CBF demite Dorival Júnior após goleada de 4 a 1 contra Argentina nas Eliminatórias 2026Por Jeronimo Santos
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sacramentou uma decisão que vinha sendo especulada desde a noite de terça-feira, quando a Seleção Brasileira sofreu uma derrota acachapante por 4 a 1 para a Argentina, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Dorival Júnior, técnico que comandava o time desde janeiro de 2024, foi demitido do cargo nesta sexta-feira, 28 de março. A reunião que selou o destino do treinador ocorreu na sede da entidade, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Ednaldo Rodrigues, reeleito recentemente para liderar a CBF até 2030. O anúncio oficial é aguardado ainda hoje, marcando o fim de um ciclo conturbado para o futebol brasileiro, que agora busca um novo rumo a pouco mais de um ano do Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México.
Após 16 jogos à frente da Seleção, Dorival deixa o comando com um aproveitamento de 58,3%, resultado de sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas. O desempenho, porém, não resistiu à pressão crescente, especialmente após o vexame no estádio Monumental de Núñez. A goleada sofrida diante do maior rival sul-americano foi o estopim para a decisão da CBF, que já vinha monitorando o trabalho do treinador antes mesmo do confronto. A entidade agora se vê diante do desafio de encontrar um substituto capaz de recolocar o Brasil nos trilhos para a competição de 2026, em um momento em que a equipe ocupa a quarta colocação nas Eliminatórias, com 21 pontos.
Enquanto o futuro do comando técnico permanece indefinido, o impacto da saída de Dorival Júnior já reverbera entre jogadores, torcedores e dirigentes. A derrota para a Argentina não apenas expôs fragilidades táticas e defensivas, mas também reacendeu debates sobre a gestão do futebol nacional. Ednaldo Rodrigues, pressionado a agir, optou por uma mudança drástica, sinalizando que a CBF não está disposta a tolerar mais tropeços em um ciclo que já acumula eliminações precoces, como a queda nas quartas de final da Copa América de 2024 para o Uruguai.
Pressão crescente após derrota histórica
Nos corredores da CBF, a demissão de Dorival Júnior não chega como uma surpresa absoluta. Antes da partida contra a Argentina, Ednaldo Rodrigues já havia solicitado ao diretor de futebol da entidade, Rodrigo Caetano, uma análise detalhada do desempenho do treinador. O revés em Buenos Aires, no entanto, tornou a situação insustentável. O placar de 4 a 1, construído com gols de Julián Álvarez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e Giuliano Simeone, representou a pior derrota do Brasil na história das Eliminatórias Sul-Americanas, superando até mesmo o 3 a 0 sofrido contra o Uruguai em 1989.
A atuação apática da Seleção diante dos argentinos, que já garantiram vaga no Mundial de 2026, escancarou problemas que vinham se acumulando. O Brasil entrou em campo sem nomes como Alisson Becker, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães, mas as ausências não foram suficientes para justificar o desempenho abaixo do esperado. Jogadores como Marquinhos, capitão da equipe, e Vinícius Júnior reconheceram publicamente a necessidade de uma reformulação, enquanto Dorival assumiu a responsabilidade pelo fracasso tático, admitindo que “tudo o que foi planejado não funcionou desde o primeiro minuto”.

Reunião decisiva na sede da CBF
Realizada na tarde desta sexta-feira, a reunião entre Dorival Júnior e Ednaldo Rodrigues foi o ponto final de uma trajetória que começou com expectativas altas. Contratado após a passagem interina de Fernando Diniz, o técnico deixou o São Paulo, onde havia conquistado a Copa do Brasil em 2023, para assumir o desafio de liderar a Seleção em um novo ciclo. A aposta, porém, não trouxe os resultados esperados, e a CBF optou por encerrar o contrato, que originalmente iria até o fim das Eliminatórias.
Fontes internas apontam que a cúpula da entidade já havia tomado a decisão pela demissão antes mesmo do encontro, utilizando a reunião apenas para formalizar a saída. O próximo passo será a escolha de um novo comandante, tarefa que recai diretamente sobre Ednaldo Rodrigues. Recém-reeleito por aclamação na última segunda-feira, o presidente tem pela frente um momento crucial para definir os rumos da Seleção em um cenário de cobranças intensas por parte da torcida e da imprensa.
Números que pesaram na decisão
O desempenho de Dorival Júnior à frente da Seleção Brasileira pode ser analisado sob diferentes perspectivas, mas os números ajudam a explicar a pressão que culminou em sua saída. Confira alguns dados que marcaram sua passagem:
- 16 jogos disputados;
- 7 vitórias, 4 empates e 5 derrotas;
- Aproveitamento de 58,3%;
- Eliminação nas quartas de final da Copa América 2024;
- Goleada de 4 a 1 para a Argentina, pior derrota nas Eliminatórias.
Esses resultados, aliados à falta de consistência tática e à dificuldade em impor um estilo de jogo competitivo, foram determinantes para a decisão da CBF. A entidade agora busca um nome que traga renovação e confiança para um time que, apesar da quarta colocação nas Eliminatórias, está a apenas seis pontos da zona de repescagem, ocupada atualmente pela Venezuela.
Um ciclo conturbado desde o início
Quando assumiu a Seleção em janeiro de 2024, Dorival Júnior carregava nas costas a esperança de estabilizar uma equipe que vinha de uma transição turbulenta. Após a saída de Tite, em dezembro de 2022, o Brasil passou por um período de incerteza, com Fernando Diniz comandando interinamente enquanto a CBF negociava com Carlo Ancelotti. O treinador italiano, porém, renovou com o Real Madrid, e Dorival foi anunciado como a aposta definitiva para o ciclo da Copa do Mundo de 2026.
O começo até trouxe sinais positivos, com vitórias em amistosos e alguns jogos das Eliminatórias, mas os tropeços em momentos decisivos minaram a confiança no projeto. A eliminação na Copa América, após derrota nos pênaltis para o Uruguai, já havia colocado o técnico na berlinda. A goleada sofrida contra a Argentina, somada a atuações irregulares contra Colômbia e Venezuela nas últimas rodadas, selou o destino de Dorival, que agora deixa o cargo com mais perguntas do que respostas sobre o futuro da Seleção.
Reação imediata dos jogadores
Após a derrota em Buenos Aires, as declarações dos jogadores refletiram o clima de frustração que tomou conta do elenco. Marquinhos, zagueiro e capitão, pediu desculpas aos torcedores e afirmou que “o que foi feito não pode acontecer”, dividindo a responsabilidade entre o grupo e a comissão técnica. Vinícius Júnior, por sua vez, foi mais enfático, sugerindo que o Brasil precisa “repensar tudo” para voltar ao protagonismo no futebol mundial.
Matheus Cunha, autor do único gol brasileiro contra a Argentina, também lamentou o desempenho coletivo, destacando que a equipe “não representou a grandeza da Seleção”. As palavras dos atletas evidenciam um momento de crise que vai além da figura de Dorival Júnior, mas que acabou custando o emprego do treinador diante da necessidade de uma resposta rápida por parte da CBF.
Quem assume o comando agora?
Com a saída de Dorival Júnior confirmada, a CBF inicia uma corrida contra o tempo para definir o próximo técnico da Seleção Brasileira. Ednaldo Rodrigues, fortalecido por sua reeleição até 2030, tem em mãos a missão de escolher um nome capaz de unir o elenco e reconquistar a confiança dos torcedores. Entre os especulados, Carlo Ancelotti volta a ser mencionado como um sonho antigo da entidade, embora seu contrato com o Real Madrid até 2026 seja um obstáculo.
Outros nomes que surgem no radar incluem Filipe Luís, ex-lateral do Chelsea e atual técnico do Flamengo, e Jorge Jesus, que comanda o Al-Hilal, na Arábia Saudita. Abel Ferreira, do Palmeiras, também é cotado, mas a preferência por um treinador estrangeiro ou com experiência internacional pode pesar na decisão. Enquanto a escolha não é anunciada, a Seleção segue sem um comandante definido para os próximos compromissos, que incluem jogos contra Equador e Paraguai em junho.
Cronograma dos próximos passos da Seleção
A saída de Dorival Júnior abre um novo capítulo para a Seleção Brasileira, e o calendário imediato da equipe já impõe desafios à CBF. Veja as datas e eventos que devem guiar o futuro do time:
- Junho de 2025: Jogos contra Equador e Paraguai pelas Eliminatórias;
- Julho de 2025: Mundial de Clubes, que pode impactar a disponibilidade de técnicos cotados;
- 11 de junho a 19 de julho de 2026: Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México.
Com apenas quatro rodadas restantes nas Eliminatórias após os jogos de junho, o novo treinador terá pouco tempo para implementar mudanças significativas antes do torneio mundial. A urgência em encontrar um substituto reflete a preocupação da CBF em evitar novos tropeços que possam comprometer a classificação direta do Brasil.
Impacto da goleada no cenário sul-americano
A derrota por 4 a 1 para a Argentina não apenas custou o cargo de Dorival Júnior, mas também reforçou o domínio dos argentinos no futebol sul-americano. Líderes das Eliminatórias com 31 pontos, os atuais campeões mundiais garantiram a vaga na Copa de 2026 com antecedência, enquanto o Brasil, quarto colocado, ainda precisa confirmar sua presença no torneio. A distância de 10 pontos entre as duas seleções reflete o abismo técnico visto em campo na última terça-feira.
Para os argentinos, o resultado foi motivo de celebração e provocações. Jogadores como Rodrigo De Paul e Thiago Almada comandaram um show tático, enquanto a torcida no Monumental de Núñez entoava cânticos ironizando o rival. Até o presidente Javier Milei entrou na onda, classificando a vitória como um “baile mórbido” e destacando a atuação do goleiro Bento, que evitou um placar ainda mais elástico.
Desafios táticos expostos em Buenos Aires
Analisar a partida contra a Argentina revela as fragilidades que marcaram o trabalho de Dorival Júnior na Seleção. O Brasil sofreu gols em momentos cruciais, com falhas na marcação e uma postura defensiva desorganizada. A Argentina, mesmo sem Lionel Messi, explorou a flexibilidade tática, com movimentos coordenados entre De Paul, Almada e Julián Álvarez, que abriram o placar logo aos quatro minutos.
A incapacidade de reagir após o primeiro gol e a falta de criatividade no meio-campo, área historicamente forte do futebol brasileiro, foram pontos levantados por especialistas. A escalação com Matheus Cunha como titular, embora tenha rendido o gol de honra, não compensou a ausência de um plano claro para enfrentar o jogo intenso dos argentinos. Esses problemas, acumulados ao longo do ciclo, pesaram na decisão da CBF de buscar um novo treinador.
Legado de Dorival na Seleção
Apesar do desfecho negativo, a passagem de Dorival Júnior pela Seleção Brasileira deixa alguns marcos. O treinador, que tem mais de quatro décadas de experiência no futebol nacional, trouxe de volta nomes como Matheus Cunha, ausente da titularidade desde 2022, e tentou implementar um estilo de jogo mais vertical. No entanto, a falta de tempo para ajustes e a pressão por resultados imediatos em um cargo tão exposto limitaram suas conquistas.
Antes de assumir a Seleção, Dorival vinha de um trabalho sólido no São Paulo, onde conquistou a Copa do Brasil em 2023, o primeiro título do clube na competição. A decisão de deixar o Morumbi para comandar o Brasil, vista por muitos como arriscada, acabou se provando um revés em sua carreira. Agora, livre no mercado, o técnico de 62 anos pode retornar ao futebol de clubes, enquanto a CBF segue em busca de um nome para liderar a renovação da equipe nacional.
Expectativas para o novo técnico
A escolha do próximo treinador da Seleção Brasileira será um divisor de águas para o ciclo da Copa do Mundo de 2026. A CBF enfrenta a pressão de encontrar alguém que não apenas resolva os problemas táticos, mas também recupere o moral de um elenco talentoso, porém abalado por resultados recentes. Nomes como Carlo Ancelotti trazem a promessa de experiência internacional, enquanto opções como Filipe Luís representam uma aposta em renovação e proximidade com o futebol brasileiro atual.
Independentemente da decisão, o novo comandante terá a missão de reconstruir a confiança da torcida, que viu o Brasil sofrer sua pior derrota em Eliminatórias diante do maior rival. A quarta colocação na tabela, com 21 pontos, ainda garante o país na zona de classificação direta, mas o sinal de alerta está ligado, especialmente com a proximidade de adversários como a Venezuela, que soma 15 pontos na sétima posição.
Curiosidades sobre o confronto com a Argentina
O clássico entre Brasil e Argentina sempre carrega uma carga histórica, e a goleada de 4 a 1 trouxe à tona alguns fatos marcantes:
- Foi a primeira vez que o Brasil sofreu quatro gols da Argentina em Eliminatórias;
- A última vitória brasileira sobre os argentinos ocorreu em 2 de julho de 2019, na semifinal da Copa América;
- O Brasil não vence a Argentina em Buenos Aires desde 2009.
Esses dados reforçam a supremacia recente dos argentinos no confronto direto e aumentam a urgência por mudanças no comando técnico brasileiro. A rivalidade, que já foi equilibrada, hoje pende para o lado albiceleste, algo que a CBF quer reverter antes do Mundial de 2026.







