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Apenas algumas horas após o pontapé inicial do Brasileirão 2025, o futebol brasileiro já testemunhou a primeira queda de um treinador. Mano Menezes, até então no comando do Fluminense, foi demitido na madrugada de domingo, 30 de março, após uma derrota por 2 a 0 para o Fortaleza na estreia do campeonato. O resultado, somado a uma série de problemas internos e à falta de evolução da equipe, marcou o fim de sua passagem pelo clube carioca. Com isso, ele entrou para um grupo seleto e indesejado de técnicos que perderam o cargo logo na primeira rodada do torneio desde o início da era dos pontos corridos, em 2003. A rapidez da decisão reflete a pressão crescente sobre os treinadores no futebol nacional, onde os resultados imediatos muitas vezes ditam o destino de carreiras.

O histórico de Mano Menezes no Fluminense já vinha carregado de desafios antes mesmo do apito inicial da competição. Contratado em julho de 2024, ele conseguiu evitar o rebaixamento do time no ano anterior, comandando a equipe em 46 jogos, com 20 vitórias, 13 empates e 13 derrotas. No entanto, a derrota na final do Campeonato Carioca para o Flamengo e o desempenho apático na estreia contra o Fortaleza pesaram contra ele. A diretoria do clube agiu rapidamente, anunciando a saída do treinador e de sua comissão técnica poucas horas após o jogo no Castelão. Marcão, auxiliar-técnico permanente, assumiu interinamente e já está escalado para liderar o time na próxima partida, contra o Once Caldas, pela Copa Sul-Americana.

Esse tipo de movimentação tão precoce não é novidade no Brasileirão. Desde que o formato de pontos corridos foi adotado, cinco técnicos, incluindo Menezes, foram dispensados após a primeira rodada. A lista inclui nomes como António Oliveira, Alberto Valentim (em duas ocasiões), Marquinhos Santos e Péricles Chamusca, todos vítimas da impaciência dos clubes diante de tropeços iniciais. Casos como o de Ivo Wortmann, que pediu demissão do Juventude em 2017, ou de Rogério Ceni e Fernando Lázaro, que saíram antes da segunda rodada por outros torneios, não entram nessa contagem específica.

Os bastidores da queda de Mano Menezes

A demissão de Mano Menezes não foi apenas resultado de uma derrota isolada. Nos corredores do Fluminense, o clima já estava tenso havia semanas. O treinador enfrentava críticas internas pela falta de evolução tática da equipe, mesmo após um período considerável de preparação na pré-temporada. Jogadores importantes do elenco, como Thiago Silva, ex-Chelsea e PSG, demonstravam insatisfação com os métodos de Menezes, o que agravou a crise. A relação com o lateral Marcelo Vieira, outro nome de peso, também já havia sido abalada em 2024, culminando na saída do jogador após um atrito público durante uma partida.

Além disso, o estilo de jogo defensivo adotado por Mano não agradava à torcida nem à diretoria, que esperavam uma postura mais agressiva para um clube com pretensões de brigar por títulos. A derrota para o Fortaleza expôs fragilidades que vinham sendo mascaradas nos últimos meses, como a dificuldade em criar jogadas ofensivas e a vulnerabilidade na defesa. A decisão de substituir o atacante Kevin Serna apenas 13 minutos após sua entrada em campo durante o jogo contra o Fortaleza também gerou controvérsia, aumentando a pressão sobre o treinador. A combinação desses fatores tornou a saída de Menezes quase inevitável.

Uma lista que cresce com o tempo

A história do Brasileirão na era dos pontos corridos mostra que a paciência com técnicos é um luxo raro. Mano Menezes agora faz parte de um grupo que reflete a alta rotatividade no futebol brasileiro. Antes dele, outros quatro treinadores já haviam enfrentado o mesmo destino, todos dispensados logo após a rodada inicial de suas respectivas temporadas. Esses casos ilustram como os clubes frequentemente optam por mudanças drásticas na tentativa de corrigir o rumo logo no começo da competição.

  • Mano Menezes: Fluminense, 2025 – Caiu após derrota por 2 a 0 para o Fortaleza na estreia.
  • António Oliveira: Coritiba, 2023 – Dispensado após um início ruim no campeonato.
  • Alberto Valentim: Cuiabá, 2021 – Primeiro de seus dois episódios na lista.
  • Alberto Valentim: Athletico-PR, 2022 – Único técnico a ser demitido duas vezes na primeira rodada.
  • Marquinhos Santos: América-MG, 2022 – Outro exemplo de pressão imediata.
  • Péricles Chamusca: Goiás, 2005 – Primeiro caso registrado na era dos pontos corridos.

A pressão imediata no futebol brasileiro

No Brasil, o futebol é movido a paixão, mas também a resultados. A demissão de técnicos após uma única partida não é apenas um reflexo da busca por vitórias rápidas, mas também da cultura de instabilidade que permeia os clubes. Desde 2003, quando o Brasileirão adotou o formato de pontos corridos, a média de permanência de treinadores tem sido notoriamente baixa, com trocas frequentes ao longo das 38 rodadas. A saída de Mano Menezes na estreia de 2025 reforça essa tendência, mostrando que até mesmo um técnico experiente, com passagens pela seleção brasileira e por grandes clubes, não está imune à guilhotina do resultado.

O Fluminense, por exemplo, entrou na temporada com expectativas elevadas. Após escapar do rebaixamento em 2024 e com a participação garantida na Copa Sul-Americana e no Mundial de Clubes, a diretoria apostava em um início forte para consolidar o projeto de Mano Menezes. Porém, o desempenho abaixo do esperado contra o Fortaleza, aliado à derrota recente no Carioca, fez com que o clube optasse por uma mudança imediata. A rapidez na decisão também foi influenciada pela percepção de que o time não estava evoluindo, mesmo com tempo de treino e contratações de peso como Thiago Silva.

A situação não é exclusividade do Fluminense. Outros clubes, como Coritiba, Cuiabá, Athletico-PR, América-MG e Goiás, já passaram por cenários semelhantes, dispensando técnicos logo na primeira rodada em anos anteriores. Em todos esses casos, a justificativa foi parecida: resultados ruins aliados a desempenhos que não inspiravam confiança. No entanto, a repetição desse padrão levanta debates sobre a eficácia de trocas tão precoces, já que nem sempre elas garantem uma recuperação imediata na tabela.

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Casos que marcaram a história recente

Olhando para trás, os episódios de demissões na primeira rodada revelam contextos distintos, mas com um denominador comum: a intolerância a tropeços iniciais. Em 2005, Péricles Chamusca foi o pioneiro dessa lista ao ser dispensado pelo Goiás após um início ruim no Brasileirão. Na época, o formato de pontos corridos ainda era novidade, e os clubes estavam se adaptando à ideia de uma competição longa. Mesmo assim, a pressão por resultados já era evidente, e Chamusca acabou sendo o primeiro a pagar o preço.

Décadas depois, em 2021, Alberto Valentim entrou para o grupo ao ser demitido pelo Cuiabá. O clube, recém-chegado à Série A, não hesitou em cortar o treinador após uma estreia decepcionante. No ano seguinte, Valentim repetiu o feito, dessa vez no Athletico-PR, tornando-se o único técnico a figurar duas vezes nessa lista. Sua passagem relâmpago pelos dois clubes evidencia como a falta de paciência pode transformar treinadores em alvos fáceis logo no começo da temporada.

António Oliveira, em 2023, também sentiu o peso dessa realidade. À frente do Coritiba, ele não resistiu à pressão após a primeira rodada e deixou o cargo em meio a um momento conturbado do clube paranaense. Já Marquinhos Santos, dispensado pelo América-MG em 2022, enfrentou um cenário semelhante, com o time mineiro buscando uma reação imediata que não veio com a troca de comando. Esses exemplos mostram que, independentemente do clube ou do treinador, o início do Brasileirão é um teste de fogo para qualquer profissional.

Mano Menezes e sua trajetória antes da queda

Antes de chegar ao Fluminense, Mano Menezes já era um nome consolidado no futebol brasileiro. Nascido em Passo do Sobrado, Rio Grande do Sul, em 11 de junho de 1962, ele construiu uma carreira marcada por altos e baixos. Sua passagem mais notável foi como técnico da seleção brasileira, entre 2010 e 2012, quando assumiu o comando após a Copa do Mundo da África do Sul. Apesar de vitórias em amistosos e da introdução de novos talentos como Neymar, seu ciclo na Seleção terminou após a derrota na final olímpica de 2012 para o México, em Londres.

Nos clubes, Mano também deixou sua marca. Em 2005, levou o Grêmio de volta à Série A em um jogo histórico conhecido como Batalha dos Aflitos, vencendo o Campeonato Gaúcho no ano seguinte. No Corinthians, conquistou a Série B em 2008, o Paulista e a Copa do Brasil em 2009, consolidando sua reputação como um técnico capaz de reconstruir equipes. Passagens por Flamengo, Cruzeiro, Palmeiras e Internacional também fazem parte de seu currículo, mas nem sempre com o mesmo sucesso. No Fluminense, sua missão inicial foi cumprida ao evitar o rebaixamento, mas a falta de um projeto consistente para 2025 selou seu destino.

A experiência de Mano, no entanto, não foi suficiente para blindá-lo da pressão no clube carioca. A relação estremecida com o elenco, especialmente com jogadores como Thiago Silva e Marcelo, foi um fator determinante. Durante a temporada anterior, o embate com Marcelo em uma substituição contra o Grêmio, que resultou na saída do lateral, já havia exposto fissuras no vestiário. Esses atritos, combinados com o desempenho abaixo das expectativas, fizeram de Menezes um alvo fácil após a derrota na estreia.

O impacto das demissões precoces nos clubes

Trocar de técnico logo na primeira rodada pode parecer uma solução rápida, mas os resultados nem sempre acompanham a decisão. No caso do Fluminense, a chegada de Marcão como interino traz uma nova dinâmica, mas também incertezas. Marcão já comandou o time em outras ocasiões, com resultados mistos, e agora terá a missão de preparar a equipe para a Sul-Americana enquanto a diretoria busca um substituto definitivo. A instabilidade inicial pode afetar o desempenho em uma competição longa como o Brasileirão, onde consistência é essencial.

Nos casos anteriores, os clubes que optaram por demissões precoces tiveram destinos variados. O Goiás, em 2005, conseguiu se estabilizar ao longo da temporada após a saída de Péricles Chamusca, mas não chegou a brigar por títulos. O Cuiabá, em 2021, e o Athletico-PR, em 2022, sob o comando de Alberto Valentim, enfrentaram dificuldades para encontrar um rumo, com o Furacão terminando o ano em uma posição intermediária e o Cuiabá lutando contra o rebaixamento. Já o América-MG, em 2022, não conseguiu evitar a queda para a Série B, mesmo após dispensar Marquinhos Santos. O Coritiba, em 2023, também acabou rebaixado, apesar da troca de António Oliveira.

Esses exemplos mostram que uma demissão na estreia não é garantia de sucesso. A falta de tempo para adaptação de um novo treinador e a pressão por resultados imediatos muitas vezes dificultam uma recuperação consistente. No Fluminense, a diretoria agora enfrenta o desafio de encontrar um nome que traga estabilidade e alinhe as expectativas do elenco e da torcida, algo que Mano Menezes não conseguiu alcançar.

O calendário do Fluminense após a mudança

Com a saída de Mano Menezes, o Fluminense já tem compromissos importantes no horizonte. Marcão assume o comando interino em um momento crucial, com jogos que podem definir o tom da temporada. Confira o cronograma imediato do clube:

  • 1º de abril: Once Caldas x Fluminense, pela primeira rodada da Copa Sul-Americana, na Colômbia.
  • 5 de abril: Fluminense x Botafogo, pela segunda rodada do Brasileirão, no Maracanã.
  • 12 de abril: Internacional x Fluminense, pela terceira rodada do Brasileirão, em Porto Alegre.

Outros técnicos na corda bamba

A queda de Mano Menezes pode ser apenas o começo de uma dança das cadeiras no Brasileirão. Após a primeira rodada, outros treinadores já aparecem sob pressão. Luís Zubeldía, do São Paulo, enfrenta críticas pelo desempenho irregular da equipe na pré-temporada, e uma derrota na estreia pode colocar seu cargo em xeque. Rafael Guanaes, do Mirassol, também está sob observação, com o clube buscando surpreender entre os grandes. A combinação de resultados ruins e expectativas altas tende a acelerar decisões drásticas nos próximos jogos.

A rotatividade de técnicos no futebol brasileiro não é exclusividade da primeira rodada. Em 2024, por exemplo, 12 dos 20 clubes da Série A trocaram de treinador ao menos uma vez ao longo da temporada, com alguns, como o Corinthians, chegando a três mudanças. Esse cenário reflete a volatilidade do cargo, onde a média de permanência raramente ultrapassa um ano. A pressão por resultados, aliada à influência de torcedores e diretores, transforma o Brasileirão em um terreno instável para os comandantes.

O que esperar do futuro do Fluminense

Com Mano Menezes fora, o Fluminense agora busca um novo rumo. A diretoria deve agir rápido para definir um substituto, já que a temporada inclui desafios como a Copa Sul-Americana e o Mundial de Clubes, além do próprio Brasileirão. Nomes experientes, como Abel Braga, que já passou pelo clube, ou mesmo técnicos estrangeiros, como Ramón Díaz, podem surgir como opções. A escolha será crucial para alinhar o elenco estelar, que conta com Thiago Silva e jovens promessas, a um projeto competitivo.

Enquanto isso, Marcão terá a chance de mostrar serviço nos próximos jogos. Sua experiência como interino pode ser um trunfo, mas a torcida espera mais do que uma solução temporária. A derrota na estreia expôs fragilidades que precisam ser corrigidas, como a falta de criatividade no ataque e a solidez defensiva. O desempenho contra o Once Caldas, na Sul-Americana, será um teste inicial para medir o impacto da mudança no comando.

O clube carioca também precisará lidar com a pressão externa. A rivalidade com o Flamengo, intensificada pela derrota no Carioca, e as expectativas de uma temporada vitoriosa aumentam a cobrança sobre jogadores e comissão técnica. A saída de Mano Menezes, embora esperada por parte da torcida, abre um período de incertezas que só o tempo e os resultados em campo poderão esclarecer.

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