Dorival Júnior enfrenta hoje julgamento na CBF após goleada de 4 a 1 para Argentina nas eliminatóriasPor Carolina Costa
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) definirá nesta sexta-feira, 28 de março, o destino de Dorival Júnior como técnico da Seleção Brasileira. O treinador, que assumiu o comando em janeiro de 2024, vive um momento de incerteza após a derrota por 4 a 1 para a Argentina, a maior goleada sofrida pelo Brasil na história das eliminatórias para a Copa do Mundo. A reunião com o presidente Ednaldo Rodrigues será determinante para avaliar os 15 meses de trabalho do técnico de 62 anos, marcado por resultados irregulares e críticas crescentes.
Dorival chegou ao cargo com a missão de substituir Fernando Diniz e recolocar a Seleção no caminho das vitórias. Em 16 jogos disputados, alcançou sete vitórias, sete empates e duas derrotas, totalizando um aproveitamento de 58,3%. O desempenho ofensivo, com 25 gols marcados, e o defensivo, com 17 sofridos, expõem fragilidades que culminaram no revés histórico contra os argentinos. Na ocasião, o Brasil foi dominado em Buenos Aires, no estádio Monumental de Núñez, evidenciando problemas táticos e falhas individuais.
⚠️ CBF deve anunciar amanhã a demissão de Dorival Júnior.
— Planeta do Futebol ???? (@futebol_info) March 28, 2025
Além do treinador, toda a estrutura da Seleção Brasileira deve ser trocada, incluindo o diretor Rodrigo Caetano.
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???? Cahê Mota/ge pic.twitter.com/yvQkaZoHoZ
O cenário nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 não é animador. Com 21 pontos em 14 rodadas, o Brasil ocupa a quarta posição, 10 pontos atrás da líder Argentina, já garantida no torneio. O aproveitamento de 50% na competição classificatória, com 20 gols pró e 16 contra, reflete a dificuldade da equipe em encontrar consistência. A derrota para a Argentina, aliada à vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia na rodada anterior, reforça a percepção de instabilidade sob o comando de Dorival.
Trajetória de Dorival na Seleção: números e desafios
Contratado em 10 de janeiro de 2024, Dorival Júnior trouxe consigo a experiência de anos no futebol brasileiro, com passagens marcantes por clubes como Flamengo, São Paulo e Santos. No entanto, o desafio de liderar a Seleção Brasileira em um momento de transição revelou obstáculos que vão além da prancheta. Em 15 meses, o técnico convocou 58 jogadores diferentes, promoveu 19 estreias e precisou lidar com 21 cortes, muitos por lesão, o que dificultou a formação de um elenco fixo e entrosado.
Na única competição oficial disputada sob seu comando, a Copa América de 2024, o desempenho foi aquém do esperado. O Brasil avançou na fase de grupos com apenas cinco pontos em três jogos, resultado de uma vitória e dois empates. Nas quartas de final, enfrentou o Uruguai e, mesmo com um jogador a mais por 20 minutos após a expulsão de Nández, não conseguiu superar o rival. O empate sem gols no tempo normal levou a decisão para os pênaltis, onde a Seleção foi eliminada, aumentando a pressão sobre o treinador.
A campanha nas eliminatórias começou com amistosos promissores, como a vitória sobre a Inglaterra e o empate com a Espanha em março de 2024. Porém, os tropeços contra adversários sul-americanos, como Paraguai e Argentina, expuseram fragilidades táticas e falta de regularidade. Dos 42 pontos disputados até agora, apenas 21 foram conquistados, um número que contrasta com o histórico de campanhas mais sólidas do Brasil em edições anteriores das eliminatórias.
Os 58 convocados: diversidade e apostas de Dorival
Ao longo de sua passagem, Dorival Júnior apostou em uma ampla gama de jogadores, refletida na lista de 58 convocados. Entre goleiros, laterais, zagueiros, volantes, meias e atacantes, o técnico buscou mesclar nomes experientes com jovens promessas, mas nem sempre conseguiu traduzir essa diversidade em resultados dentro de campo.
A lista de goleiros inclui nomes como Alisson, Ederson e Bento, enquanto os laterais-direitos contam com Danilo, Yan Couto e Vanderson, e os esquerdos com Guilherme Arana, Wendell e Alex Sandro. No setor defensivo, zagueiros como Éder Militão, Marquinhos e Gabriel Magalhães foram presenças constantes, ao lado de novatos como Murillo e Léo Ortiz. No meio-campo, volantes como Bruno Guimarães, João Gomes e Gerson dividiram espaço com meias criativos, como Lucas Paquetá e Neymar, este último cortado por lesão em março de 2025.
No ataque, a variedade foi ainda maior. Jogadores como Vinicius Jr, Raphinha e Pedro foram testados ao lado de estreantes como Estevão, Luiz Henrique e Igor Jesus, revelações do futebol brasileiro. Dos 58 chamados, 19 vestiram a camisa da Seleção pela primeira vez, um indicativo da busca de Dorival por renovação, ainda que os resultados não tenham acompanhado o volume de experimentações.
- Goleiros: Alisson, Ederson, Bento, Rafael, Léo Jardim, Weverton, Lucas Perri
- Laterais-direitos: Danilo, Yan Couto, Vanderson, Willian, Dodô, Wesley
- Laterais-esquerdos: Guilherme Arana, Wendell, Alex Telles, Ayrton Lucas, Abner, Alex Sandro
- Zagueiros: Éder Militão, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Beraldo, Fabrício Bruno, Bremer, Murilo, Murillo, Léo Ortiz
- Volantes: André, Casemiro, João Gomes, Bruno Guimarães, Joelinton, Gerson, Douglas Luiz, Ederson, Pablo Maia
- Meias: Lucas Paquetá, Rodrygo, Andreas Pereira, Neymar, Pepê, Lucas Moura, Matheus Pereira
- Atacantes: Savinho, João Pedro, Matheus Cunha, Endrick, Estevão, Luiz Henrique, Vini Jr, Pedro, Raphinha, Martinelli, Evanilson, Richarlison, Galeno, Igor Jesus
Pressão após a goleada: o que está em jogo na reunião
A derrota por 4 a 1 para a Argentina, em 25 de março, tornou-se o estopim para a crise que ronda Dorival Júnior. O jogo, válido pela 14ª rodada das eliminatórias, expôs falhas defensivas e a falta de poder de reação da equipe diante de um adversário que já assegurou vaga na Copa do Mundo de 2026. O placar elástico, registrado no Monumental de Núñez, superou até mesmo derrotas históricas do Brasil em competições oficiais, como o 3 a 0 para a França na final de 1998.
Antes desse revés, a Seleção havia vencido a Colômbia por 2 a 1, em Brasília, no estádio Mané Garrincha, resultado que trouxe um alívio temporário. No entanto, a inconsistência voltou à tona contra os argentinos, que dominaram a partida com gols que evidenciaram a desorganização tática brasileira. O desempenho irregular nas últimas rodadas ampliou as críticas ao trabalho de Dorival, colocando seu cargo em xeque na reunião desta sexta-feira.
A CBF enfrenta um dilema: manter o treinador até o fim do ciclo das eliminatórias ou buscar um substituto imediato. A goleada histórica pesa contra Dorival, mas os 15 meses de trabalho e a aposta em novos jogadores podem ser considerados fatores a seu favor. Ednaldo Rodrigues, presidente da entidade, terá de pesar os números discretos contra a possibilidade de dar mais tempo ao técnico para ajustar o time.
Alternativas em pauta: Jorge Jesus e Ancelotti no radar
Diante da pressão sobre Dorival Júnior, a CBF já avalia possíveis substitutos. Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo e atualmente no Al-Hilal, surge como uma opção concreta caso a entidade opte por uma mudança imediata. O português, conhecido por seu estilo ofensivo e títulos no Brasil, é visto como um plano B viável, especialmente se as negociações com Carlo Ancelotti, do Real Madrid, se prolongarem.
Ancelotti, por sua vez, permanece como o nome preferido de Ednaldo Rodrigues para o comando da Seleção. O italiano, que conquistou diversos títulos na Europa, é alvo de longa data da CBF, mas sua saída do Real Madrid ainda é incerta. A possibilidade de uma “novela” nas tratativas com o treinador europeu aumenta as chances de Jorge Jesus assumir interinamente, caso Dorival seja demitido nesta sexta-feira.
A decisão da CBF também reflete um organograma mais amplo em discussão. Além do comando técnico, a entidade avalia mudanças em outras áreas da Seleção, como preparação física e análise de desempenho, visando melhorar os resultados nas quatro rodadas restantes das eliminatórias. O quarto lugar atual garante vaga direta na Copa de 2026, mas a distância para a Argentina e a instabilidade recente acendem o alerta.
Cronograma das eliminatórias: os próximos passos do Brasil
Com 14 das 18 rodadas já disputadas, o Brasil tem pela frente quatro jogos decisivos nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2026. A competição, que classifica diretamente as seis primeiras seleções e envia a sétima para a repescagem, está na reta final, e a Seleção precisa somar pontos para assegurar sua vaga sem depender de outros resultados.
Os próximos compromissos da equipe estão agendados para as Datas Fifa de 2025:
- Junho: Brasil x Venezuela (fora de casa) e Brasil x Uruguai (em casa)
- Setembro: Brasil x Chile (fora de casa) e Brasil x Peru (em casa)
Atualmente com 21 pontos, o Brasil está à frente de Colômbia (19) e Equador (19), mas atrás de Uruguai (22) e da líder Argentina (31). A vitória sobre a Venezuela e o Uruguai, em junho, pode consolidar a posição da Seleção, enquanto os duelos contra Chile e Peru, em setembro, encerrarão a campanha. Cada ponto será crucial para evitar surpresas na tabela.
Detalhes da gestão de Dorival: cortes e estreias em foco
Gerenciar 21 cortes ao longo de 15 meses foi um dos maiores desafios de Dorival Júnior na Seleção. Lesões de jogadores como Neymar, Ederson e Danilo, especialmente nas convocações de março de 2025, obrigaram o técnico a buscar alternativas de última hora, como Alex Sandro, Endrick e Lucas Perri. Essas substituições refletem a dificuldade de manter um elenco estável em meio a um calendário apertado e ao desgaste físico dos atletas.
Por outro lado, as 19 estreias promovidas por Dorival mostram sua disposição em renovar a equipe. Nomes como Estevão, do Palmeiras, Luiz Henrique, do Botafogo, e Igor Jesus, também do Botafogo, ganharam suas primeiras oportunidades na Seleção principal, trazendo frescor ao grupo. A aposta em jovens talentos contrasta com a presença de veteranos como Alisson, Marquinhos e Neymar, que seguem como pilares, apesar das oscilações.
Essa mistura de juventude e experiência, no entanto, não se traduziu em um desempenho coletivo sólido. A falta de entrosamento entre os estreantes e os jogadores mais rodados pode explicar parte das dificuldades enfrentadas contra adversários como Argentina e Uruguai. A reunião desta sexta-feira será um momento de balanço para avaliar se essa estratégia merece continuidade.
Números ofensivos e defensivos: um alerta para a CBF
Os 25 gols marcados em 16 jogos sob o comando de Dorival Júnior representam uma média de 1,56 gol por partida, número considerado baixo para os padrões históricos da Seleção Brasileira. Jogadores como Vinicius Jr, Raphinha e Pedro até contribuíram com gols importantes, mas a falta de criatividade no meio-campo e a dependência de jogadas individuais limitaram o ataque.
Defensivamente, a situação é ainda mais preocupante. Os 17 gols sofridos, média de 1,06 por jogo, incluem a goleada de 4 a 1 para a Argentina como ponto mais crítico. A linha defensiva, que conta com nomes como Éder Militão e Marquinhos, não conseguiu se impor em momentos decisivos, como nas quartas da Copa América e nas eliminatórias. A fragilidade exposta contra os argentinos reforça a necessidade de ajustes urgentes.
A comparação com campanhas anteriores das eliminatórias é desfavorável. Em edições passadas, o Brasil frequentemente ultrapassava os 40 pontos em 18 rodadas, com aproveitamentos entre 67% e 78%. Na atual trajetória, projeções indicam que a Seleção terminará com algo entre 28 e 30 pontos, um desempenho que, embora suficiente para a classificação, está longe do domínio tradicional da equipe pentacampeã mundial.
O impacto da goleada: reações e expectativas
A derrota por 4 a 1 para a Argentina reverberou entre torcedores e analistas. O placar, construído com gols que exploraram falhas na marcação e na saída de bola, gerou indignação e pedidos pela saída de Dorival Júnior. Em contrapartida, a vitória sobre a Colômbia, dias antes, havia reacendido esperanças de uma recuperação, com destaque para a atuação de Vinicius Jr, que marcou no Mané Garrincha.
O contraste entre os dois resultados resume o momento da Seleção: capaz de lampejos de qualidade, mas vulnerável a colapsos inesperados. A reunião da CBF com Ednaldo Rodrigues não definirá apenas o futuro de Dorival, mas também o rumo da preparação para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Com apenas quatro jogos pela frente, o tempo para correções é curto.
A pressão por resultados imediatos colide com a possibilidade de um projeto de longo prazo, como o desejado por quem defende a espera por Carlo Ancelotti. Enquanto isso, Jorge Jesus aparece como uma solução mais acessível, caso a CBF opte por uma troca agora. A decisão tomada nesta sexta-feira terá reflexos diretos na reta final das eliminatórias e na confiança da torcida para o próximo Mundial.







