China acelera remoção do Windows 10 em órgãos estatais por segurança de dadosPor Beatriz
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O Ministério da Segurança do Estado da China orientou algumas organizações ligadas ao governo a desinstalar uma versão personalizada do Windows 10 de seus equipamentos. A determinação, segundo informações de pessoas familiarizadas com o assunto, antecipa a descontinuação programada para fevereiro de 2027. A notícia provocou uma valorização expressiva das ações de fornecedores chineses de sistemas operacionais, com Hunan Kylinsec e Archermind atingindo o limite diário de 20% na Bolsa de Xangai, e a China National Software registrando alta de 10%. Fontes ligadas ao tema indicaram que a medida visa a segurança dos dados, mas não detalharam as vulnerabilidades específicas que preocupam Pequim.
O software em questão é a edição governamental desenvolvida pela C&M Information Technologies (CMIT), uma joint venture criada em 2016 entre a Microsoft e a estatal China Electronics Technology Group, com a parte chinesa detendo a participação majoritária. Essa versão é baseada no Windows 10 Enterprise, mas remove componentes voltados para consumidores, como o OneDrive, desabilita certas funções nativas, restringe as atualizações e ativações ao território chinês, e permite que usuários governamentais substituam os algoritmos de criptografia padrão da Microsoft por equivalentes chineses. Entre os primeiros clientes-piloto, em 2017, estavam a Alfândega da China e a Comissão de Economia e Informatização de Xangai.
A Microsoft encerrou o suporte principal ao Windows 10 globalmente em outubro de 2025, fazendo da edição da CMIT a única versão do Windows oficialmente permitida para uso governamental chinês. Um porta-voz da empresa informou que a Microsoft não tem conhecimento de nenhum incidente de segurança que afete este produto, e que ele continua a receber atualizações de segurança regulares.
Historicamente, Pequim já havia proibido o Windows 8 em aquisições governamentais em 2014. Em 2019, foi imposta uma substituição de PCs estrangeiros em escritórios governamentais em um período de três anos, e em 2022, agências centrais e empresas estatais foram instruídas a eliminar totalmente computadores de marcas estrangeiras. A infraestrutura tecnológica doméstica desenvolvida para suprir essa demanda inclui agora sistemas como Kylin V10, UOS da UnionTech e laptops com HarmonyOS 5 da Huawei, estendendo-se até o hardware com desktops Huawei Qingyun equipados com o chip Kirin 9000X.

Dados de tráfego da StatCounter revelam a limitada penetração dessa campanha no mercado consumidor. Em julho de 2026, o Windows era responsável por 87,64% do tráfego web em desktops chineses. Somente o Windows 10 ainda representava 43,56% do uso de Windows na China, em comparação com 50,01% do Windows 11, dez meses após o fim do suporte principal. Atualmente, cerca de dois em cada cinco desktops chineses utilizam um sistema operacional Microsoft sem suporte oficial, uma lacuna que a edição da CMIT buscava preencher para os usuários do governo.
Ainda não está claro o alcance exato da nova diretriz, com as informações disponíveis cobrindo “algumas” entidades ligadas ao estado. A CMIT não respondeu às solicitações de comentários sobre o assunto.







