Após 4 a 1 da Argentina, Dorival Júnior sai e Jorge Jesus surge como favorito na seleçãoPor Luís Henrique Costa
12 min de leitura
![]() |
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, nesta sexta-feira, 28 de março, a demissão de Dorival Júnior do comando da seleção brasileira masculina, encerrando um ciclo de 16 jogos que começou em janeiro de 2024. A decisão, tomada pelo presidente Ednaldo Rodrigues em reunião na sede da entidade, no Rio de Janeiro, veio após uma sequência de resultados decepcionantes, com o ápice sendo a goleada de 4 a 1 sofrida para a Argentina, na terça-feira, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Junto com Dorival, os auxiliares Lucas Silvestre e Pedro Sotero, além do preparador físico Celso Resende, também deixaram seus cargos. A CBF informou que a busca por um substituto começou imediatamente, e o português Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo, desponta como favorito para assumir a vaga, enquanto Carlo Ancelotti, outro nome cogitado, segue comprometido com o Real Madrid até meados de 2026. O anúncio foi feito em nota oficial no site da entidade, acompanhado de um pronunciamento de Ednaldo à imprensa, sem abertura para perguntas, destacando o fim do ciclo e os agradecimentos ao treinador pelo trabalho realizado.
Dorival Júnior deixa a seleção com um aproveitamento de 58,3%, resultado de sete vitórias, sete empates e duas derrotas em 16 partidas, com 25 gols marcados e 17 sofridos. A saída marca o quarto treinador neste ciclo para a Copa de 2026, após Tite, Ramon Menezes e Fernando Diniz, evidenciando a instabilidade no comando técnico da equipe. A pressão sobre Dorival já vinha crescendo desde a eliminação nas quartas de final da Copa América de 2024, contra o Uruguai, mas a derrota para a Argentina, rival histórico, expôs fragilidades táticas e acabou selando seu destino. Enquanto isso, Jorge Jesus, que conquistou a Copa Libertadores e o Brasileirão com o Flamengo em 2019, surge como uma opção concreta, trazendo experiência e um estilo de jogo ofensivo que pode agradar aos torcedores.
Com os próximos jogos da seleção marcados apenas para junho, contra Equador e Paraguai pelas Eliminatórias, a CBF ganhou um prazo para definir o novo comandante. A entidade manteve no cargo o diretor de seleções, Rodrigo Caetano, o coordenador técnico Juan e o gerente Cícero Souza, que devem participar do processo de escolha do substituto. A goleada sofrida em Buenos Aires, com apenas um chute a gol do Brasil apesar de nomes como Vinícius Júnior, Rodrygo e Raphinha em campo, tornou evidente a necessidade de mudanças, e o nome de Jorge Jesus já anima os debates entre os fãs, que esperam um técnico capaz de recolocar a seleção no caminho das vitórias.

Reação imediata à demissão
A notícia da saída de Dorival Júnior pegou muitos de surpresa, mas não foi inesperada para quem acompanhava o desempenho da seleção. Após a derrota para a Argentina, o técnico assumiu a responsabilidade pelo resultado, afirmando em coletiva que estava ciente da gravidade do momento, mas que acreditava no potencial de recuperação da equipe. Apesar disso, a reunião com Ednaldo Rodrigues na sede da CBF definiu o fim de sua passagem, encerrando um período de pouco mais de um ano no cargo.
A torcida brasileira, frustrada com as atuações recentes, já especula sobre o futuro. Jorge Jesus, com seu histórico vitorioso no futebol brasileiro, é visto como uma escolha que pode trazer estabilidade e resultados rápidos. O treinador português, atualmente no Al Hilal, da Arábia Saudita, tem contrato até meados do ano, mas sua disponibilidade antes do Mundial de Clubes, entre junho e julho, é um fator que pesa a seu favor na visão da CBF.
Desempenho de Dorival em números
- Sete vitórias: Incluem amistosos contra Inglaterra (1 a 0) e México (3 a 2), além de jogos das Eliminatórias.
- Sete empates: Destaque para o 3 a 3 contra a Espanha e o 0 a 0 com o Uruguai na Copa América.
- Duas derrotas: Perdas para Paraguai (1 a 0) e Argentina (4 a 1) nas Eliminatórias.
Pressão crescente e o jogo contra a Argentina
A passagem de Dorival Júnior pela seleção foi marcada por altos e baixos desde o início. Contratado em janeiro de 2024 para substituir Fernando Diniz, que comandou o time interinamente por seis jogos, o treinador chegou com a missão de reerguer uma equipe que saiu abalada da Copa do Mundo de 2022, eliminada nas quartas de final pelo Croácia nos pênaltis. Sob seu comando, o Brasil começou com sinais positivos, como a vitória sobre a Inglaterra em Wembley e o empate emocionante contra a Espanha, mas os resultados nas Eliminatórias e na Copa América não corresponderam às expectativas.
O técnico enfrentou críticas por não conseguir extrair o melhor de um elenco repleto de talentos, como Vinícius Júnior, Rodrygo, Raphinha e Matheus Cunha. Na Copa América, realizada em julho de 2024 nos Estados Unidos, a seleção venceu apenas um jogo na fase de grupos e caiu nas quartas de final para o Uruguai, em uma disputa de pênaltis após empate sem gols, mesmo com o adversário tendo um jogador a menos por quase 20 minutos. A eliminação já havia colocado Dorival sob pressão, mas ele conseguiu se manter no cargo com a promessa de ajustes.
Reunir um time competitivo tornou-se ainda mais desafiador com a ausência de Neymar, maior artilheiro da história da seleção, que sofreu uma lesão grave no joelho em outubro de 2023 e segue em recuperação. Sem o camisa 10, o Brasil perdeu poder de decisão, e a goleada para a Argentina na última terça-feira expôs essas fragilidades. Com apenas um chute a gol em 90 minutos, a seleção foi dominada pelo rival, que aproveitou falhas defensivas e a falta de criatividade no ataque para construir o placar de 4 a 1, resultado que ecoou como um alerta na CBF.
Jorge Jesus na mira da CBF
Com a saída de Dorival Júnior confirmada, a CBF voltou seus olhos para Jorge Jesus, treinador português que deixou uma marca indelével no futebol brasileiro ao comandar o Flamengo em 2019. Naquele ano, ele levou o clube carioca a conquistas históricas, como a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro, com um estilo de jogo ofensivo e intenso que encantou torcedores e impressionou o cenário nacional. Atualmente no Al Hilal, onde também acumula títulos, como a Liga Saudita, Jesus é visto como um nome capaz de trazer organização tática e confiança à seleção.
A escolha por Jorge Jesus ganhou força após a CBF descartar, por ora, uma nova investida por Carlo Ancelotti. O italiano, preferido de Ednaldo Rodrigues desde 2023, renovou seu contrato com o Real Madrid até junho de 2026 e, em entrevista recente, reafirmou seu compromisso com o clube espanhol, afastando rumores de uma mudança para o Brasil. A proximidade do Mundial de Clubes, que acontece entre junho e julho, também pesa contra Ancelotti, já que a CBF busca um técnico disponível para assumir antes desse período e preparar o time para os jogos de junho pelas Eliminatórias.
Além de Jesus, outros nomes como Abel Ferreira, do Palmeiras, e até o ex-lateral Filipe Luís, que inicia carreira como técnico, foram mencionados, mas o português lidera as preferências por sua experiência e sucesso comprovado. A CBF planeja iniciar negociações nos próximos dias, aproveitando o intervalo até os compromissos de junho para definir o novo comandante e ajustar o planejamento para a Copa de 2026.
Trajetória de Dorival na seleção
Dorival Júnior assumiu a seleção em janeiro de 2024, após uma passagem vitoriosa pelo São Paulo, onde conquistou a Copa do Brasil em 2023. Antes disso, ele havia comandado o Flamengo em 2022, levando o clube aos títulos da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, o que o credenciou para o cargo na seleção. Sua carreira como treinador, iniciada em 2002, inclui passagens por clubes como Santos, Atlético Mineiro, Internacional, Vasco da Gama, Fluminense e Palmeiras, acumulando experiência em mais de 20 equipes.
Apesar do currículo robusto, Dorival não conseguiu repetir o sucesso dos clubes na seleção. Em 16 jogos, obteve sete vitórias, sete empates e duas derrotas, com um aproveitamento de 58,3%. Foram 25 gols marcados e 17 sofridos, números que refletem uma equipe inconsistente, capaz de bons momentos, como a vitória contra a Inglaterra, mas também de atuações apagadas, como a derrota para a Argentina. A ausência de Neymar, somada à dificuldade em encontrar um padrão tático, marcou sua gestão.
A eliminação na Copa América e as atuações nas Eliminatórias, especialmente a goleada recente, foram decisivas para a demissão. O Brasil ocupa atualmente a quarta posição na tabela das Eliminatórias Sul-Americanas, com 17 pontos em 12 jogos, atrás de Argentina, Colômbia e Uruguai. Embora a vaga para a Copa de 2026 não esteja em risco imediato – os seis primeiros se classificam diretamente –, o desempenho abaixo do esperado para uma seleção pentacampeã mundial justificou a mudança.
Quem é Jorge Jesus
Jorge Jesus, de 70 anos, é um dos técnicos mais respeitados do futebol mundial, com uma carreira que soma mais de 30 anos. Nascido em Amadora, Portugal, ele ganhou destaque internacional ao comandar o Benfica, onde conquistou três campeonatos portugueses entre 2009 e 2015, além de chegar a duas finais da Liga Europa. Sua passagem pelo Flamengo, entre 2019 e 2020, foi um marco, com cinco títulos em menos de um ano, incluindo a Libertadores e o Brasileirão, em uma campanha avassaladora que terminou com 90% de aproveitamento.
No Al Hilal, desde 2023, Jesus mantém o nível elevado, tendo vencido a Liga Saudita e a Supercopa da Arábia Saudita. Seu estilo de jogo, marcado por pressão alta, posse de bola e ataque rápido, contrasta com a abordagem mais flexível de Dorival, e pode ser o que a CBF busca para revitalizar a seleção. A experiência em competições internacionais e a adaptação ao futebol brasileiro são pontos que fortalecem seu nome na disputa pelo cargo.
Desafios do novo treinador
O próximo técnico da seleção brasileira terá pela frente a missão de recolocar o time entre os favoritos para a Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Com apenas seis jogos disputados nas Eliminatórias até o momento em 2025, o calendário prevê confrontos contra Equador e Paraguai em junho, além de amistosos preparatórios que devem ser agendados. A recuperação de Neymar, esperada para meados do ano, também será um fator crucial para o sucesso do novo comandante.
A instabilidade no comando técnico, com quatro treinadores desde o fim da Copa de 2022, reflete a urgência por resultados consistentes. O Brasil não conquista um título mundial desde 2002 e, nas últimas cinco edições, chegou às semifinais apenas uma vez, em 2014. A pressão por desempenho e a expectativa de um futebol vistoso, típico da tradição brasileira, serão desafios imediatos para quem assumir o cargo, seja Jorge Jesus ou outro nome.
Cronograma dos próximos passos
A CBF agora trabalha contra o tempo para definir o substituto de Dorival Júnior. Os próximos compromissos da seleção incluem:
- Junho de 2025: Brasil x Equador, pelas Eliminatórias.
- Junho de 2025: Brasil x Paraguai, pelas Eliminatórias.
- Setembro de 2025: Retorno das Eliminatórias com mais duas rodadas.
O intervalo até junho dá à entidade cerca de três meses para negociar e anunciar o novo técnico, permitindo um início de trabalho antes dos jogos oficiais.
Expectativa dos torcedores
A demissão de Dorival Júnior gerou reações mistas entre os torcedores. Enquanto alguns lamentam a saída de um treinador experiente e pedem paciência, outros celebram a possibilidade de Jorge Jesus assumir, enxergando no português a chance de um futebol mais agressivo e vencedor. A goleada para a Argentina reacendeu debates sobre a qualidade do elenco e a necessidade de um comando firme, com nomes como Vinícius Júnior e Rodrygo sendo cobrados por mais protagonismo.
A torcida também aguarda ansiosamente por um técnico que consiga integrar Neymar, quando ele retornar, ao grupo de jovens talentos que dominam o ataque brasileiro. A expectativa é que o novo treinador traga um plano claro para as Eliminatórias e comece a construir uma base sólida para a Copa de 2026, resgatando o prestígio da seleção pentacampeã mundial.
Cenário das Eliminatórias
O Brasil está em quarto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, com 17 pontos em 12 rodadas, atrás de Argentina (25 pontos), Colômbia (19 pontos) e Uruguai (18 pontos). Com seis vagas diretas e uma para a repescagem, a classificação não está ameaçada, mas o desempenho preocupa. A goleada para a Argentina foi a quinta derrota no ciclo, somando-se a reveses contra Uruguai, Colômbia, Paraguai e Venezuela, evidenciando a necessidade de ajustes urgentes.
A chegada de um técnico como Jorge Jesus pode ser o diferencial para aproveitar o talento disponível e melhorar a posição na tabela. Com seis rodadas restantes após junho, o novo comandante terá tempo para implementar sua filosofia e buscar uma campanha mais sólida rumo à Copa do Mundo.







