Terremoto devasta Mianmar com 2.719 mortos e mobiliza resgates internacionais em Mandalay e Bangkok
Um terremoto de magnitude 7,7 abalou o sudeste asiático na sexta-feira, 28 de março, deixando um rastro de destruição em Mianmar, Tailândia e partes da China. Com epicentro próximo a Mandalay, a segunda maior cidade de Mianmar, o tremor causou a morte de 2.719 pessoas até esta terça-feira, 1º de abril, segundo dados da mídia chinesa. O número de vítimas, que era de 2.065 na segunda-feira, reflete a gravidade do desastre, agravada por danos em infraestrutura crítica como pontes, rodovias e aeroportos. Equipes de resgate, tanto locais quanto internacionais, trabalham incansavelmente para localizar sobreviventes em meio aos escombros, enquanto a ajuda humanitária começa a chegar à região. A Organização das Nações Unidas (ONU) mobilizou suprimentos para cerca de 23 mil afetados, mas as condições no terreno, incluindo a guerra civil em curso em Mianmar, dificultam os esforços.
Na Tailândia, o impacto foi igualmente devastador, com a queda de um arranha-céu em construção em Bangkok, que deixou 18 mortos e 76 desaparecidos até o momento. As autoridades tailandesas utilizam drones, cães farejadores e máquinas pesadas na busca por sinais de vida, enquanto em Mianmar, a falta de equipamentos adequados força sobreviventes a cavar com as mãos. O tremor, registrado a apenas 10 quilômetros de profundidade, potencializou os danos, destruindo prédios históricos e modernos em Mandalay e danificando a torre de controle do aeroporto de Naypyitaw, a capital mianmarense.
A situação humanitária em Mianmar já era crítica antes do desastre, com mais de 3,5 milhões de deslocados devido ao conflito iniciado após o golpe militar de 2021. Agora, a combinação de isolamento político, destruição física e escassez de recursos médicos desafia a resposta ao terremoto. Países como China, Índia, Rússia, Malásia e Cingapura enviaram equipes e suprimentos, enquanto os Estados Unidos anunciaram US$ 2 milhões em ajuda emergencial.
Magnitude do desastre em números
Os dados revelam a escala da tragédia que atingiu Mianmar e seus vizinhos. Em poucos dias, o terremoto transformou cidades em cenários de caos, com milhares de famílias afetadas. A profundidade rasa do epicentro explica a intensidade dos danos, que vão além das perdas humanas.
- Mortes confirmadas em Mianmar: 2.719 até 1º de abril, um salto em relação às 2.065 registradas na véspera.
- Feridos em Mianmar: mais de 3.400, com hospitais sobrecarregados e sem suprimentos suficientes.
- Desaparecidos na Tailândia: 76 trabalhadores soterrados nos escombros de um arranha-céu em Bangkok.
- Estruturas danificadas: cerca de 2.900 edifícios, 30 estradas e sete pontes afetadas em Mianmar, segundo o governo paralelo de unidade nacional.
Resgates heroicos em meio ao caos
Sob os escombros do Great Wall Hotel, em Mandalay, uma mulher foi resgatada viva após 60 horas presa, em uma operação que durou cinco horas e envolveu equipes chinesas, russas e locais. A sobrevivente, agora em condição estável, tornou-se um símbolo de esperança em meio à devastação. Esse resgate, ocorrido na segunda-feira, 31 de março, destaca o esforço conjunto de nações para salvar vidas, apesar das dificuldades logísticas impostas por aeroportos fechados e estradas bloqueadas.
Em Bangkok, a busca por 76 pessoas soterradas no arranha-céu em construção continua com urgência. O governador Chadchart Sittipunt afirmou que sinais fracos de vida foram detectados, e a operação não será interrompida, mesmo após o prazo crítico de 72 horas. Ele citou exemplos de sobreviventes resgatados após uma semana em escombros na Turquia, mantendo a esperança viva entre as equipes de emergência.
Enquanto isso, em áreas rurais próximas ao epicentro em Sagaing, moradores relatam a ausência de ajuda oficial. Sem máquinas pesadas, muitos tentam resgatar familiares com ferramentas improvisadas, enfrentando o desespero e a falta de recursos. A situação reflete o isolamento de comunidades já fragilizadas pela guerra civil e pela pobreza, que atinge 40% da população de Mianmar, conforme estimativas do Banco Mundial.
Esforços internacionais ganham força
A resposta global ao terremoto ganhou impulso nos últimos dias, com diversas nações enviando apoio à região afetada. A China, um dos primeiros países a agir, deslocou mais de 135 equipes de resgate e especialistas, além de prometer US$ 14 milhões em ajuda emergencial, incluindo kits médicos e geradores. A Rússia enviou 120 socorristas e suprimentos, enquanto a Índia aportou um hospital de campanha com 60 leitos e 120 profissionais, que chegaram a Naypyitaw em duas aeronaves militares.
Outros países do sudeste asiático, como Malásia, Cingapura e Tailândia, também contribuem com equipes e materiais. A Tailândia, apesar de lidar com seus próprios danos, enviou 55 soldados para auxiliar nos resgates em Mianmar. Os Estados Unidos, mesmo com tensões históricas com a junta militar mianmarense, comprometeram US$ 2 milhões por meio de organizações humanitárias locais, enquanto a ONU liberou suprimentos para 23 mil sobreviventes, sob a liderança de Noriko Takagi, representante da agência de refugiados no país.
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A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) reconheceu a necessidade urgente de assistência e prometeu apoiar os esforços de recuperação, enquanto a Coreia do Sul destinou US$ 2 milhões iniciais. A União Europeia e o Reino Unido também anunciaram suporte financeiro e logístico, com o último comprometendo US$ 13 milhões via organizações parceiras em Mianmar.
Cronologia dos eventos sísmicos
O terremoto de magnitude 7,7 não foi um evento isolado, mas o mais grave de uma série de tremores que abalaram a região. A seguir, os principais momentos registrados desde o início da crise:
- Sexta-feira, 28 de março, 12h50 (horário local): tremor principal de magnitude 7,7 atinge Sagaing, perto de Mandalay, com profundidade de 10 km.
- Sexta-feira, 28 de março, 13h01: réplica de magnitude 6,4 sacode a região, ampliando os danos.
- Domingo, 30 de março, madrugada: novo tremor de magnitude 5,1 é registrado próximo a Mandalay.
- Segunda-feira, 31 de março: resgate da sobrevivente do Great Wall Hotel marca o terceiro dia de buscas intensas.
Desafios logísticos atrasam socorro
A infraestrutura danificada representa um obstáculo monumental para os esforços de resgate e assistência em Mianmar. O aeroporto de Naypyitaw perdeu sua torre de controle, enquanto o terminal internacional de Mandalay permanece fechado devido a rachaduras na pista. Pontes importantes, como a histórica Ponte Inwa, colapsaram, isolando comunidades inteiras e dificultando o acesso de equipes de socorro.
Hospitais em Mandalay e outras cidades próximas ao epicentro estão sobrecarregados, com danos estruturais em instalações como o Hospital Geral de Mandalay e a Universidade Médica local. A ONU alertou para a escassez crítica de suprimentos médicos, incluindo kits de trauma, bolsas de sangue e anestésicos, o que compromete o atendimento aos mais de 3,4 mil feridos. Em algumas áreas, pacientes são tratados em pátios externos, com macas improvisadas e suprimentos limitados.
Na Tailândia, a situação em Bangkok também é complicada, com até 5 mil estruturas possivelmente danificadas, segundo o Conselho de Engenheiros do país. As estradas rachadas e os escombros acumulados dificultam o transporte de equipamentos pesados, enquanto familiares aguardam notícias dos desaparecidos no arranha-céu colapsado.
Guerra civil agrava a crise humanitária
Mergulhado em uma guerra civil desde o golpe militar de 2021, Mianmar enfrenta o terremoto em um momento de extrema vulnerabilidade. O conflito, que opõe a junta militar a grupos rebeldes e ao governo paralelo de unidade nacional, já deslocou mais de 3,5 milhões de pessoas e deixou quase 20 milhões necessitando de assistência humanitária antes do desastre. A junta, liderada pelo general Min Aung Hlaing, fez um raro apelo por ajuda internacional, mas relatos indicam que a resposta oficial é lenta e insuficiente em muitas áreas.
Grupos rebeldes denunciaram ataques aéreos militares em vilas afetadas pelo terremoto, como nos estados de Kayin e Shan, mesmo após o tremor. Em contrapartida, o governo paralelo anunciou um cessar-fogo temporário para facilitar os resgates, embora tenha reservado o direito de se defender em caso de agressões. A instabilidade política, somada à destruição física, transforma o terremoto em uma crise humanitária de proporções ainda maiores.
A pobreza extrema, que afeta 40% dos 55 milhões de habitantes, segundo o Banco Mundial, também dificulta a recuperação. Antes do terremoto, a ONU estimava que 15 milhões de pessoas corriam risco de fome em 2025, cenário que agora se agrava com a perda de moradias, alimentos e acesso a serviços básicos.

Histórias de sobrevivência e perda
Entre os escombros, histórias de coragem e tragédia emergem como testemunho da resiliência humana. Htet Min Oo, um jovem de 25 anos de Mandalay, foi resgatado por vizinhos após ficar preso sob uma parede colapsada. Ele tentou, sem sucesso, salvar sua avó e dois tios, soterrados em um prédio destruído. Chorando, ele descreveu a angústia de abandonar a busca, sem saber se ainda estavam vivos após tantas horas.
Em Bangkok, Khin Aung, um operário mianmarense, escapou por pouco do desabamento do arranha-céu onde trabalhava. Seu irmão e amigos, porém, permanecem desaparecidos sob toneladas de concreto e aço. A poucos quilômetros dali, familiares aguardam notícias, enquanto equipes de resgate utilizam escavadeiras e drones na esperança de encontrar sobreviventes.
Outro relato comovente vem de um dono de restaurante em Mandalay, que perdeu três funcionários quando seu estabelecimento desabou. Ele conseguiu sair dos destroços, mas lamentou a falta de apoio das autoridades, sentindo-se abandonado enquanto tentava limpar os escombros sozinho. Essas histórias refletem a escala humana do desastre, que vai além dos números e expõe a fragilidade diante de tamanha destruição.
Impacto regional além de Mianmar
O terremoto de magnitude 7,7 não se limitou a Mianmar, afetando fortemente a Tailândia e sendo sentido em partes da China e Bangladesh. Em Bangkok, a capital tailandesa com 17 milhões de habitantes, os tremores causaram pânico generalizado. Vídeos mostram a água de uma piscina em um terraço caindo como uma cachoeira, enquanto prédios balançavam e rachaduras apareciam em estruturas residenciais.
Na China, regiões do sudoeste registraram tremores leves, mas sem danos significativos. A rápida resposta do país, com o envio de equipes e US$ 14 milhões em ajuda, reflete sua influência na região e os laços com a junta militar mianmarense, principal compradora de armas chinesas. Já em Bangladesh, os tremores foram sentidos em áreas próximas à fronteira, mas não há relatos de vítimas ou destruição relevante.
Na Tailândia, o desabamento do arranha-céu em construção próximo ao mercado Chatuchak chocou a população. Equipes de emergência, equipadas com cães farejadores e drones, trabalham sem parar, enquanto o governador Chadchart Sittipunt mantém a esperança de encontrar sobreviventes. Até o momento, 18 mortes foram confirmadas no país, mas o número pode aumentar com a continuidade das buscas.
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Fatos sobre a Falha de Sagaing
A origem do terremoto está na Falha de Sagaing, uma zona sísmica ativa que atravessa o centro de Mianmar. Especialistas explicam que o tremor foi resultado do movimento horizontal entre as placas tectônicas da Índia e da Eurásia, um tipo de evento conhecido como “strike-slip”. Apesar de menos destrutivo que terremotos de subdução, a magnitude 7,7 e a profundidade rasa amplificaram seus efeitos.
O geofísico Sheingji Wei, do Observatório da Terra de Cingapura, havia alertado sobre o risco na região, que não registrava um grande terremoto há cerca de 200 anos. Entre 1930 e 1956, seis tremores acima de magnitude 7 foram registrados na falha, mas a falta de preparação estrutural em cidades como Mandalay agravou os danos. A professora Joanna Faure Walker, da Universidade College de Londres, destacou que a infraestrutura local, muitas vezes frágil, não foi projetada para resistir a forças sísmicas dessa magnitude.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta vermelho, estimando que as mortes podem ultrapassar 10 mil, com perdas econômicas equivalentes a 70% do PIB de Mianmar. Esses números, baseados em dados históricos e na vulnerabilidade da região, sublinham a gravidade do desastre em um país já fragilizado.
Próximos passos na resposta ao desastre
Com a janela de 72 horas para encontrar sobreviventes se fechando, as operações de resgate entram em uma fase crítica. Em Mandalay, equipes internacionais intensificam os esforços, enquanto voluntários locais se unem às buscas, apesar da falta de equipamentos. A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha trabalham para estabelecer corredores humanitários, mas os danos na infraestrutura continuam a atrasar a entrega de ajuda.
Na Tailândia, a busca no arranha-céu colapsado mantém o foco em sinais de vida detectados por máquinas, enquanto o governo avalia os danos em até 5 mil estruturas na capital. A solidariedade regional, com o apoio da ASEAN e de países como China e Índia, será essencial para atender às crescentes necessidades humanitárias.
Em Mianmar, a junta militar, sob pressão do aumento de mortes e da crise política, coordena a chegada de suprimentos em Yangon, a capital comercial, de onde são distribuídos para o interior. O general Min Aung Hlaing visitou Mandalay no sábado, 29 de março, prometendo acelerar os resgates, mas a desconfiança da população em relação ao regime persiste, alimentada pela lentidão na resposta.
Solidariedade em tempos de crise
A mobilização internacional reflete a gravidade da situação enfrentada por Mianmar e Tailândia. Além dos US$ 14 milhões da China e dos US$ 2 milhões dos Estados Unidos, o Reino Unido destinou US$ 13 milhões para organizações parceiras, enquanto Hong Kong enviou uma equipe de 51 pessoas e US$ 3,8 milhões. A Malásia deslocou 50 socorristas com caminhões de equipamentos, e a Tailândia prometeu mais 55 soldados para os esforços em Mianmar.
A ONU, por meio de Noriko Takagi, enfatizou a urgência do apoio global, destacando que as equipes locais em Mandalay também são vítimas do trauma. Os 23 mil sobreviventes atendidos pelos suprimentos iniciais representam apenas uma fração dos afetados, e a demanda por alimentos, água potável e abrigo cresce a cada hora.
Enquanto isso, o governo paralelo de unidade nacional e grupos rebeldes pedem um cessar-fogo duradouro, argumentando que a prioridade deve ser salvar vidas. A resposta a essa proposta, porém, permanece incerta, com os militares mantendo operações em algumas regiões despite o desastre.

















