Tarifas de Trump podem arrastar brasileiros para as criptomoedas e intensificar regulamentação

Que a adoção de criptoativos no Brasil vem crescendo não é novidade. O acesso facilitado a plataformas de investimento, a busca por diversificação de carteira e a queda de barreiras tecnológicas impulsionam o mercado no país. Porém, com as novas tarifas alfandegárias impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a percepção de risco na economia global se intensificou, gerando sinais de alerta para o mercado brasileiro.

Nesse ambiente de incertezas, muitos investidores locais veem nas criptomoedas uma alternativa para proteção contra volatilidades externas e possíveis instabilidades cambiais. Ao mesmo tempo, isso intensifica as discussões sobre regulamentação e fiscalização do mercado cripto no país.

Plataformas, investidores e autoridades se voltam para a estrutura legal, temendo que um avanço desordenado possa abrir brechas para práticas irregulares, como lavagem de dinheiro ou evasão fiscal. Mesmo as melhores exchanges do Brasil estão atentas as tarifas internacionais que podem impactar a economia brasileira, o mercado de criptomoedas e as perspectivas de maior regulação.

O mundo cripto e tarifas de Trump

Desde 2018, os Estados Unidos passaram a adotar políticas protecionistas, com Donald Trump à frente de aumentos tarifários sobre uma série de produtos importados de diversos países. A justificativa oficial era corrigir déficits na balança comercial e proteger setores estratégicos da indústria estadunidense.

Contudo, as consequências para outras economias não tardaram a aparecer. No Brasil, alguns produtos agrícolas e manufaturados foram afetados. Diante de um cenário de possíveis represálias ou mesmo retaliações de outros países, o temor de uma guerra comercial global levou analistas a projetar grandes impactos na cadeia de exportações nacionais.

Esse tipo de instabilidade tem reflexo direto nos mercados financeiros, onde investidores frequentemente buscam “portos seguros” para se protegerem de eventuais perdas. No passado, ativos como ouro ou títulos do Tesouro norte-americano cumpriam esse papel, mas a expansão do universo cripto e suas promessas de independência governamental vêm atraindo cada vez mais atenção no Brasil.

Com uma economia suscetível a variações externas, o país sofre com o sobe e desce do câmbio, sobretudo quando há tensões no comércio internacional. A imposição de tarifas alfandegárias tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras, o que afeta a balança comercial, as projeções de crescimento e, em última análise, a cotação do real frente ao dólar.

Em períodos de incerteza, investidores brasileiros buscam ativos que possam manter ou valorizar seu poder de compra, e as criptomoedas entram nesse radar de alternativas. De acordo com dados da Receita Federal do Brasil, o volume de operações declaradas em criptomoedas passou de R$ 200 bilhões no acumulado de 2024.

Já em 2025, apesar da volatilidade, o setor continua crescendo, reforçando a atratividade do mercado cripto como opção para hedge.

Crescimento e relevância do mercado cripto no Brasil

O Brasil figura entre os dez países com maior adoção de criptomoedas no mundo, conforme o Global Crypto Adoption Index 2024 da Chainalysis, o que demonstra o potencial local desse mercado. Nos últimos anos, surgiram diversas plataformas e iniciativas para facilitar a compra, venda e custódia de ativos digitais.

Além disso, iniciativas de tokenização de ativos do mundo real (chamados RWA, do inglês Real World Assets) também ampliaram o leque de oportunidades de investimento no país. Por meio dessas plataformas, investidores podem negociar frações de imóveis, commodities ou outros ativos tangíveis, tudo respaldado por tecnologia blockchain.

Com a ameaça de guerras comerciais e oscilações cambiais, a procura por stablecoins, como USDT ou USDC, tende a aumentar. Essas criptomoedas, atreladas a moedas fiduciárias como o dólar, servem de proteção contra a volatilidade e podem funcionar como porta de entrada para novos usuários do universo cripto.

Tudo isso reforça a utilidade prática das criptomoedas e fortalece a demanda por regulamentação apropriada. A intensificação das tensões comerciais e a possibilidade de fuga de capitais para criptomoedas tornam o monitoramento das autoridades ainda mais minucioso.

A Comissão de Valores Mobiliários mantém um olhar atento sobre as operações que possam caracterizar ofertas de valores mobiliários. Já o Banco Central do Brasil sinaliza há anos a intenção de desenvolver um arcabouço regulatório que equilibre inovação e segurança.

Uma das iniciativas mais conhecidas é o projeto do Drex, a moeda digital de banco central (CBDC) brasileira. Em tese, a Drex possibilitaria transações instantâneas e interoperáveis, facilitando a inclusão financeira. Com a popularização das criptomoedas, esse projeto está se tornando mais urgente.

As autoridades informam que, se não houver uma base legal sólida, o mercado de criptoativos pode se tornar um canal para práticas irregulares, prejudicando tanto a economia quanto a credibilidade do setor. E com a atual situação vista no mundo, essa necessidade aumenta ainda mais.

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