Ancelotti assume Seleção Brasileira em junho de 2025 após crise no Real Madrid e negociações avançadas com CBFPor Thiago Lemos
16 min de leitura
![]() |
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está prestes a concretizar um dos maiores movimentos de sua história recente. Carlo Ancelotti, técnico italiano de renome mundial, deve assumir o comando da Seleção Brasileira a partir de junho de 2025, marcando um capítulo inédito com a chegada do primeiro treinador estrangeiro ao escrete canarinho. As negociações, que ganharam força nas últimas semanas, refletem a ambição da CBF em recuperar o protagonismo global do Brasil, especialmente após resultados decepcionantes nas Eliminatórias Sul-Americanas e a demissão de Dorival Júnior em março. Com um currículo invejável, Ancelotti é visto como a peça-chave para liderar a equipe rumo à Copa do Mundo de 2026, em um momento de reconstrução e renovação.
O interesse da CBF em Ancelotti não é novidade. Desde 2023, o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, colocou o italiano no topo da lista de desejos, mas a renovação de contrato com o Real Madrid, válida até 2026, adiou os planos. Agora, com a temporada turbulenta do clube espanhol, marcada por eliminações na Champions League e na Copa do Rei, além de críticas ao desempenho da equipe em LaLiga, o caminho para a Seleção Brasileira parece mais aberto do que nunca. As conversas, conduzidas com discrição, envolvem figuras próximas ao treinador, incluindo seu filho e auxiliar, Davide Ancelotti, e o empresário Diego Fernandes, que tem acompanhado jogos do Real Madrid para acelerar as tratativas.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
A expectativa é que Ancelotti finalize sua passagem pelo Real Madrid ao término de LaLiga, em 25 de maio, contra a Real Sociedad, no Santiago Bernabéu. A CBF planeja tê-lo no Brasil a partir de 2 de junho, às vésperas da Data Fifa, quando a Seleção enfrentará Equador, em Quito, e Paraguai, na Arena Corinthians. Essa transição, no entanto, depende da decisão do presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, que conduz a narrativa sobre o futuro do treinador com cautela, respeitando sua história vitoriosa no clube, onde conquistou três títulos da Champions League.
Por que Ancelotti é o escolhido da CBF?
A escolha de Carlo Ancelotti pela CBF reflete uma estratégia clara: combinar experiência, liderança e capacidade de gerenciar elencos estrelados. Aos 65 anos, o italiano acumula um currículo que poucos treinadores no mundo podem igualar. Ele venceu as cinco principais ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França) e conquistou cinco títulos da Champions League, três como treinador do Real Madrid e dois com o Milan. Sua habilidade em lidar com jogadores de alto calibre, como Cristiano Ronaldo, Zinedine Zidane e, mais recentemente, Vinicius Júnior, é um dos principais atrativos para a CBF, que busca um líder capaz de unir talentos como Neymar, Rodrygo e Gabriel Martinelli.
Além disso, Ancelotti traz uma abordagem tática flexível, conhecida por adaptar sistemas de jogo às características dos jogadores, algo essencial para uma Seleção Brasileira que enfrenta desafios em encontrar consistência tática. Sua experiência em competições de alto nível também é vista como um diferencial para preparar o Brasil para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A CBF acredita que o italiano pode resgatar a confiança da torcida, abalada após eliminações precoces nas últimas Copas e a recente derrota por 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias.
O histórico de Ancelotti com jogadores brasileiros também pesa a seu favor. No Real Madrid, ele transformou Vinicius Júnior em um dos principais atacantes do mundo, com 24 gols na temporada 2022/23, e foi fundamental na adaptação de jovens como Rodrygo e Endrick. Essa conexão com atletas do país pode facilitar a integração com o elenco da Seleção, que mescla veteranos e promessas. A CBF vê no italiano não apenas um treinador, mas um gestor capaz de reconstruir a identidade do futebol brasileiro em um cenário global cada vez mais competitivo.
- Experiência em grandes clubes: Ancelotti comandou equipes como Milan, Chelsea, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain, conquistando 26 títulos em sua carreira.
- Sucesso com brasileiros: Além de Vinicius e Rodrygo, trabalhou com Kaká, Ronaldo e Thiago Silva, demonstrando familiaridade com o estilo de jogo brasileiro.
- Adaptação tática: Conhecido por sistemas como o 4-3-3 e o 4-4-2 em losango, ele ajusta esquemas para maximizar o potencial dos jogadores.
- Gestão de pressão: Sua calma em momentos de crise, como na temporada atual do Real Madrid, é um trunfo para lidar com a expectativa da torcida brasileira.
⚡️ NEW: Carlo Ancelotti set to leave Real Madrid and take the Brazil head coach role
— Mario Cortegana (@MarioCortegana) April 27, 2025
He will join Brazil for their matches in June and his contract with the national team is not expected to be long-term
More details at @TheAthleticFC https://t.co/lg3HiQecJK
Uma temporada de altos e baixos no Real Madrid
A temporada 2024/25 tem sido um teste de resiliência para Carlo Ancelotti no Real Madrid. Apesar de iniciar o ano com expectativas elevadas, impulsionadas pela chegada de Kylian Mbappé e a consolidação de Jude Bellingham, o time enfrentou uma série de tropeços que colocaram o treinador sob pressão. A derrota por 3 a 0 para o Arsenal nas quartas de final da Champions League, em abril, foi um golpe duro, com o agregado de 5 a 1 expondo fragilidades táticas e falta de intensidade. Na Copa do Rei, o Real Madrid caiu para o Barcelona na final, em 26 de abril, em Sevilha, ampliando a crise no Santiago Bernabéu.
Em LaLiga, o cenário também é desafiador. A quatro pontos do Barcelona, líder do campeonato, o Real Madrid enfrenta dificuldades para manter o ritmo na reta final. Derrotas como a de 2 a 1 para o Valencia e empates em jogos-chave alimentaram críticas ao trabalho de Ancelotti, que foi acusado por parte da imprensa espanhola de não extrair o melhor de um elenco recheado de estrelas. Jogadores como Vinicius Júnior, com apenas seis gols em 23 jogos em 2025, e Rodrygo, criticado por atuações irregulares, não têm rendido o esperado, aumentando a pressão sobre o treinador.
Fora de campo, Ancelotti enfrenta desafios adicionais. Um processo por suposta fraude fiscal na Espanha, envolvendo cerca de 1,2 milhão de dólares, gerou manchetes negativas, embora o treinador negue as acusações e mantenha o foco no trabalho. A relação com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, permanece sólida, mas a eliminação na Champions e a perda da Copa do Rei reacenderam especulações sobre o fim de seu ciclo no clube. A possibilidade de Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen, assumir o comando já é discutida nos bastidores, com o ex-jogador sendo visto como uma aposta para um projeto de longo prazo.
Negociações avançadas com a CBF
As negociações entre a CBF e Carlo Ancelotti ganharam ritmo nas últimas semanas, impulsionadas pela crise no Real Madrid. O empresário Diego Fernandes, que mantém laços estreitos com dirigentes brasileiros, tem desempenhado um papel central nas tratativas. Ele esteve presente em jogos cruciais do Real, como a derrota para o Arsenal e a final da Copa do Rei, com o objetivo de estreitar laços com o estafe do treinador. A CBF nega oficialmente o envio de representantes a Madri, afirmando que as conversas são conduzidas exclusivamente por Ednaldo Rodrigues e Rodrigo Caetano, coordenador executivo das seleções masculinas, mas fontes próximas ao italiano confirmam o avanço das negociações.
Um dos pontos discutidos é a composição da comissão técnica. Ancelotti deve chegar ao Brasil acompanhado de dois auxiliares: seu filho, Davide Ancelotti, e o italiano Francesco Mauri. Inicialmente, havia a possibilidade de Davide iniciar uma carreira solo como treinador principal, mas ele optou por adiar esse plano para integrar a equipe da Seleção até a Copa de 2026. A CBF também considera incluir um ex-jogador brasileiro na comissão técnica, uma estratégia para fortalecer a conexão com a torcida e facilitar a transição para um técnico estrangeiro.
A duração do contrato é outro aspecto em negociação. A previsão inicial é que o acordo seja válido até a Copa do Mundo de 2026, com possibilidade de renovação até 2030, dependendo dos resultados. A CBF trabalha para garantir que Ancelotti esteja no comando já na Data Fifa de junho, quando o Brasil enfrentará compromissos pelas Eliminatórias. Para isso, a entidade ajustou prazos, planejando enviar a lista preliminar de convocados à Fifa em 18 de maio, mesmo sem a assinatura oficial do treinador.
- Papel de Diego Fernandes: O empresário atua como intermediário, acompanhando jogos do Real Madrid e mantendo contato com o estafe de Ancelotti.
- Comissão técnica: Além de Davide Ancelotti e Francesco Mauri, a CBF avalia incluir um nome brasileiro para reforçar a identidade local.
- Prazos apertados: A CBF planeja anunciar o treinador antes da Data Fifa, com Ancelotti chegando ao Brasil em 2 de junho.
- Contrato flexível: O acordo inicial prevê vínculo até 2026, com cláusula de extensão até a Copa de 2030.
O impacto de um treinador estrangeiro na Seleção
A chegada de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira marca um momento histórico. Pela primeira vez, o Brasil será comandado por um treinador estrangeiro, uma decisão que divide opiniões entre torcedores e especialistas. Enquanto alguns veem na experiência internacional do italiano a solução para os problemas recentes, outros questionam se um técnico sem raízes no futebol brasileiro conseguirá captar a essência do “jogo bonito”. A CBF, no entanto, aposta na reputação de Ancelotti para silenciar os críticos e unir o elenco em torno de um projeto ambicioso.
A Seleção Brasileira vive um período de transição. Após a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022 e a derrota por 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias, em março de 2025, a confiança da torcida foi abalada. O Brasil ocupa a quarta posição na tabela das Eliminatórias Sul-Americanas, com 21 pontos, atrás de Argentina, Uruguai e Colômbia. A pressão por resultados imediatos é alta, especialmente com jogos decisivos contra Equador e Paraguai em junho, que podem definir o rumo da campanha rumo à Copa de 2026.
Ancelotti terá a missão de reconstruir a identidade tática da equipe, que oscilou entre diferentes estilos sob o comando de Tite, Fernando Diniz e Dorival Júnior. Sua experiência em competições eliminatórias, como a Champions League, será crucial para lidar com a intensidade das Eliminatórias e preparar o time para o formato expandido da Copa do Mundo, que contará com 48 seleções. A CBF espera que o italiano consiga extrair o melhor de jogadores como Neymar, que busca recuperar a forma após lesões, e jovens como Endrick, apontado como uma das maiores promessas do futebol mundial.
Alternativas caso Ancelotti não venha
Embora a CBF esteja otimista com a contratação de Ancelotti, a entidade mantém planos alternativos para evitar um novo vácuo no comando técnico. Jorge Jesus, técnico do Al-Hilal, é o principal nome na lista de espera. O português, que conquistou a Libertadores com o Flamengo em 2019, tem contrato com o clube saudita até maio de 2025, mas uma multa rescisória reduzida facilita um possível retorno ao Brasil. Jesus já manifestou interesse em treinar a Seleção, mas a preferência por Ancelotti adiou as negociações.
Outro nome cotado é Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, que conquistou duas Libertadores (2020 e 2021) e é admirado por sua organização tática e gestão de grupo. No entanto, Abel enfrenta resistência de parte da torcida, que prefere um treinador com maior experiência internacional. A CBF também considera a possibilidade de um interino, como Ramon Menezes, caso as negociações com Ancelotti se prolonguem até o Mundial de Clubes, em julho.
A escolha por Ancelotti reflete a urgência da CBF em evitar novos tropeços. Após a frustrada tentativa de contratá-lo em 2023, quando o italiano optou por renovar com o Real Madrid, a entidade aprendeu a conduzir as negociações com maior discrição. A reeleição de Ednaldo Rodrigues até 2030 dá ao presidente a segurança necessária para liderar o processo, mas uma nova negativa de Ancelotti poderia ampliar as críticas à sua gestão, que já enfrenta questionamentos por trocas frequentes de treinadores.
- Jorge Jesus: O português é a principal alternativa, com experiência em competições sul-americanas e um estilo ofensivo que agrada a torcida.
- Abel Ferreira: Sua consistência no Palmeiras o coloca como opção, mas a falta de experiência em seleções é um obstáculo.
- Ramon Menezes: Técnico das categorias de base, pode ser interino caso a CBF precise de uma solução temporária.
- Riscos da espera: A CBF teme que a demora por Ancelotti repita o fracasso de 2023, quando Diniz assumiu interinamente.
Cronograma dos próximos passos
A transição para a chegada de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira segue um cronograma apertado, com prazos definidos pela CBF e pela Fifa. A entidade brasileira trabalha para alinhar a contratação com os compromissos do Real Madrid e as exigências das Eliminatórias. Abaixo, os principais marcos do processo:
- 18 de maio de 2025: Envio da lista preliminar de convocados à Fifa para a Data Fifa de junho, possivelmente sem a assinatura oficial de Ancelotti.
- 25 de maio de 2025: Último jogo de Ancelotti pelo Real Madrid, contra a Real Sociedad, marcando o fim de LaLiga.
- 2 de junho de 2025: Chegada prevista do treinador ao Brasil para assumir a Seleção e definir os 23 convocados.
- 5 de junho de 2025: Jogo contra o Equador, em Quito, pelas Eliminatórias Sul-Americanas.
- 10 de junho de 2025: Partida contra o Paraguai, na Arena Corinthians, em São Paulo.
- Julho de 2025: Início do Mundial de Clubes, já sem Ancelotti no comando do Real Madrid.
Desafios à frente da Seleção
Assumir a Seleção Brasileira é um desafio que vai além do campo. Ancelotti enfrentará a pressão de uma torcida apaixonada, mas exigente, que cobra resultados imediatos e um futebol envolvente. A falta de um título mundial desde 2002 aumenta a expectativa por um hexa em 2026, e o italiano terá pouco tempo para implementar sua filosofia. A Data Fifa de junho será seu primeiro teste, com jogos que exigem vitórias para consolidar a posição do Brasil nas Eliminatórias.
Outro desafio é a integração de jovens talentos com veteranos. Neymar, aos 33 anos, segue como referência, mas precisa recuperar a consistência após lesões. Jogadores como Vinicius Júnior, Rodrygo e Endrick, que já trabalharam com Ancelotti, serão peças centrais, mas a concorrência com nomes como Gabriel Martinelli e Raphinha exige equilíbrio na escalação. A defesa, que sofreu oito gols nos últimos quatro jogos das Eliminatórias, também precisa de ajustes, com nomes como Marquinhos e Éder Militão sob escrutínio.
A adaptação cultural será outro ponto crucial. Apesar de sua experiência global, Ancelotti nunca treinou uma seleção nacional, e o Brasil apresenta particularidades, como a paixão intensa da torcida e a pressão midiática. Sua calma característica, demonstrada em momentos de crise no Real Madrid, será testada em um ambiente onde cada jogo é tratado como uma final. A CBF aposta que a presença de um ex-jogador brasileiro na comissão técnica pode ajudar a suavizar essa transição.
O que esperar do Brasil com Ancelotti?
A chegada de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira promete uma nova abordagem tática e uma mentalidade voltada para resultados. Diferentemente de técnicos anteriores, que priorizaram posse de bola ou intensidade, Ancelotti é conhecido por sua versatilidade. Ele pode optar por um 4-3-3, explorando a velocidade de Vinicius e Martinelli nas pontas, ou um 4-2-3-1, com Neymar como articulador central. Sua experiência em competições eliminatórias sugere que ele buscará um time equilibrado, capaz de atacar com eficiência e se defender com solidez.
A preparação para a Copa do Mundo de 2026 será o foco principal. Com um elenco jovem, mas talentoso, Ancelotti terá cerca de um ano para moldar a equipe e testar formações. Amistosos contra seleções europeias, como Inglaterra e Espanha, estão nos planos da CBF para 2025, oferecendo ao treinador a chance de medir o nível do Brasil contra adversários de peso. A expectativa é que o italiano consiga resgatar a confiança do grupo, que sofreu com a instabilidade de três técnicos diferentes desde a Copa de 2022.
A torcida brasileira, embora dividida sobre a escolha de um estrangeiro, começa a enxergar em Ancelotti uma esperança de renovação. Sua trajetória de sucesso, aliada à familiaridade com jogadores do elenco, cria um cenário otimista. Se conseguir unir talento, tática e paixão, o italiano tem o potencial de devolver ao Brasil o protagonismo que o país busca há mais de duas décadas.
- Sistema tático: Ancelotti pode adotar o 4-3-3 ou o 4-2-3-1, dependendo das características dos jogadores convocados.
- Foco na defesa: Ajustes na zaga são prioridade, com Marquinhos e Militão como pilares.
- Integração de jovens: Endrick e Savinho podem ganhar espaço, complementando a experiência de Neymar.
- Preparação intensiva: Amistosos contra seleções de elite serão cruciais para testar o time antes da Copa.















