MC Poze do Rodo celebra devolução de joias e carros após cinco meses de operação no Rio

11 min de leitura
Poze do Rodo Foto: Poze do Rodo - Foto: Instagram

Na última quinta-feira, o funkeiro Marlon Brendon Coelho Couto, conhecido como MC Poze do Rodo, comemorou nas redes sociais a devolução de bens apreendidos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A recuperação aconteceu cinco meses após a Operação Rifa Limpa, deflagrada em 1º de novembro de 2024, que investigou fraudes em sorteios online. Poze, acompanhado de sua esposa, a influenciadora Vivi Noronha, esteve na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, para reaver joias de ouro, carros de luxo e outros itens. A decisão judicial, proferida pelo juiz Thales Nogueira, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, marcou um capítulo importante no caso que colocou o casal no centro de uma investigação sobre jogos de azar, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em postagens no Instagram, o cantor exibiu as joias recuperadas, incluindo cordões personalizados, e declarou: “Eu só quero o que é meu e o que Deus generosamente me dá”. A devolução, no entanto, veio com restrições: Poze está proibido de vender, transferir ou modificar os bens até a conclusão do inquérito.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Defraudações, teve como alvo principal Vivi Noronha, suspeita de promover sorteios ilegais nas redes sociais. Durante a operação, foram apreendidos 21 cordões de ouro, avaliados em quase R$ 2 milhões, além de veículos como uma Land Rover Defender e uma BMW X6, cujo valor conjunto ultrapassa R$ 3 milhões. Poze, que inicialmente não era alvo, passou a ser investigado após a polícia identificar sua possível participação na divulgação das rifas. O funkeiro, conhecido por seu estilo de vida ostentador, usou as redes para desabafar durante o processo, chegando a exigir a devolução dos bens em publicações marcadas por indignação.

O caso gerou grande repercussão, especialmente por envolver figuras públicas com milhões de seguidores. A Operação Rifa Limpa expôs a prática de sorteios fraudulentos que utilizavam aplicativos personalizados para simular resultados, sem auditoria oficial. A ação policial também atingiu outros influenciadores, como Roger Rodrigues dos Santos, conhecido como Roginho Dú Ouro, e Jonathan Luis Chaves Costa, o Jon Jon, levantando debates sobre a regulamentação de rifas online no Brasil.

Detalhes da operação Rifa Limpa

A Operação Rifa Limpa foi deflagrada com o objetivo de desarticular uma rede de influenciadores digitais suspeitos de lucrar com sorteios ilegais. A polícia cumpriu dez mandados de busca e apreensão, focando em provas de fraudes nos processos de realização das rifas e na entrega de prêmios. Na residência de Poze e Vivi, no Recreio dos Bandeirantes, os agentes confiscaram celulares, tablets, joias e veículos, além de simulacros de armas. Um dos itens de destaque foi um cordão de ouro de 1,7 kg, avaliado em R$ 650 mil, composto por ouro 18 quilates, cobre, prata e zircônias, com o nome “Poze Rodo” gravado.

A investigação revelou que os sorteios usavam parâmetros da Loteria Federal para dar uma falsa aparência de legitimidade. No entanto, o uso de um aplicativo customizado, sem auditoria oficial, levantou suspeitas de manipulação. A prática de rifas no Brasil exige autorização prévia da Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria, vinculada ao Ministério da Fazenda, e é restrita a instituições sem fins lucrativos, o que não se aplicava aos sorteios promovidos pelos investigados.

Vivi Noronha, com 1,6 milhão de seguidores no Instagram, foi apontada como uma das principais articuladoras do esquema, que movimentou cerca de R$ 10 milhões entre maio de 2022 e maio de 2023. Ela incentivava a compra de bilhetes a R$ 0,99, oferecendo prêmios em dinheiro via Pix, de R$ 500 a R$ 100 mil. A influenciadora também usava estratégias para aumentar o engajamento, como criar perfis reserva e oferecer recompensas para quem curtisse ou compartilhasse suas postagens.

  • Itens apreendidos na casa de Poze e Vivi:
    • 21 cordões de ouro, avaliados em quase R$ 2 milhões.
    • Land Rover Defender e BMW X6, com valor estimado em R$ 3 milhões.
    • 11 celulares e 4 tablets.
    • Simulacros de pistolas e espingarda.

Impacto na carreira de MC Poze

MC Poze do Rodo, nascido na Comunidade do Rodo, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, construiu uma carreira marcada por letras que retratam sua trajetória e a realidade das favelas cariocas. Aos 25 anos, ele acumula mais de 15 milhões de seguidores no Instagram, onde exibe um estilo de vida luxuoso, com joias personalizadas, carros blindados e eventos grandiosos, como seu casamento com Vivi Noronha, celebrado em 26 de outubro de 2024, dias antes da operação policial. A cerimônia, realizada no Rio, contou com um vestido de noiva no estilo princesa para Vivi e um terno claro com gravata borboleta para Poze, reforçando a imagem de ostentação do casal.

A apreensão dos bens, em novembro de 2024, gerou um impacto significativo na imagem pública do funkeiro. Poze usou as redes para se defender, afirmando que os prêmios anunciados por Vivi sempre foram entregues e classificando as acusações como “fake news”. Em um vídeo, ele chegou a dizer que estava “com ódio no peito” pela demora na devolução dos itens, que, segundo ele, foram conquistados “com suor e raça”. A revolta do cantor repercutiu entre fãs, que acompanharam suas postagens exigindo a liberação dos bens.

A devolução dos itens, autorizada judicialmente em abril de 2025, trouxe alívio ao casal, mas não encerrou a investigação. A decisão do juiz Thales Nogueira permite que Poze e Vivi mantenham os bens enquanto o inquérito prossegue, mas qualquer movimentação dos itens, como venda ou alteração, está proibida até a conclusão do caso.

Esquema de rifas e regulamentação no Brasil

A prática de rifas online tem crescido exponencialmente com o aumento do alcance das redes sociais, mas a falta de regulamentação rigorosa abriu espaço para fraudes. A Operação Rifa Limpa revelou como influenciadores utilizavam sua popularidade para atrair participantes, prometendo prêmios como carros, dinheiro e até cirurgias plásticas. Um dos alvos da operação, o cirurgião plástico Bolívar Guerrero Silva, foi investigado por rifar procedimentos médicos, prática que viola resoluções do Conselho Federal de Medicina.

No caso de Vivi Noronha, a polícia identificou um esquema que simulava sorteios legítimos, mas carecia de transparência. Os bilhetes, vendidos a preços acessíveis, atraíam milhares de participantes, mas a ausência de auditoria oficial levantava dúvidas sobre a veracidade dos ganhadores. Em alguns casos, investigações apontaram que prêmios eram entregues a pessoas próximas aos organizadores, reforçando suspeitas de manipulação.

A legislação brasileira é clara: rifas só podem ser realizadas com autorização do Ministério da Fazenda e por entidades sem fins lucrativos. A ausência de regulação nos sorteios online permitiu que influenciadores lucrassem milhões, muitas vezes sem entregar os prêmios prometidos. A Operação Rifa Limpa, segundo a Delegacia de Defraudações, é apenas a primeira fase de uma investigação mais ampla, que pode resultar em novas ações contra outros influenciadores.

  • Principais pontos da regulamentação de rifas no Brasil:
    • Autorização prévia da Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria.
    • Exclusividade para instituições sem fins lucrativos.
    • Proibição de sorteios com fins lucrativos sem auditoria oficial.
    • Penalidades por prática de jogos de azar, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Repercussão entre fãs e na mídia

A devolução dos bens de MC Poze gerou uma onda de comentários nas redes sociais, com fãs celebrando a vitória do funkeiro. Muitos destacaram a importância dos itens para a identidade do cantor, que frequentemente exibe joias com simbologias pessoais, como pingentes de pitbull, apelido pelo qual é conhecido, e referências à Comunidade do Rodo. Outros, porém, questionaram a origem dos recursos para a aquisição de bens tão valiosos, alimentando debates sobre a ostentação no funk e sua relação com atividades ilícitas.

A mídia acompanhou de perto o desenrolar do caso, com reportagens detalhando os itens apreendidos e o impacto da operação na vida do casal. A cobertura destacou a sofisticação do esquema investigado, que movimentou cifras milionárias em pouco mais de um ano. A visibilidade do caso também trouxe à tona discussões sobre a responsabilidade de influenciadores digitais, especialmente aqueles com grande alcance, na promoção de atividades não regulamentadas.

Poze, por sua vez, manteve sua rotina de postagens, compartilhando momentos com a família e anunciando novos projetos musicais. A devolução dos bens foi celebrada como um marco pessoal, mas o funkeiro segue sob escrutínio, com a possibilidade de novas fases da investigação.

Cronologia do caso

O caso de MC Poze e Vivi Noronha envolveu uma série de eventos que marcaram a trajetória do casal nos últimos meses. Abaixo, os principais momentos:

  • 26 de outubro de 2024: Poze e Vivi celebram casamento luxuoso no Rio de Janeiro.
  • 31 de outubro de 2024: Poze anuncia sorteio de um Tesla Cybertruck no Instagram.
  • 1º de novembro de 2024: Operação Rifa Limpa apreende joias, carros e eletrônicos na casa do casal.
  • Março de 2025: Poze faz desabafo nas redes, exigindo a devolução dos bens.
  • 24 de abril de 2025: Justiça autoriza a devolução dos itens, com restrições.

Vida pessoal e trajetória de Poze

Marlon Brendon Coelho Couto, o MC Poze do Rodo, nasceu em 1999 na Comunidade do Rodo, em Santa Cruz. Ainda adolescente, envolveu-se com o tráfico de drogas, experiência que ele afirma ter deixado para trás ao investir na música. Suas canções, que misturam funk, rap e trap, refletem a realidade das favelas e conquistaram milhões de fãs. Hits como “Vida Louca” e “Meio Dia” consolidaram sua posição como um dos principais nomes do funk carioca.

O relacionamento com Vivi Noronha, iniciado antes da fama, é marcado por idas e vindas. O casal tem três filhos — Júlia, Miguel e Laura — e enfrentou uma separação em 2021, durante a terceira gravidez de Vivi. Eles reataram em 2024, culminando no casamento de outubro. Além de influenciadora, Vivi é dona de uma marca de produtos capilares veganos, que promove nas redes sociais.

A trajetória de Poze é marcada por polêmicas, incluindo críticas às suas letras, que alguns associam à apologia ao crime. No entanto, o funkeiro defende sua arte como um reflexo de sua vivência, conquistando apoio de uma legião de fãs que admiram sua autenticidade.

Futuro da investigação

A devolução dos bens não significa o fim do caso para Poze e Vivi. A Operação Rifa Limpa continua em andamento, com a possibilidade de novas fases. A polícia segue analisando documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos, em busca de provas que confirmem as suspeitas de fraude, jogo de azar e lavagem de dinheiro. Outros influenciadores investigados, como Roginho Dú Ouro e Jon Jon, também permanecem no radar das autoridades.

A investigação destacou a complexidade dos esquemas de rifas online, que muitas vezes envolvem intermediários financeiros, como Matheus Gouveia Mendes, apontado como facilitador no caso de Vivi Noronha. A movimentação de R$ 10 milhões em um ano reforça a escala do esquema, que atraiu milhares de participantes com promessas de prêmios milionários.

Enquanto o inquérito prossegue, Poze mantém sua rotina de shows e lançamentos musicais, buscando deixar o caso para trás. A devolução dos bens, celebrada com entusiasmo nas redes, representa uma vitória parcial, mas o desfecho final depende das próximas etapas da investigação.

Detalhes dos bens recuperados

Os bens devolvidos a Poze e Vivi incluem itens que refletem o estilo de vida luxuoso do casal. A lista detalhada impressiona pelo valor e pela personalização:

  • Cordão de ouro de 1,7 kg, avaliado em R$ 650 mil, com gravação do nome “Poze Rodo”.
  • Pingentes personalizados, incluindo um com formato de pitbull e outro com referência ao Flamengo.
  • Veículos blindados, como Land Rover Defender e BMW X6, avaliados em mais de R$ 3 milhões.
  • Honda HR-V, também incluído na devolução.

A recuperação dos itens foi um momento de alívio para Poze, que os considera símbolos de sua trajetória de superação. Em suas postagens, ele destacou o valor sentimental das joias, muitas delas feitas sob medida para representar sua história e conquistas.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

Notícias relacionadas