilhões, a planta ocupará o terreno de uma antiga unidade da Ford e terá capacidade para produzir até 300 mil veículos por ano. A produção inicial, prevista para maio de 2025, focará em modelos como o Dolphin, Yuan Plus e Song Plus DM-i, com a possibilidade de incluir a picape Shark no futuro.
No Brasil, a BYD já é a maior marca de elétricos, com o Dolphin liderando as vendas do segmento. Em 2024, foram registrados 76.713 veículos da marca, um crescimento expressivo que a coloca como a oitava em vendas gerais no país. A fábrica local não só atenderá o mercado brasileiro, mas também servirá como base de exportação para outros países da região, aproveitando acordos comerciais que reduzem barreiras tarifárias.
A escolha do Brasil como hub regional reflete a visão de Wang Chuanfu de explorar “grandes oportunidades” na América Latina. Países como Chile, que planeja eletrificar 40% de sua frota até 2050, e Colômbia, com meta de 600 mil elétricos até 2030, estão no radar da BYD, que já exportou mais de 74 mil unidades para a região em 2024. A produção local evitará os custos de importação, que subiram com tarifas de 10% a 35% no Brasil desde janeiro.
Crescimento global da BYD em números
A BYD fechou 2024 com números impressionantes que a colocam entre as gigantes do setor automotivo. Foram 4,27 milhões de veículos vendidos globalmente, dos quais 417.204 fora da China, um aumento de 71,86% em relação ao ano anterior. A marca ficou em nono lugar entre os grupos automotivos mais vendidos, com 3,82 milhões de unidades sob a bandeira BYD, atrás de Toyota (10,39 milhões) e Volkswagen (8,48 milhões), mas à frente de Suzuki (3,09 milhões).
Entre as marcas individuais, a BYD ficou em terceiro lugar, com 3,80 milhões de carros, superada apenas por Toyota (9,09 milhões) e Volkswagen (4,93 milhões). O Tesla Model Y liderou o ranking de modelos, com 1,09 milhão de unidades, enquanto o Song Plus entrou no top 10 com 570 mil. No Brasil, a marca registrou 10.091 emplacamentos em dezembro, consolidando sua posição no mercado nacional.
A estratégia de dobrar as vendas externas para 800 mil unidades em 2025 depende da expansão em mercados como Reino Unido, onde a BYD vê potencial de crescimento, e Sudeste Asiático, com fábricas em construção na Tailândia e Indonésia. A América Latina, com o Brasil à frente, será um pilar essencial nesse plano, apoiada pela produção local e pela demanda crescente por eletrificados.
- Vendas globais da BYD em 2024: 4,27 milhões.
- Exportações em 2024: 417.204 unidades.
- Song Plus no mundo: 570 mil unidades.
- Registro no Brasil em 2024: 76.713 unidades.
Desafios e oportunidades no caminho da BYD
A BYD enfrenta desafios significativos para atingir sua meta de 800 mil vendas externas. Nos Estados Unidos e Canadá, tarifas de 100% impostas às importações chinesas limitam a presença da marca, levando Wang Chuanfu a descartar esses mercados no curto prazo. Na Europa, tarifas da União Europeia sobre elétricos chineses, que chegam a 35%, pressionam a montadora a acelerar a construção de uma fábrica na Hungria, prevista para 2026.
Na América Latina, a BYD lida com entraves locais, como as condições trabalhistas em sua obra no Brasil. Em dezembro de 2024, mais de 160 trabalhadores foram resgatados da construção da fábrica em Camaçari, sob acusações de trabalho análogo à escravidão por parte da empreiteira Jinjiang Construction Brazil. A montadora cortou laços com a empresa e reiterou seu compromisso com a legislação brasileira, mas o episódio pode impactar sua imagem na região.
Apesar disso, as oportunidades superam os obstáculos. A BYD domina 60% das vendas de elétricos no Brasil, onde o Dolphin recebeu cinco estrelas no Latin NCAP, reforçando sua reputação de segurança. A picape Shark, lançada no México com motor híbrido de 430 cavalos, já atrai atenção e pode ser produzida em Camaçari, ampliando a oferta da marca na região.
Tecnologia e inovação como diferencial
A BYD aposta em inovação para sustentar seu crescimento. Em 2024, a marca lançou o sistema de supercarga que adiciona 250 milhas de autonomia em cinco minutos, superando os 15 minutos do Tesla Supercharger para 200 milhas. O sistema “God’s Eye”, de assistência avançada ao motorista, foi introduzido em 21 modelos sem custo extra, desafiando o Full Self-Driving da Tesla, que custa US$ 99 mensais nos EUA.
No Brasil, o Song Plus DM-i utiliza tecnologia híbrida flex, adaptada ao etanol, um diferencial no mercado local que consome 80% de combustíveis renováveis. A fábrica de Camaçari também processará lítio brasileiro para baterias, exportando para a China, o que reforça a integração vertical da BYD na cadeia de suprimentos global.
A capacidade de produzir 75% dos componentes internamente, como no sedã Seal, dá à BYD uma vantagem de custo de 35% sobre concorrentes como a Volkswagen. Com 194,7 GWh de baterias instaladas em 2024, a empresa mantém sua liderança em tecnologia de energia, essencial para sua expansão.
Competição acirrada no mercado global
A BYD enfrenta gigantes como Toyota, que vendeu 10,39 milhões de veículos em 2024, e Volkswagen, com 8,48 milhões. O Toyota Corolla, com 1,08 milhão de unidades, e o RAV4, com 1,02 milhão, dominam o ranking individual, enquanto o Tesla Model Y lidera os elétricos com 1,09 milhão. No segmento híbrido, o Song Plus se destaca, mas enfrenta o Hyundai Tucson (610 mil) e o Honda CR-V (740 mil).
No Brasil, a BYD compete com o Jeep Compass, que lidera os SUVs médios, e o Toyota Corolla Cross, forte entre os híbridos flex. A produção local em Camaçari pode reduzir preços e desafiar esses rivais, especialmente se a marca mantiver a estratégia de oferecer modelos acessíveis como o Dolphin Mini, lançado no México por US$ 20 mil.
A meta de 800 mil vendas externas coloca a BYD em rota de colisão com a Tesla, que entregou 1,79 milhão de elétricos em 2024, mas viu uma queda de 1,1%. A BYD, com sua diversidade de híbridos e elétricos, tem uma vantagem em mercados emergentes, onde a infraestrutura de recarga ainda é limitada.
Cronograma da expansão da BYD
A BYD segue um plano estruturado para alcançar suas metas globais. Veja as principais datas:
- Maio de 2025: Início da produção na fábrica de Camaçari, Brasil.
- Final de 2025: 10 mil empregos diretos gerados no Brasil.
- Início de 2026: Fábrica na Indonésia entra em operação.
- 2026: 20 mil empregos no Brasil e fábrica na Hungria concluída.
Esse cronograma reflete o foco da BYD em acelerar a produção local para atender à demanda crescente e superar barreiras comerciais.
Impacto econômico e ambiental da BYD
A chegada da BYD ao Brasil promete transformar o cenário automotivo e econômico. Com 250 lojas planejadas até o fim de 2024, a marca já movimenta o mercado de trabalho e a economia local. A produção de 150 mil veículos anuais em Camaçari deve injetar bilhões de reais na Bahia, enquanto o processamento de lítio fortalece a cadeia de suprimentos verde.
Ambientalmente, a BYD lidera a transição para a mobilidade elétrica na América Latina, onde as vendas de eletrificados passaram de 2% para 6% em dois anos. No Brasil, o Dolphin e o Song Plus reduzem emissões em um país que já utiliza etanol em larga escala, alinhando-se às metas globais de descarbonização.
A meta de 800 mil vendas externas em 2025 reforça o papel da BYD como protagonista na eletrificação global, com o Brasil como peça-chave na América Latina. A combinação de preços acessíveis, tecnologia avançada e produção local posiciona a marca como uma força disruptiva no setor.
