O Governo Federal e órgãos estaduais e municipais emitiram alertas sobre fraudes que utilizam o nome do Cadastro Único (CadÚnico), base de dados que identifica famílias de baixa renda no Brasil, para enviar links falsos por WhatsApp, SMS e e-mail. Os criminosos exigem senhas de acesso, coleta de informações pessoais e o pagamento de taxas via Pix sob a ameaça de bloqueio imediato de benefícios sociais.
De acordo com a Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (SAGICAD), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e chefiada pela secretária Letícia Bartholo de Oliveira e Silva, a administração pública não faz contato eletrônico para pedir recadastramento. A inscrição no sistema e a revisão de informações das famílias são procedimentos gratuitos e realizados de forma presencial.
“A Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único NÃO envia links para atualização cadastral. A inscrição e atualização no Cadastro Único são feitas exclusivamente de forma presencial, nos municípios em que as famílias residem”, informou a secretaria do MDS em comunicado oficial.
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Como operam as fraudes em nome do Cadastro Único e do CRAS
As abordagens criminosas utilizam a identidade visual do Governo Federal, do portal gov.br, da Caixa Econômica Federal e dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), unidades públicas municipais responsáveis pelo atendimento assistencial. Com mensagens em tom de urgência, os textos afirmam que o cidadão perderá o acesso a programas como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, ou a Tarifa Social de Energia Elétrica, que concede descontos na conta de luz, caso não preencha um formulário imediato.
Ao clicar nos endereços eletrônicos enviados pelos golpistas, a vítima é direcionada para páginas falsas que imitam portais públicos para roubar dados (prática conhecida como phishing). Para dar aparência de legitimidade à cobrança ou à exigência de recadastramento, as páginas fraudulentas frequentemente exibem informações reais do cidadão obtidas em vazamentos anteriores na internet, como número do CPF, data de nascimento, endereço residencial e nomes de familiares. Em seguida, o formulário solicita o Número de Identificação Social (NIS), dados bancários e a senha da conta gov.br, credencial digital única do cidadão para acessar serviços federais. Com esse material em mãos, os grupos esvaziam contas bancárias e contratam empréstimos fraudulentos em nome dos titulares.
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Uma das formas de identificar a fraude está no endereço eletrônico exibido no navegador, já que os órgãos federais utilizam exclusivamente a terminação oficial .gov.br, enquanto as páginas falsas são hospedadas em domínios genéricos privados:
- Endereços terminados em .sbs, .app e .org;
- Páginas registradas com as extensões .shop, .site e .cfd.
Cobrança falsa de R$ 39,78 via Pix e regras de programas sociais
Além da captura de senhas, variações do golpe exigem transferências financeiras sob o pretexto de quitar taxas administrativas do CRAS ou liberar vagas em iniciativas vinculadas à base de dados, como a CNH Social, programa que oferece habilitação de trânsito gratuita para baixa renda. Em um dos formatos identificados, a página fraudulenta aponta uma suposta inadimplência cadastral e gera um código QR Code de Pix no valor de R$ 39,78, estipulando um prazo de 10 minutos para o pagamento sob ameaça de cancelamento definitivo do benefício.
“Nenhum órgão do governo entra em contato via WhatsApp para cobrar dívidas, oferecer benefícios ou ameaçar bloqueios. Cobranças legítimas seguem processos formais, com prazos legais, e são comunicadas por canais oficiais”, declarou a administração do portal gov.br.
A inscrição e a manutenção do registro no Cadastro Único são isentas de qualquer cobrança, mas estar inscrito na base de dados não garante a entrada automática em programas sociais, pois cada iniciativa possui regras próprias de seleção e limites específicos de renda. No estado do Paraná, por exemplo, o acesso de inscritos no CadÚnico a programas como a CNH Social exige renda familiar mensal de até 3 salários mínimos. Já em Minas Gerais, o critério utilizado no CadÚnico para conceder isenção de taxas públicas na emissão da segunda via da Carteira de Identidade Nacional (CIN) é ter renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa.
Diante do uso do programa de habilitação gratuita como isca para cobranças ilegais de boletos e transferências, o diretor-presidente do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), Santin Roveda, orientou os moradores a conferirem apenas os canais formais da administração estadual. “Não clique em links, não ceda seus dados para um estranho, não faça pix, nem pague boletos ou faça transferências. Verifique sempre as páginas e aplicativos oficiais do Governo do Estado para não ter prejuízo”, afirmou Roveda.
Alertas emitidos pelo Governo Federal e prefeituras entre 2024 e 2026
O uso de mensagens eletrônicas para enganar famílias inscritas em programas sociais motivou diferentes comunicados técnicos de órgãos federais e municipais ao longo dos últimos anos:
- 20 de março de 2024: publicação do alerta oficial do MDS contra mensagens falsas que prometiam atualização do Cadastro Único pela internet;
- 20 de março de 2025: emissão do Informe nº 64 pelo MDS sobre e-mails fraudulentos que alegavam instabilidade no Portal de Gestão do Cadastro Único para induzir o clique em links de confirmação de dados;
- 11 de fevereiro de 2026: comunicado do portal gov.br a respeito de páginas falsas que simulam sistemas oficiais para exigir taxas via Pix;
- 13 de fevereiro de 2026: aviso do portal gov.br sobre o uso de contas comerciais no WhatsApp com símbolos da República para cobrar pagamentos indevidos;
- 1 de abril de 2026: registro de novos alertas sobre campanhas pelo WhatsApp prometendo recadastramento online;
- 8 de julho de 2026: alerta da Prefeitura de Franca (SP) sobre golpistas que utilizavam o nome do CRAS Leste, com orientação para que os moradores confirmem a identidade de servidores e a realização de visitas diretamente com a unidade da região.
Onde atualizar o Cadastro Único com segurança e denunciar golpes
Todas as famílias inscritas ou que precisam se inscrever no Cadastro Único para acessar benefícios federais, estaduais ou municipais devem procurar atendimento presencial no CRAS ou nos postos de cadastramento da prefeitura do município onde moram. Para o atendimento presencial, o responsável familiar deve apresentar documentos pessoais como o CPF e informações de endereço e dos demais moradores da residência, sem o pagamento de nenhuma taxa em nenhuma etapa do processo.
Quando o cidadão recebe mensagens suspeitas por celular ou e-mail cobrando valores ou pedindo senhas da conta gov.br, a orientação oficial é não clicar nos links, não fornecer números de CPF ou NIS a desconhecidos e não realizar pagamentos via Pix ou boleto. Dúvidas sobre a situação do cadastro e denúncias de tentativas de golpe devem ser registradas gratuitamente pelo telefone 121, do Disque Social do MDS, ou enviadas pela plataforma Fala.BR, canal de Ouvidoria e Acesso à Informação do Governo Federal.
