Automobilismo

Bortoleto cresce e McLaren domina TL2 no GP do Japão em Suzuka

Gabriel Bortoleto
Foto: Gabriel Bortoleto - Foto: Michael Potts F1 / Shutterstock.com

A sexta-feira de treinos livres no Grande Prêmio do Japão, realizado no icônico circuito de Suzuka, foi marcada por um segundo treino livre (TL2) cheio de interrupções e reviravoltas. Oscar Piastri, piloto da McLaren, aproveitou os poucos momentos de pista livre para cravar o melhor tempo do dia, com 1min28s114, liderando uma dobradinha da equipe ao superar Lando Norris por apenas 0s049. Em uma sessão que teve menos de 30 minutos de bandeira verde devido a acidentes, bandeiras vermelhas e até fogo na grama, a performance da McLaren se destacou em meio ao caos. Gabriel Bortoleto, novato brasileiro da Sauber, mostrou evolução ao terminar em 13º, enquanto Isack Hadjar surpreendeu com o terceiro lugar pela Racing Bulls. O dia, que testou a paciência das equipes, revelou um início promissor para a terceira etapa da temporada 2025 da Fórmula 1.

Dominar o traçado de Suzuka, conhecido por suas curvas desafiadoras como as “S Curves” e a “130R”, exige precisão e adaptação rápida. Piastri conseguiu isso nos minutos finais do TL2, quando a pista finalmente permitiu algumas voltas rápidas. Norris, que liderou boa parte da sessão, ficou a poucos milésimos do companheiro, consolidando a força da McLaren no circuito japonês. Já Hadjar, da Racing Bulls, chamou atenção ao se colocar entre os líderes, apenas 0s404 atrás de Piastri, em uma sessão que viu nomes como Lewis Hamilton e Charles Leclerc, da Ferrari, ficarem no top 10, mas sem ameaçar o domínio laranja.

Enquanto isso, Bortoleto, em sua terceira corrida na Fórmula 1, deu sinais de progresso. Após um 20º lugar no TL1, o brasileiro subiu para 13º no TL2, com 1min29s335, apenas 1s221 atrás do líder. A Sauber, que ainda busca consistência, teve Nico Hülkenberg em 12º, logo à frente do jovem piloto. A sessão, realizada sob temperatura ambiente de 13°C e asfalto a 34°C, foi um teste de resiliência para todos, mas especialmente para os novatos, que enfrentaram um dia de aprendizado intenso em um dos circuitos mais técnicos do calendário.

Como o TL2 virou um teste de paciência em Suzuka

O segundo treino livre do GP do Japão começou com expectativas altas, mas logo se transformou em uma sequência de interrupções. Antes mesmo de completar dez minutos, Jack Doohan, da Alpine, sofreu um acidente violento na curva 1, levantando suspeitas de falha mecânica. O impacto, que gerou a primeira bandeira vermelha, durou cerca de 20 minutos, enquanto os fiscais retiravam o carro e o piloto passava por avaliação médica. Felizmente, Doohan saiu ileso, mas o incidente marcou o tom caótico da sessão.

Mal a pista foi liberada, Fernando Alonso, da Aston Martin, protagonizou o segundo momento de tensão. O espanhol tocou a grama com a roda dianteira esquerda na curva 9, rodou e ficou preso na brita, forçando outra paralisação. Com menos de 20 minutos restantes, as equipes correram para aproveitar o tempo, mas a situação ficou ainda mais surreal quando o gramado ao redor da pista pegou fogo — não uma, mas duas vezes. O fenômeno, semelhante ao visto no GP da China no ano anterior, gerou a terceira e a quarta bandeiras vermelhas, reduzindo drasticamente o tempo útil de treino.

Entre os poucos que conseguiram se destacar, Piastri e Norris mostraram por que a McLaren é uma das favoritas em Suzuka. A dupla aproveitou os pneus macios nos momentos finais para garantir a dobradinha, enquanto outros, como Max Verstappen e Yuki Tsunoda, da Red Bull, optaram por ajustes voltados para a corrida, terminando em 8º e 18º, respectivamente. A Ferrari, com Hamilton em 4º e Leclerc em 7º, ficou à espreita, mas sem o ritmo dos líderes, sugerindo que ajustes serão necessários antes da classificação.

Destaques e surpresas do dia em Suzuka

Analisar o TL2 do GP do Japão exige separar o caos da performance real. Apesar das interrupções, alguns pilotos e equipes conseguiram deixar sua marca. Piastri, com sua volta de 1min28s114, mostrou consistência ao superar Norris, que havia dominado o TL1 com 1min28s549. A diferença de 0s049 entre os dois reflete o equilíbrio interno da McLaren, que parece ter encontrado um acerto ideal para o traçado japonês. Hadjar, por sua vez, foi a grande surpresa, colocando a Racing Bulls em 3º com 1min28s518, um resultado que levanta questões sobre o potencial da equipe em 2025.

Bortoleto também merece destaque. O brasileiro, que estreou na Fórmula 1 este ano, evoluiu de forma notável entre as sessões. No TL1, seu tempo de 1min29s758 o deixou em 20º, mas no TL2 ele ganhou sete posições, ficando a apenas 0s273 de Hülkenberg, seu companheiro de Sauber. A melhora de mais de 0s4 em relação ao próprio desempenho mostra que o piloto está se adaptando ao carro e ao circuito, um sinal positivo para sua primeira temporada completa na categoria.

Outros nomes no top 10 incluíram Hamilton, com 1min28s544, e Liam Lawson, da Racing Bulls, em 5º com 1min28s559. George Russell, da Mercedes, ficou em 6º, mantendo a equipe alemã como uma força a ser considerada, enquanto Verstappen, com 1min28s670, priorizou simulações de corrida em vez de voltas rápidas. A sessão, embora fragmentada, deu pistas de como as equipes estão se preparando para o fim de semana, com a McLaren na frente e a Red Bull ainda ajustando sua estratégia.

  • Oscar Piastri: 1min28s114, 13 voltas, liderança no TL2.
  • Lando Norris: 1min28s163, 12 voltas, 2º lugar a 0s049 do líder.
  • Isack Hadjar: 1min28s518, 12 voltas, surpresa em 3º com a Racing Bulls.
  • Gabriel Bortoleto: 1min29s335, 13 voltas, evolução para 13º lugar.

O que o caos do TL2 revelou sobre as equipes

Com menos de 30 minutos de pista livre, o TL2 expôs tanto as fraquezas quanto as forças das equipes. A McLaren, por exemplo, demonstrou agilidade ao aproveitar as poucas janelas de oportunidade. Piastri e Norris, com voltas rápidas nos minutos finais, indicaram que o carro está bem adaptado às exigências de Suzuka, especialmente nas curvas de alta velocidade. A dobradinha reforça a posição da equipe como líder nas primeiras etapas de 2025, com Norris atualmente no topo do campeonato com 44 pontos.

A Racing Bulls, impulsionada por Hadjar e Lawson (5º), também impressionou. O terceiro lugar do jovem piloto francês, aliado ao desempenho sólido de Lawson, sugere que a equipe pode ser uma zebra no fim de semana. Já a Red Bull, com Verstappen e Tsunoda fora do top 10, parece ter focado em acertos de longo prazo. Verstappen, atual vice-líder do campeonato com 36 pontos, fez apenas 9 voltas, enquanto Tsunoda, estreando pela equipe principal em casa, completou 12 voltas, mas ficou em 18º com 1min30s625.

A Ferrari, por outro lado, manteve uma postura cautelosa. Hamilton e Leclerc, apesar de figurarem no top 10, não conseguiram ameaçar a McLaren. O carro da equipe italiana, que venceu na China com Piastri como rival, ainda parece um passo atrás em ritmo de treino. A Mercedes, com Russell em 6º e Andrea Kimi Antonelli em 16º, mostrou potencial nas retas, mas precisa de mais consistência nas curvas para brigar pelas primeiras posições.

Desafios de Suzuka testam pilotos e máquinas

Conhecido por seu layout em forma de “8” e curvas emblemáticas, Suzuka é um dos circuitos mais exigentes da Fórmula 1. A sessão caótica do TL2 só aumentou o desafio, limitando o tempo de adaptação dos pilotos. Para Bortoleto, o traçado representa uma oportunidade de aprendizado. O brasileiro, que já correu em categorias de base no Japão, como a Super Fórmula, usou o TL2 para ganhar confiança, especialmente nas sequências rápidas como as “S Curves” e a “Spoon Curve”.

Piastri, por sua vez, destacou-se justamente nessas áreas técnicas. Sua volta mais rápida veio com pneus macios, explorando ao máximo a aderência nas curvas de alta velocidade, como a “130R”, onde os carros atingem mais de 300 km/h. Norris, embora ligeiramente mais lento, também brilhou no setor 1, conhecido por sua sequência de curvas em “S”. A habilidade da dupla da McLaren em dominar esses trechos explica a vantagem sobre os rivais.

Verstappen, tricampeão e acostumado a vencer em Suzuka — onde triunfou nas últimas três edições —, optou por uma abordagem conservadora. Com foco em simulações de corrida, o holandês deixou as voltas rápidas de lado, algo que pode indicar confiança na performance do carro da Red Bull para a prova de domingo. Tsunoda, correndo em casa, teve menos sorte, enfrentando dificuldades para encontrar ritmo em sua estreia pela equipe principal.

Cronograma do fim de semana em Suzuka

O GP do Japão, terceira etapa da temporada 2025, segue com uma agenda intensa. Após os treinos livres de sexta-feira, as equipes têm mais uma chance de ajustar os carros antes da classificação. Confira os horários no fuso de Brasília:

  • Treino livre 3: Sexta-feira, 4 de abril, às 23h30.
  • Classificação: Sábado, 5 de abril, às 3h.
  • Corrida: Domingo, 6 de abril, às 2h.

A previsão do tempo indica céu parcialmente nublado para sábado, com temperaturas em torno de 16°C e 10% de chance de chuva. Já no domingo, a probabilidade de precipitação sobe para 50%, o que pode trazer ainda mais emoção à prova de 53 voltas.

Números que impressionam no TL2

Apesar do tempo reduzido, o TL2 gerou dados interessantes. Piastri liderou com 1min28s114, apenas 0s049 à frente de Norris, enquanto Hadjar ficou a 0s404 do australiano. Bortoleto, com 1min29s335, melhorou seu desempenho em relação ao TL1, onde marcou 1min29s758. A diferença entre o líder e o 20º colocado, Jack Doohan (1min31s659), foi de 3s545, refletindo o impacto das interrupções no ritmo de alguns pilotos.

A Mercedes de Russell, com 1min28s567, ficou a 0s453 de Piastri, enquanto a Ferrari de Hamilton registrou 1min28s544, a 0s430 do topo. Verstappen, com 1min28s670, completou apenas 9 voltas, o menor número entre os dez primeiros, indicando uma estratégia distinta. A sessão também viu Alonso, com apenas 5 voltas, ficar em 17º após seu incidente.

Pilotos sob os holofotes no Japão

Oscar Piastri chega ao GP do Japão embalado por sua vitória no GP da China, a segunda etapa da temporada. O australiano, quarto no campeonato com 34 pontos, mostrou no TL2 que está em sintonia com o carro da McLaren. Norris, líder do Mundial com 44 pontos, segue como referência na equipe, mas a diferença mínima no TL2 sugere uma disputa interna acirrada.

Bortoleto, por sua vez, vive um momento de ascensão. O 13º lugar no TL2, aliado à experiência em pistas japonesas, coloca o brasileiro como um nome a ser observado. Hadjar, com seu surpreendente 3º lugar, também ganha destaque, especialmente por seu desempenho em uma equipe considerada coadjuvante. Verstappen, mesmo fora do top 10, permanece como favorito para a corrida, dado seu histórico em Suzuka.

  • Líderes do TL2: Piastri (1min28s114), Norris (1min28s163), Hadjar (1min28s518).
  • Evolução de Bortoleto: 20º no TL1 (1min29s758) para 13º no TL2 (1min29s335).
  • Destaque inesperado: Hadjar, 3º com a Racing Bulls.

O que esperar da classificação e da corrida

Com o TL2 comprometido por interrupções, o terceiro treino livre, marcado para as 23h30 de sexta-feira, será crucial para as equipes refinarem seus acertos. A classificação, na madrugada de sábado às 3h, definirá o grid em um circuito onde largar na frente é uma vantagem histórica: em 33 corridas em Suzuka, o vencedor saiu da primeira fila em 28 ocasiões.

A corrida, no domingo às 2h, pode ser influenciada pelo clima. Com 50% de chance de chuva, as estratégias de pneus e paradas nos boxes ganharão ainda mais peso. A McLaren, com o ritmo mostrado no TL2, surge como favorita, mas Red Bull e Ferrari têm potencial para reagir. Para Bortoleto, a meta será manter a evolução e buscar pontos em sua terceira prova na Fórmula 1.