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A escalada da guerra comercial entre China e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira, 4 de abril, com o anúncio chinês de tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA. A medida, que entra em vigor na próxima quinta-feira, dia 10, é uma resposta direta ao pacote de tarifas recíprocas revelado por Donald Trump na quarta-feira, dia 2, que impôs taxas equivalentes sobre produtos chineses e de diversos outros países. O impacto foi imediato: bolsas de valores ao redor do mundo registraram quedas expressivas, refletindo o temor de investidores diante de uma possível recessão global. Além das tarifas, Pequim também limitou a exportação de terras raras para os EUA, materiais essenciais para a indústria tecnológica, intensificando a pressão sobre Washington.

O anúncio chinês veio acompanhado de medidas adicionais que sinalizam uma postura firme. O Ministério do Comércio da China justificou as restrições às terras raras como uma forma de proteger a segurança nacional e cumprir obrigações internacionais, como a não proliferação. Onze empresas americanas, acusadas de cooperação militar e tecnológica com Taiwan, foram incluídas na lista de entidades não confiáveis do país, ficando proibidas de operar comercialmente ou investir em solo chinês. Enquanto isso, os mercados financeiros globais, já abalados pelo “tarifaço” de Trump, enfrentam agora uma nova onda de incertezas com a retaliação de Pequim, que promete aprofundar os efeitos econômicos negativos.

No cenário asiático, as bolsas fecharam o pregão desta sexta-feira com quedas acentuadas, ampliando as perdas da véspera. O índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,52%, enquanto o Nikkei 225, do Japão, caiu 2,80%. Na Europa, o dia começou com números igualmente preocupantes: por volta das 8h30, o índice Euro Stoxx 50 despencava 5,35%, arrastado por performances negativas em mercados como Alemanha, França e Itália. Especialistas apontam que o encarecimento de produtos e insumos, somado à redução do consumo global, pode ser o estopim para uma desaceleração econômica em escala mundial.

Resposta chinesa intensifica guerra comercial

A decisão da China de retaliar as tarifas americanas com uma taxa idêntica de 34% marca um momento crítico no embate comercial entre as duas maiores economias do planeta. Anunciada pelo ministro das Finanças chinês, a medida abrange todos os produtos provenientes dos Estados Unidos, desde bens de consumo até insumos industriais. A sincronia com as tarifas de Trump não é coincidência: Pequim busca enviar uma mensagem clara de que não cederá às pressões de Washington. O governo chinês também informou que os controles sobre a exportação de terras raras, como samário, gadolínio e disprósio, têm efeito imediato, afetando diretamente a cadeia de suprimentos de tecnologia nos EUA.

Analistas avaliam que a restrição às terras raras pode ter um impacto ainda mais significativo do que as próprias tarifas. Esses materiais são indispensáveis para a fabricação de semicondutores, baterias e equipamentos militares, setores nos quais os Estados Unidos dependem fortemente das importações chinesas. Com a limitação, empresas americanas podem enfrentar dificuldades para manter a produção, o que deve elevar custos e pressionar ainda mais a inflação no país. A inclusão de 11 companhias dos EUA na lista de entidades não confiáveis reforça a estratégia de Pequim de usar seu poder econômico como arma na disputa.

O mercado financeiro sentiu o peso dessas decisões logo nas primeiras horas do dia. Na Ásia, o índice Kospi, da Coreia do Sul, caiu 0,86%, enquanto o SET, da Tailândia, registrou uma baixa de 3,15%. Na Índia, o Nifty 50 perdeu 1,49%. Fora do continente asiático, o Reino Unido viu seu FTSE 100 despencar 4,27%, impactado pelas tarifas de 10% impostas por Trump sobre seus produtos. Na Suíça, o índice SMI caiu 5,60%, refletindo as taxas de 31% aplicadas por Washington. A combinação das ações americanas e chinesas criou um efeito dominó que ameaça a estabilidade econômica global.

Bolsas globais em queda livre

Os mercados financeiros mundiais enfrentam um dos piores momentos desde o início do ano, com quedas generalizadas desencadeadas pela guerra tarifária entre China e EUA. Na Europa, os principais índices abriram o pregão desta sexta-feira em terreno negativo, com perdas que chegaram a superar os 7% em alguns casos. O DAX, da Alemanha, recuava 5,54%, enquanto o CAC 40, da França, registrava uma baixa de 4,66%. Na Itália, o Itália 40 despencava 7,64%, e na Espanha, o IBEX 35 caía 6,53%. Até mesmo o AEX, da Holanda, não escapou, com uma queda de 4,14% no início da manhã.

A Ásia, que já havia sofrido na véspera com o anúncio de Trump, viu as perdas se aprofundarem após a resposta chinesa. O Nikkei 225, referência no Japão, acumulou uma desvalorização de quase 3% no fechamento, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu mais de 1,5%. Países como Vietnã, Bangladesh e Tailândia, que enfrentam tarifas americanas de 46%, 37% e 36%, respectivamente, também registraram desempenhos negativos em seus mercados. A Coreia do Sul, com taxa de 25%, e o Japão, com 24%, sentem os reflexos diretos do embate entre as duas potências.

  • Euro Stoxx 50: queda de 5,35%
  • FTSE 100 (Reino Unido): baixa de 4,27%
  • SMI (Suíça): recuo de 5,60%
  • Nikkei 225 (Japão): desvalorização de 2,80%
  • Hang Seng (Hong Kong): perda de 1,52%

Impactos econômicos preocupam especialistas

O agravamento da guerra comercial traz à tona previsões sombrias para a economia global. Especialistas alertam que o aumento das tarifas pode gerar um efeito cascata, começando pelo encarecimento de produtos finais e insumos nos Estados Unidos. Com a retaliação chinesa, o mesmo cenário deve se repetir em outros países, reduzindo o poder de compra dos consumidores e afetando a demanda global por bens e serviços. A inflação, que já vinha sendo uma preocupação em diversas economias, pode ganhar novo fôlego com essas medidas.

Nos Estados Unidos, a dependência de terras raras chinesas coloca em risco setores estratégicos. A produção de chips para smartphones, computadores e até equipamentos militares pode sofrer atrasos e aumentos de custo, o que deve impactar empresas como Apple, Nvidia e Tesla, cujas ações já registraram quedas expressivas nos últimos dias. Na Europa, a situação não é diferente: a desaceleração da economia americana, principal destino das exportações do continente, pode levar a uma redução no crescimento do PIB da região.

A bolsa brasileira, por sua vez, tem resistido parcialmente ao colapso global. Apesar de uma leve queda de 0,04% na quinta-feira, o Ibovespa se manteve relativamente estável, beneficiado pela exclusão do petróleo das tarifas americanas de 10% sobre o país. No entanto, o aço brasileiro, já taxado em 25% desde março, continua sendo um ponto de vulnerabilidade. A cautela predomina entre investidores, que temem que uma escalada ainda maior no conflito comercial alcance os mercados emergentes.

Cronograma das tarifas e próximas etapas

A guerra tarifária entre China e Estados Unidos segue um calendário definido, mas cheio de incertezas. As tarifas anunciadas por Trump começaram a ser detalhadas na quarta-feira, dia 2 de abril, com aplicação imediata sobre diversos países. A resposta chinesa, revelada nesta sexta-feira, dia 4, terá início oficial na próxima quinta-feira, 10 de abril, enquanto as restrições às terras raras já estão em vigor desde o anúncio. Confira as principais datas:

  • 2 de abril: Trump anuncia tarifas recíprocas, com taxas de até 46% sobre países como Vietnã.
  • 4 de abril: China responde com tarifas de 34% e limita exportação de terras raras.
  • 10 de abril: Entrada em vigor das tarifas chinesas sobre produtos americanos.

O mercado agora aguarda possíveis reações de outros países afetados pelas tarifas de Trump, como Canadá, México e União Europeia, que já sinalizaram a intenção de adotar medidas retaliatórias. A incerteza sobre o próximo passo mantém os investidores em alerta, com expectativas de volatilidade nos próximos dias.

Estados Unidos e China
Estados Unidos e China – Foto: Andy.LIU/ Shutterstock.com

Efeitos imediatos nos mercados asiáticos

As bolsas asiáticas foram as primeiras a sentir o impacto da retaliação chinesa, ampliando as perdas registradas após o anúncio de Trump. O índice SET, da Tailândia, caiu 3,15%, refletindo a tarifa de 36% imposta pelos EUA. Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,86%, enquanto a Índia viu o Nifty 50 perder 1,49%. Mesmo a China, apesar da postura agressiva, não escapou das turbulências: o índice composto de Xangai caiu 0,2%, sinalizando a pressão sobre sua própria economia.

O Japão, um dos maiores exportadores mundiais, enfrenta desafios adicionais. O Nikkei 225, que já havia perdido 4% na quinta-feira, caiu mais 2,80% nesta sexta, afetado tanto pelas tarifas americanas de 24% quanto pela incerteza na cadeia de suprimentos de tecnologia. Montadoras como Toyota e Sony registraram desvalorizações de 6,3% e 5,6%, respectivamente, evidenciando a vulnerabilidade do setor.

A queda nos mercados asiáticos reflete não apenas o impacto direto das tarifas, mas também o receio de uma redução na demanda global. Países dependentes de exportações para os EUA e a China, como Vietnã e Tailândia, podem ver suas economias desacelerarem rapidamente se o conflito persistir.

Europa sob pressão com guerra tarifária

Na Europa, o dia começou com uma avalanche de vendas nas bolsas, impulsionada pelo agravamento do confronto entre China e EUA. O índice Itália 40 liderou as perdas, com uma queda de 7,64%, seguido pelo IBEX 35, da Espanha, que recuou 6,53%. Alemanha e França, motores econômicos do continente, também foram duramente atingidas, com o DAX caindo 5,54% e o CAC 40 perdendo 4,66%. A Holanda, com o AEX em baixa de 4,14%, completa o cenário de pessimismo.

Fora da União Europeia, o Reino Unido enfrenta os efeitos das tarifas de 10% impostas por Trump. O FTSE 100, que reúne as principais empresas do país, caiu 4,27%, pressionado por setores como o de commodities e aviação. A Suíça, alvo de taxas de 31%, viu o SMI despencar 5,60%, com empresas como a Anglo American e a Glencore registrando perdas superiores a 4%. A dependência europeia das exportações para os EUA torna o continente especialmente vulnerável a essa crise.

O Euro Stoxx 50, que agrega as 50 maiores empresas da zona do euro, caiu 5,35%, refletindo a gravidade da situação. A perspectiva de aumento da inflação e redução do crescimento econômico preocupa autoridades e investidores, que temem um efeito prolongado da guerra comercial no continente.

Setores mais afetados pelas tarifas

Diversos setores da economia global já sentem os reflexos das tarifas impostas por Trump e da retaliação chinesa. A indústria tecnológica é uma das mais impactadas, especialmente nos Estados Unidos, devido à restrição às terras raras. Empresas como Nvidia, que perdeu 6,2% de seu valor na quinta-feira, e Apple, com queda de 9,3%, enfrentam desafios para manter suas cadeias de produção. No Japão, a Sony e a Toyota também sofrem com a incerteza no fornecimento de componentes.

O setor automotivo é outro ponto crítico. As tarifas de 25% sobre veículos e peças importadas, anunciadas por Trump para entrar em vigor em maio, afetam montadoras globais. Nos EUA, companhias como Tesla, que caiu 4,8%, já sinalizam aumento de custos. Na Europa, a BMW reportou uma queda de 2,6% em suas ações, enquanto a International Airlines Group, dona da British Airways, perdeu 7,52%, refletindo temores de menor demanda por viagens.

  • Tecnologia: dependência de terras raras ameaça produção de chips e dispositivos.
  • Automotivo: tarifas de 25% elevam custos e reduzem competitividade.
  • Commodities: queda na demanda global pressiona preços de matérias-primas.

Perspectiva para os próximos dias

Com a guerra tarifária em pleno curso, os próximos dias prometem ser decisivos para os mercados globais. A entrada em vigor das tarifas chinesas, marcada para 10 de abril, deve intensificar a pressão sobre as bolsas, enquanto as restrições às terras raras já começam a reverberar nas cadeias de suprimentos. Países como Canadá e México, alvos de taxas de 25% por Trump, podem anunciar medidas retaliatórias em breve, ampliando o alcance do conflito.

Na Europa, autoridades monitoram de perto os desdobramentos, temendo que a desaceleração americana afete ainda mais as exportações do continente. Na Ásia, a volatilidade deve persistir, especialmente em mercados dependentes do comércio com os EUA e a China. O dólar, que caiu 1,5% na quinta-feira, segue sob pressão, enquanto ativos seguros, como o ouro, atingem máximas históricas, com preços chegando a US$ 3.128 por onça.

O Brasil, embora menos afetado até o momento, não está imune. A estabilidade relativa do Ibovespa pode ser testada caso a guerra comercial escale ainda mais, impactando o preço das commodities e as exportações de aço. A cautela predomina entre os investidores, que aguardam os próximos movimentos das potências globais.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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